O Expresso, por vezes - ou talvez sempre - também tratado por “espesso”, segue critérios que a verdade não reconhece, embora deles suspeite. Na secção “Opinião”, não parece haver lugar para cartas de leitores sem gravata, ou para quem monta bivaque nos diferentes media. Só alguns - e quase sempre os mesmos - dispõem de cadeira marcada, ou de uma página certa e em branco para preencher; já os leitores menos favorecidos, fora dessa elite, acabam remetidos para a zona sem trânsito ou, em sentido contrário, para uma faixa ou folha adiada para Terras do Nunca.
Joaquim A. Moura, Penafiel
Pedro Nuno de volta
Desejo-lhe um bom regresso, senhor Pedro Nuno Santos, após a sua sentida ausência da AR desde outubro de 2024. Notou-se a ausência, sobretudo, porque deixámos de o escutar. Faço votos de que este período de suspensão do mandato, por “motivo ponderoso de natureza pessoal e profissional”, lhe tenha sido benéfico, que tenha permitido uma autocrítica séria ao seu percurso e que volte com prudência e com vontade de dar exemplo do que deve ser a discussão política.
Esse debate tem estado tão contaminado por mentiras, meias verdades (ainda mais perigosas do que a mentira assumida), interesses materiais, favorecimentos a famílias de ministros e deputados e menor transparência no financiamento partidário. Espero que o silêncio o tenha tornado melhor e que seja merecedor de se considerar “social-democrata de esquerda”, algo que se prova com prática - não com autoproclamação.
José Madureira, Pereira, Mirandela
Outra universidade?
Depois de ler, no semanário que dirige, a resposta do presidente do IPL à ideia de transformar o Instituto Politécnico de Leiria numa universidade - fundamentando-a na existência de um “bloqueio estrutural das empresas da região Oeste” por falta de um “motor de conhecimento à altura” - importa recordar que: (i) a ausência de uma universidade não impediu o crescimento económico de Leiria nos últimos anos; (ii) esse dinamismo deve-se, em grande medida, à qualidade do IPL e dos seus diplomados; (iii) uma universidade, por si só, não é necessariamente um motor de desenvolvimento económico, como Coimbra há anos demonstra; (iv) esta mudança terá impacto na rede de instituições de ensino superior, até porque o país não precisa de mais universidades; (v) e convém perguntar se o custo de transformar o IPL em universidade não será excessivo face a benefícios incertos e eventuais, sobretudo quando o termo de comparação é “acabar” com um politécnico que “tão bem tem feito à região” e somar o encargo financeiro de criar uma universidade (mais professores, salários mais altos...).
Ricardo Charters-d’Azevedo, São Pedro do Estoril
Avisos de Seguro
Habituados a muita parra e pouca uva, recebemos com satisfação o discurso do 25 de Abril do novo Presidente. Conseguiu apontar o essencial, lembrando que não há liberdade quando falta habitação acessível, quando os salários não permitem uma vida digna, quando a Democracia se reduz ao simulacro formal de um jogo viciado e quando o tempo da Justiça excede os mínimos necessários para que ela seja eficaz.
Não existe um limite máximo nem uma resposta assegurada e, por isso, a própria Justiça precisa urgentemente de uma intervenção cirúrgica antes que a doença se torne fatal. O problema é termos um Ministério Público inimputável, que não é escrutinado nem responsabilizado pela forma como atua e que ainda se permite atacar o poder político, exercendo uma estratégia de ameaça subliminar: quem não há de temer quem derruba governos com insinuações e depois nem sequer as explica?
José Cavalheiro, por e-mail
Sobre o Irão
Reza Pahlavi, exilado nos EUA, é uma das figuras centrais da oposição iraniana e defende a queda da República Islâmica em nome de um regime democrático. Apesar do seu ADN, não deve ser responsabilizado pelo último Xá do Irão, o seu pai, Mohammad Reza Pahlavi.
Há uma certa esquerda que, de forma hipócrita, convoca factos históricos apenas quando lhe convém - por exemplo, ainda hoje defende o regime cubano como justificação para a ditadura de Batista, acontecimento de há quase 70 anos. E a história volta a repetir-se: nos anos 70, uma esquerda marcada por antiamericanismo primário ajudou ao regresso de Khomeini, o líder supremo que viria a implantar a Revolução Islâmica e antiocidental. Nem isso parece pesar-lhes na consciência.
Fernando Ribeiro, São João da Madeira
Retificação
O texto “A vertigem da razão”, publicado na página 64 da Revista E desta semana, é da autoria de José Luís Porfírio e não de Celso Martins, como por lapso indicámos. Apresentamos as nossas desculpas aos visados e aos leitores.
Os originais das cartas não devem ultrapassar 150 palavras, ficando a Redação com o direito de as condensar. Os autores devem identificar-se, indicando o nº do Cartão de Cidadão, a morada e o nº de telefone. Não devolvemos documentos que nos sejam enviados. As cartas podem igualmente ser publicadas na edição online.
Para contacto: [email protected]
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