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Cáritas de Leiria: dos €2,3 milhões para a tempestade, só €142 mil chegaram a 16 famílias

Casal a receber informações de voluntário numa instituição de caridade com doações monetárias visíveis.

Apoios da Cáritas de Leiria: €2,3 milhões angariados e €142 mil atribuídos

Dos €2,3 milhões reunidos pela Cáritas de Leiria para apoiar as famílias atingidas pela tempestade, apenas cerca de €142 mil foram até agora distribuídos, chegando a 16 famílias, explica ao Expresso Nelson Costa, diretor de serviços, assumindo que o valor é “reduzido” quando comparado com o total angariado.

“Gostaríamos de ser mais céleres”, reconhece, sublinhando que este fundo é “complementar” aos apoios públicos e às indemnizações das seguradoras. Por isso, a instituição não pode avançar antes de existirem decisões sobre esses pedidos. O mecanismo foi pensado para “evitar duplicações”. “Queremos evitar o que aconteceu em Pedrógão Grande e garantir que cada cêntimo é aplicado com rigor.”

Segundo Nelson Costa, a dificuldade está no facto de a resposta do setor público estar a ser “lenta”, o que está a “atrasar os processos e a condicionar a intervenção no terreno”. “É inadmissível que, três meses após a tempestade, haja apoios do Estado por desbloquear”, aponta. “Há casas onde ainda chove no interior. Muitas famílias continuam sem habitação própria, a viver com familiares, em soluções provisórias ou em casas prefabricadas.”

As 16 famílias apoiadas - 27 adultos e 11 crianças - vivem em Ourém, Leiria e Marinha Grande. A fatia maior dos montantes atribuídos destinou-se à reconstrução de habitações (cerca de 88%). Seguem-se a reparação de bens móveis, como viaturas (8%), e o apoio ao arrendamento para famílias deslocadas (3%). As restantes despesas, como faturas de água, eletricidade, gás e telecomunicações, têm um peso menor.

“Queremos evitar a duplicação de ajudas, garantindo que cada cêntimo é aplicado com rigor”

Nelson Costa
Diretor de serviços

Processos, critérios e próximos relatórios

No total, foram abertos 71 processos (um por agregado). Destes, 16 receberam decisão favorável, 39 continuam em análise e 16 foram indeferidos. As exclusões estão sobretudo associadas a pedidos ligados a habitação não permanente. Há ainda recusas motivadas por rendimentos considerados incompatíveis com os critérios do fundo ou por prejuízos que não sejam diretamente atribuíveis à tempestade.

Nelson Costa acrescenta que “nas próximas duas semanas” deverá começar a ser divulgado um relatório trimestral sobre a aplicação dos valores. A campanha de angariação terminou a 28 de fevereiro, embora os donativos continuem a ser aceites.

Papel das autarquias

Em paralelo com a campanha da Cáritas, também as autarquias receberam a “generosidade extraordinária” que chegou ao Centro do país. Em Leiria, foram distribuídas cerca de 487 toneladas de bens alimentares, abrangendo 10.859 agregados, entre os quais 1065 cabazes solidários entregues ao domicílio. Estes bens - tal como produtos de higiene e cobertores - foram encaminhados para famílias em situação de vulnerabilidade social, Juntas de Freguesia, IPSS e bombeiros, estando ainda prevista a entrega de vestuário a instituições.

A Câmara recebeu igualmente 35 camas e os respetivos colchões, além de mobiliário e 30 eletrodomésticos, já entregues a “pessoas com necessidades” e a IPSS do concelho. Existem ainda 75 sofás e colchões com famílias já “sinalizadas” para os receber, mas que permanecem guardados pela autarquia “até terem as casas reabilitadas”.

Armazém solidário: lona, telhas e materiais de construção

Esta terça-feira, o município encerrou o armazém solidário, onde estavam armazenados bens de construção doados. Foram entregues 175 hectares quadrados de lona e cerca de 550 mil telhas, para 52 mil pessoas. Mantêm-se disponíveis “70 a 80 mil telhas” e outros materiais, que continuarão a ser disponibilizados a associações, clubes, IPSS e pessoas em situação de carência económica. Ao mesmo tempo, a Câmara continua a receber inquéritos sobre necessidades em falta, com vista a novos donativos.

De acordo com Carlos Palheira, vereador responsável pelo armazém solidário, estes materiais permitiram responder ao “dilúvio” que se seguiu à tempestade “Kristin”. Três meses passados, “os processos de apoios e das seguradoras estão longe de concluídos”. Do lado do Estado, o procedimento “não era assim tão simples”, exigindo burocracia para assegurar um sistema “rigoroso e fidedigno”.

Os dados mais recentes do município indicam que, até à semana passada, deram entrada 10.786 candidaturas à recuperação de habitação - 1082 aguardam pagamento e apenas 808 já têm verbas atribuídas, enquanto 760 foram recusadas.

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