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DGS lança projeto-piloto de rastreio da diabetes tipo 1 em 4500 crianças nas ULS de São José, São João e Coimbra

Menino a sorrir sentado com ursinho de peluche enquanto técnica de saúde lhe coloca um medidor de glicose.

Arranque do projeto-piloto nas ULS de São José, São João e Coimbra

Até ao final do terceiro trimestre do ano, os centros de saúde das Unidades Locais de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa, de São João, no Porto, e de Coimbra deverão começar a realizar rastreios. A iniciativa, promovida pela Direção-Geral da Saúde (DGS), assume a forma de projeto-piloto com a duração aproximada de um ano e prevê testar 4500 crianças - 1500 em cada ULS.

A meta é identificar a diabetes tipo 1 numa fase em que ainda não há sinais clínicos e, em simultâneo, reduzir a probabilidade de o primeiro diagnóstico surgir apenas quando as crianças já apresentam cetoacidose diabética (“uma desregulação metabólica grave”).

Em Portugal, “cerca de 45% das crianças são diagnosticadas em cetoacidose”; refere a pediatra Cíntia Castro Correia, que está a acompanhar a implementação do projeto-piloto. “De facto, este programa vai permitir-nos fazer um diagnóstico precoce, atuar e prolongar um bocadinho a fase sem sintomas [da doença]”, conclui.

Segundo a DGS, o plano passa por “avaliar a viabilidade e capacidade de implementação de um programa de rastreio de base populacional para a diabetes tipo 1 em crianças, bem como o seguimento e monitorização das crianças identificadas em centros especializados”. Além disso, o projeto-piloto deverá permitir “o diagnóstico e tratamento precoce da diabetes tipo 1 clínica” e contribuir para “evitar complicações graves na altura do diagnóstico”.

Objetivo é fazer o diagnóstico e tratamento precoce da diabetes tipo 1 e evitar complicações graves no futuro

Como funciona o rastreio da diabetes tipo 1 aos cinco anos

A testagem será feita através de uma picada no dedo e ocorrerá “aquando do momento vacinal dos cinco anos”, de acordo com a DGS. O rastreio procura perceber se as crianças têm anticorpos específicos associados à diabetes tipo 1, descrita como uma doença crónica autoimune.

Caso haja deteção de anticorpos, o resultado “positivo” terá de ser confirmado num “hospital central”.

Implementação inicial nas USF e eventual alargamento nacional

Numa primeira etapa, o projeto será operacionalizado nas Unidades de Saúde Familiar (USF) das três ULS, com o objetivo de identificar potenciais “falhas” e “percalços” antes de uma possível extensão a todo o país.

“Se a população e os profissionais de saúde estiverem de facto de acordo [com a iniciativa], e se os objetivos e as dificuldades forem ultrapassáveis”, então o passo seguinte será “alargar o projeto”, aponta a médica. “Trata-se de um projeto-piloto de exequibilidade”, sublinha.

Para já, a inclusão limita-se a crianças com cinco anos. A DGS esclarece que “Qualquer alargamento do rastreio que possa vir a ser planeado estará dependente dos resultados do projeto-piloto, podendo as faixas etárias ser, eventualmente, ajustadas de acordo com a evolução da evidência científica”.

O programa contará com “as equipas de endocrinologia pediátrica, de cuidados de saúde primários e de laboratório em cada ULS”.

A DGS aponta o início até ao “final do terceiro trimestre deste ano”, embora ainda não exista um dia marcado, uma vez que se aguarda a resposta das Comissões Éticas de cada uma das ULS para avançar com a implementação. Este projeto, também promovido pela DGS, é semelhante à campanha “O seu filho tem um dedo que adivinha”, realizada pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

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