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ONU: António Guterres saúda acordo no Iémen com os hutis para troca de quase 1700 prisioneiros

Duas pessoas abraçadas emocionadas na pista de um aeroporto, com avião da ONU ao fundo.

Acordo de troca de prisioneiros no Iémen

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou satisfação pelo entendimento alcançado entre o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente e os rebeldes hutis, que prevê a troca de quase 1700 prisioneiros.

Poucas horas antes dessa reacção, Governo iemenita e hutis tinham formalizado, na Jordânia, um acordo para a permuta de quase 1700 detidos, um total que a ONU descreveu como “sem precedentes”.

António Guterres pede libertações imediatas aos hutis

Numa declaração divulgada na quinta-feira, Guterres congratulou-se com "a maior libertação acordada desde o início do conflito" e apelou às duas partes para "avançarem rapidamente com o acordo" e a "trabalharem para novas libertações".

O dirigente português voltou também a dirigir-se aos hutis, instando-os a libertarem, de forma imediata e incondicional, todo o pessoal da ONU, bem como membros de organizações não governamentais, representantes da sociedade civil e diplomatas que tenham sido detidos de forma arbitrária.

Guterres recordou ainda que o pessoal das Nações Unidas "goza de imunidade de jurisdição em relação a declarações orais ou escritas e a todos os atos praticados no exercício das suas funções oficiais, e deve ser-lhe permitido desempenhar as suas funções de forma independente e sem entraves".

Mediação internacional e próximos passos

Numa nota assinada pelo porta-voz adjunto, Farhan Haq, o secretário-geral agradeceu a colaboração do Comité Internacional da Cruz Vermelha e deixou reconhecimento à Jordânia, Omã e Suíça por terem acolhido rondas de negociações.

Nesse mesmo contexto, exortou Governo e rebeldes a "aproveitarem o impulso positivo gerado pelo acordo de quinta-feira e a trabalharem construtivamente com o Enviado Especial para o Iémen no sentido de um processo político inclusivo que conduza a uma paz justa e duradoura".

De acordo com o que anunciou Abdelqader Murtada, responsável pela comissão de prisioneiros dos hutis, o pacto contempla a libertação de 1100 prisioneiros do lado dos rebeldes e 580 do lado governamental, entre os quais sete sauditas e 20 sudaneses.

"A implementação será realizada assim que o Comité Internacional da Cruz Vermelha conclua os trâmites correspondentes", afirmou Murtada nas redes sociais.

O responsável não acrescentou pormenores nem divulgou a identidade dos detidos abrangidos pela libertação.

Por sua vez, Yahya Mohamed Kazman, que lidera a delegação governamental nas negociações sobre detidos, raptados e desaparecidos, considerou tratar-se da "maior troca" deste género desde o início da guerra no Iémen, em 2014.

As permutas de prisioneiros têm sido usadas repetidamente como mecanismo de reforço de confiança entre as partes no conflito iemenita.

Enquadramento do conflito e impacto regional

A guerra provocou dezenas de milhares de mortos e empurrou o país árabe para uma das crises humanitárias mais graves do mundo.

Os hutis, maioritariamente xiitas, controlam uma parte importante do território do Iémen, incluindo a capital, Saná, e mantêm uma aliança com o Irão.

A posição geográfica do Iémen, no sudoeste da Península Arábica - com a Arábia Saudita a norte e Omã a leste - tem permitido aos hutis ameaçar a navegação na área do mar Vermelho.

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