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Nunca trabalharam mas recebem uma reforma até 1605 euros por mês. Explicações.

Casal sénior feliz a analisar correspondência e contas na mesa de madeira com chá e tablet.

Há pessoas que nunca exerceram uma actividade profissional e, ainda assim, conseguem receber uma prestação na velhice que pode chegar a 1605 euros por mês. Como é que isso acontece? A dúvida é comum entre muitos franceses quando se aproximam da reforma - e a resposta é que, em cenários muito específicos, é efectivamente possível.

O que é a Aspa (allocation de solidarité aux personnes âgées)?

O site Planet.fr lembra, em particular, a allocation de solidarité aux personnes âgées (Aspa). Não se trata, tecnicamente, de uma pensão contributiva (ou seja, uma “reforma” baseada em descontos), mas sim de um apoio sujeito a condições, pago pelas caixas de reforma.

Se nunca trabalhou e não recebe qualquer rendimento, o valor máximo da Aspa em 2025 é de 1 034,28 € por mês para uma pessoa sozinha, ou 1 605,73 € por mês para um casal.

Quem pode receber a Aspa e em que condições?

Como é explicado, este apoio pode ser atribuído a pessoas que não descontaram para a reforma, desde que cumpram critérios definidos. É necessário ter pelo menos 65 anos, ou então 62 anos se a pessoa for reconhecida como inapta para o trabalho ou se tiver uma incapacidade permanente de, no mínimo, 50 %.

Além disso, é obrigatório residir de forma estável em França, o que significa viver no país pelo menos nove meses por ano. Também é preciso ter pedido todas as pensões a que se possa ter direito - sejam pessoais ou de reversão - quer venham de França, quer do estrangeiro.

Por fim, os rendimentos não podem ultrapassar um tecto. Em 2025, esse limite está fixado em 1 034,28 euros por mês para uma pessoa só (ou seja, 12 411,44 euros por ano) e em 1 605,73 euros mensais para um casal (ou seja, 19 268,80 euros por ano).

No caso de pessoas de nacionalidade estrangeira, o processo é descrito como ainda mais complexo. Para detalhes, é recomendada a consulta do site Servicepublic.fr, que explica o procedimento de forma aprofundada.

Trimestres obtidos sem emprego

Para lá do mínimo social na velhice, existe outra via: é possível validar trimestres mesmo sem ter tido um emprego “no sentido estrito”. Algumas situações consideradas "assimiladas" permitem acumular direitos para a reforma, incluindo: maternidade, educação dos filhos, doença, acidente de trabalho, invalidez, reabilitação ou formação profissional, serviço militar ou civil, bem como períodos de desemprego com ou sem subsídio. Por exemplo, a maternidade e a educação de uma criança podem dar acesso a vários trimestres.

Estes trimestres podem ajudar a atingir o número exigido para abrir direito a uma pensão. Ainda assim, sem descontos suficientes, o montante tende a manter-se reduzido. O mecanismo é particularmente relevante para quem teve percursos profissionais irregulares, atípicos ou com interrupções.

Casos particulares: AVPF, CAF e situações de deficiência

Há situações específicas - como pais/mães a tempo inteiro em casa ou cuidadores familiares - em que é possível validar trimestres sem contribuir, através da Assurance vieillesse des parents au foyer (AVPF). Este regime, financiado pela CAF, está acessível mediante condições de rendimentos e mediante o acompanhamento de crianças ou de familiares dependentes.

As pessoas em situação de deficiência também podem abrir direitos para a reforma, consoante a taxa de incapacidade, passando para a Aspa ou para a pensão de base a partir dos 62 anos.

Em síntese, um francês que nunca tenha trabalhado não receberá uma pensão contributiva, mas pode ter acesso à Aspa. Em paralelo, também é possível validar trimestres e, assim, receber parcialmente uma pensão sem exercer um emprego no sentido tradicional do termo.

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