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Caso Marco Rubio: Paulo Rangel critica o PS e minimiza a frase sobre as Lajes

Homem vestido formalmente a falar para jornalistas com microfones e telemóveis numa sala de escritório.

Marco Rubio falou na China e a política portuguesa sentiu o abalo. Quatro dias volvidos, o ministro dos Negócios Estrangeiros continua a regressar ao assunto com duas ideias centrais: por um lado, sustenta que as palavras do secretário de Estado norte-americano sobre Portugal “não foram ditas literalmente”; por outro, aponta ao comportamento do PS como algo que considera manifestamente inaceitável.

Paulo Rangel aceita ir ao Parlamento na quarta-feira, em “porta aberta”

Esta segunda-feira de manhã, em declarações aos jornalistas, Paulo Rangel disse que está disponível para ir ao Parlamento na quarta-feira à “porta aberta” para responder aos deputados. A disponibilidade surge depois do pedido dos socialistas para que o ministro prestasse esclarecimentos sobre as diferenças nas declarações entre Marco Rubio e Paulo Rangel.

O que Marco Rubio disse e o “valor literal” das declarações

Sobre o conteúdo das afirmações de Rubio, Rangel admite que elas permitem leituras distintas, mas, do seu ponto de vista, “a afirmação não tem valor literal”. Em causa está a ideia transmitida pelo secretário de Estado dos EUA de que, ao contrário do que sucedeu com outros países, Portugal teria autorizado a utilização das Lajes sem antes questionar para que finalidade seria. O Governo tem procurado contrariar essa interpretação e garante que a informação foi dada e que tudo foi explicado.

Base das Lajes: antes e depois do ataque ao Irão

O ministro faz ainda questão de distinguir dois momentos: o período anterior ao ataque ao Irão e o que se seguiu. "A partir do momento em que se dá o ataque,houve uma autorização formal e ela foi dada. Antes disso, a base das Lajes foi usada como todas as bases europeias em fevereiro“, garantiu Rangel, apontando a Espanha ou Itália como exemplos. ”Não teve nenhuma diferença para nenhum país até ao dia 28 de Fevereiro", insistiu.

Reacção do PS, PCP e BE e a referência a José Luís Carneiro

Rangel mostrou-se particularmente incomodado com a reação do PS e foi sobretudo esse o foco das suas declarações desta manhã. Reforçando que "não há nenhum problema com os Estados Unidos“, entende que houve quem tivesse feito ”aproveitamento político“. Se contava com esse tipo de resposta de outros partidos - nomeadamente do PCP e do BE, que propuseram comissões de inquérito -, diz não compreender que o PS tenha persistido e atribuído importância a uma declaração “que toda a gente sabe que não tem valor literal”.

As críticas foram dirigidas em especial aos socialistas, a quem apontou uma “atitude de rutura” face à “tradição” do partido. “É inaceitável. Para o PS é um passo muito grave”, insistiu Rangel, recordando que José Luís Carneiro foi “informado previamente sobre a questão da autorização das Lajes” e que “conhece este assunto melhor do que ninguém”. Procurando recentrar o debate, o ministro diz esperar que o PS acabe por clarificar a sua posição, lembrando que Carneiro afirmou "logo na primeira semana de março" que "concordava com os termos da autorização que foi dada".

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