Portugal vai ter este ano 438 praias, marinas e embarcações distinguidas com Bandeira Azul - menos seis do que em 2025 - espalhadas por 100 concelhos. Entre as estreias, destaca-se a Sertã, que apresentou candidatura pela primeira vez, informou esta quinta-feira a Associação Bandeira Azul.
Números e distribuição dos galardões Bandeira Azul em Portugal
O anúncio decorreu no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal, no Estoril (concelho de Cascais, distrito de Lisboa), e foi feito pelo presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, José Archer. Na próxima época balnear, a Bandeira Azul será hasteada em 396 praias - 350 costeiras e 46 interiores. Face ao ano anterior, o país soma menos oito praias distinguidas.
"Tivemos menos galardões que no ano passado, mas isso também teve a ver essencialmente com as condições climatéricas que ocorreram durante a época balnear, que penalizam sempre a qualidade da água balnear, portanto não há uma situação preocupante, é uma situação pontual", disse José Archer à agência Lusa. Em 2025, foram atribuídos no total 444 galardões, sendo distinguidas 404 praias, 18 marinas e 22 embarcações ecoturísticas.
No plano internacional, José Archer sublinhou que Portugal continua "muito destacado": ocupa "o quinto lugar a nível das praias costeiras galardoadas" e está "em segundo lugar a nível mundial" em praias do interior. "Considerando a dimensão do nosso território, é francamente gratificante e é, de facto, o resultado de todo o trabalho e da alteração de comportamentos que as pessoas têm hoje em dia", salientou.
No ano em que o programa Bandeira Azul assinala 40 anos, o responsável recordou que a Praia de Mira é a única que manteve o galardão ao longo destas quatro décadas. A exceção histórica, explicou, deve-se ao facto de, "em 1992, devido a uma greve dos laboratórios", o Algarve não ter tido praias distinguidas.
Critérios da Bandeira Azul: ano de transição até 2027
De acordo com José Archer, a principal novidade prende-se com o facto de 2026 ser um período de transição nos critérios de atribuição da Bandeira Azul, que serão alterados a partir de 2027. "Vamos ter mais critérios e vamos ter uma metodologia diferente com auditores externos na validação das candidaturas. É um ano de transição [...], tem a ver com a nova diretiva do consumidor que entra em vigor em setembro", explicou.
Para que novas praias - e também potenciais reentradas - consigam apresentar candidatura em 2027, vai existir ainda este ano uma janela extraordinária de candidaturas, em julho e agosto. Essas candidaturas serão depois submetidas e avaliadas na reunião do Júri Internacional marcada para 16 de setembro.
Primeira bandeira azul vai ser hasteada em Mira
Entre as novas praias do Norte distinguidas com Bandeira Azul estão a Foz do Lima e Rodanho (Viana do Castelo), Agudela Sul e Meia Laranja (Matosinhos). Já no Tejo, entrou a Ribeira Grande (Sertã) e, no Alentejo, foi galardoada Oriola (Portel). No Algarve, passam agora a constar a Albufeira de Odeleite (Tavira) e a Praia do Lago Verde (Castro Marim).
No conjunto das praias que deixaram de ter galardão, a Norte saem Cavadinho (Braga), a Praia do Arquiteto Albino Mendo (Mirandela) e a praia do Espinho-Baía. Na região Centro, perderam a distinção Cornicovo (Penacova) e a Cova Gala Hospital (Figueira da Foz).
Na zona do Tejo, deixaram de ostentar Bandeira Azul as praias de Moitas, Tamariz e Poça (Cascais), a Praia Fluvial do Sorraia (Coruche), Álvares (Góis), Santa Luzia, Pessegueiro, Praia da Pampilhosa da Serra e Porto da Calada (Mafra). No Algarve, saiu a Praia dos Pescadores, em Albufeira.
Nos Açores, foram galardoadas 45 praias costeiras - menos uma do que no ano passado - verificando-se a perda na Calheta dos Lagadores (Praia da Vitória, ilha Terceira). Na Madeira, foram distinguidas 17 praias, todas costeiras, registando-se também uma saída: a praia da Calheta, em Porto Santo.
A primeira bandeira azul costeira será hasteada na Praia de Mira, a 8 de junho. Já a 13 de junho, a bandeira será içada na praia fluvial de Mourão, no Alentejo.
A primeira marina a hastear Bandeira Azul será a de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira (Açores), em 15 de junho. Além disso, foram reconhecidos 31 Centros Azuis - estruturas de informação e atividades de educação ambiental localizadas junto às praias - distribuídos por todas as regiões.
Há praias com período “excecional” para hastear bandeira azul
As praias que não consigam repor o areal antes do arranque da época balnear, devido às tempestades que atingiram Portugal entre janeiro e fevereiro, terão um período “excecional” para hastear a Bandeira Azul. "Em muitas zonas sim, [o comboio de tempestades] afetou [muitas praias], porque causou bastantes estragos, alguns de areia. As praias praticamente ficaram sem areia”, explicou José Archer.
Segundo o presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, o mar “vai repondo” as areias, mas, em determinados casos, não se antecipa que isso aconteça antes do início da respetiva época balnear - ainda que as autarquias estejam “a fazer um esforço grande”.
“Há também acessos, obras de contenção, arribas, etc. que estão em estado mais crítico e que estão a ser intervencionadas. Nós esperamos que tudo esteja pronto a tempo. Aliás, este ano vamos ter um regime excecional para as zonas de calamidade, para poderem hastear mais tarde, se o decurso das obras não permitir que esteja tudo em condições para o período normal de hastear”, afirmou.
O responsável admitiu que, em certos locais, “é capaz de ser difícil” recuperar totalmente o cenário anterior, mas apontou como aspeto positivo o facto de “que a Bandeira Azul também aumente a pressão para que tudo esteja pronto na hora certa”. Ainda assim, frisou que a atribuição do galardão para a época balnear não será prejudicada, uma vez que existem “motivos justificados”.
“Aliás, as praias não ficaram sequer condicionadas, portanto, têm um período mais extenso, mais alargado para o hastear da bandeira. Se não o conseguirem, será justificado […]. Isso não é imputável ao promotor, não é imputável à autarquia, é com certeza fruto das circunstâncias”, explicou. As situações referidas incidem sobretudo em praias do norte e do centro: “De longe foram as mais afetadas. Há zonas onde, de facto, os estragos foram muito consideráveis”, indicou José Archer.
Recorde-se que uma praia distinguida com Bandeira Azul tem de cumprir vários critérios, incluindo a qualidade da água e do espaço (ordenamento), segurança e serviços, vigilância e sensibilização das pessoas (educação ambiental).
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