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Sem-abrigo em Coimbra: relatório do NPISA/C aponta queda de 31% em 2025 face a 2023

Casal sentado junto a rio com mochila, tenda e carrinha, planeando viagem em cidade histórica ao fundo.

Relatório do NPISA/C e evolução do sem-abrigo em Coimbra

O relatório do Núcleo de Planeamento e de Intervenção em Sem-Abrigo de Coimbra (NPISA/C), apresentado na mais recente reunião de Câmara, dá conta de uma redução do número de pessoas em situação de sem-abrigo no concelho. Em 2025, regista-se uma descida de 31% face a 2023, passando o total de 271 pessoas para 187.

Apesar da tendência de diminuição, o documento chama a atenção para a permanência de casos que se arrastam por longos períodos, o que torna mais difíceis os percursos de autonomização e de inclusão. Ainda segundo o relatório, em 2025 existiam 95 pessoas na condição de sem teto e 92 sem casa, sendo que a maioria permanecia nesta realidade por intervalos entre um e cinco anos.

Perfil da população acompanhada e fatores de vulnerabilidade

O relatório descreve também desafios que continuam presentes e caracteriza a população acompanhada no concelho. Predominam homens com idades entre os 45 e os 64 anos, um indicador que, de acordo com a vereadora do Desenvolvimento Social, Margarida Mendes Silva, traduz o envelhecimento desta população. Este retrato enquadra-se numa realidade em que vários fatores de fragilidade se vão somando e agravando ao longo do tempo.

Na origem de muitas situações, o documento aponta a debilidade das redes familiares, problemas de saúde mental, consumo de substâncias psicoativas, desemprego e obstáculos no acesso à habitação. Embora Coimbra esteja a registar menos pessoas sem abrigo, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, realça que continuam a faltar respostas a nível nacional dirigidas a esta população, com destaque para a área da saúde mental.

Respostas locais, intervenção em rede e lacunas a nível nacional

"Não há resposta a nível nacional, e é transversal a partidos políticos", afirmou. A autarca exemplificou com casos em que pessoas são encaminhadas para unidades hospitalares, mas acabam por regressar à mesma condição poucos dias depois, sem acompanhamento.

Margarida Mendes Silva relacionou o decréscimo de pessoas em situação de rua com um modelo de intervenção em rede, que liga o município a várias entidades sociais que atuam em proximidade. Tal como a presidente do executivo, frisou que "não há respostas adequadas" a nível nacional para muitas destas situações e apontou ainda o aumento dos custos da habitação como um entrave cada vez maior à resolução do problema.

A vereadora defendeu a necessidade de "construção de soluções efetivas e duradouras, promovendo soluções além da resposta imediata". Destacou igualmente o trabalho das equipas de rua, sublinhando a eficácia das intervenções e a presença contínua junto das pessoas.

No terreno

Alojamento transitório

O apoio prestado a pessoas em situação de sem abrigo em Coimbra inclui a supervisão da medicação e o acompanhamento psicológico, além de soluções de alojamento transitório em apartamentos partilhados.

Equipas de rua

As equipas de rua asseguram turnos durante o dia e a noite, prestando apoio não só alimentar, mas também ao nível de vestuário, higiene e encaminhamento para alojamentos, incluindo o Centro de Acolhimento de Emergência Noturno.

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