Três mortes confirmadas, pelo menos mais três pessoas infetadas, 149 indivíduos a bordo oriundos de 23 nacionalidades, um clima de incerteza e receio permanente: a travessia transformou-se numa lembrança amarga.
Surto de hantavírus no MV Hondius
A infeção por hantavírus colocou o navio de cruzeiro MV Hondius no centro das atenções.
O hantavírus circula sobretudo entre roedores e pode passar para humanos através de ratos. Provoca problemas respiratórios e cardíacos, bem como febres hemorrágicas. Não existem vacinas nem fármacos específicos para o combater; a abordagem clínica limita-se ao controlo e alívio dos sintomas.
Mortes e casos sob investigação
A primeira morte registou-se a 11 de abril, já a bordo. A 24 de abril, o corpo dessa vítima foi transportado para a ilha de Santa Helena, juntamente com o da sua esposa, que entretanto também morreu. Ambos eram de nacionalidade neerlandesa. O terceiro corpo permanece ainda no navio.
Entretanto, a situação clínica de outros passageiros também está a ser acompanhada. "Um caso de infeção por hantavírus foi confirmado em laboratório e cinco outros são suspeitos. Das seis pessoas afetadas, três morreram e uma está atualmente em cuidados intensivos na África do Sul", descreveu fonte da OMS à agência France Presse.
Itinerário e navio imobilizado em Cabo Verde
O MV Hondius fazia a rota entre Ushuaia, na Terra do Fogo (extremo sul da Argentina), e as ilhas Canárias. Desde domingo, dia 3, encontra-se parado ao largo da Cidade da Praia, capital de Cabo Verde. As autoridades locais não autorizaram o desembarque dos passageiros, embora estejam a assegurar, a partir de terra, toda a assistência considerada necessária.
Antes desta paragem, o navio esteve atracado na África do Sul, onde foram iniciados os primeiros procedimentos após a identificação de casos de hantavírus entre os passageiros.
Apoio das autoridades e coordenação internacional
A Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou que as autoridades de saúde cabo-verdianas disponibilizaram profissionais. Equipados com proteção integral, estes subiram ao navio para realizar os procedimentos indispensáveis.
A intervenção foi articulada entre estruturas de saúde e autoridades portuárias, com apoio da OMS, e em ligação com as autoridades dos Países Baixos - país de origem do MV Hondius - e do Reino Unido, de onde é natural pelo menos uma das pessoas afetadas.
Entre os tripulantes encontra-se um cidadão português que, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), "se encontra bem" e não apresentou qualquer pedido de apoio diplomático.
Em declarações à Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo Hondius, referiu que o corpo da terceira vítima continuava a bordo e que a prioridade era assegurar cuidados médicos aos dois tripulantes que estão doentes.
A empresa admitiu ainda que o passo seguinte poderá passar por deslocar o MV Hondius para as Ilhas Canárias, com o objetivo de obter apoio adicional.
O que se sabe sobre o hantavírus
Segundo a Agência Nacional de Saúde Pública da Suíça (OFSP), o hantavírus está disseminado por todos os continentes e é transmitido por roedores doentes, como ratos.
A designação tem origem no rio Hantan, na Coreia do Sul, onde mais de 3000 soldados adoeceram após contraírem a infeção durante a Guerra da Coreia (1950 a 1953).
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