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Desigualdade no Brasil aumenta em 2025 após mínimo em 2024, diz IBGE

Jovem de pé numa varanda com roupas casuais, olhando para um bairro com prédios e casas ao pôr do sol.

A desigualdade voltou a agravar-se no Brasil em 2025, depois de em 2024 ter atingido o valor mais baixo de toda a série histórica. A principal razão foi o facto de os rendimentos do topo terem crescido muito mais depressa do que os dos estratos mais pobres.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na sexta-feira, o coeficiente de Gini do rendimento per capita - o indicador de desigualdade mais usado a nível mundial - passou de 0,504 em 2024 para 0,511 no ano passado no Brasil.

Apesar de a desigualdade continuar abaixo dos níveis observados antes da pandemia de COVID-19, esta subida traduz uma inversão parcial dos ganhos registados nos últimos anos e confirma que se trata de um problema histórico ainda muito sério no gigante latino-americano.

10% com 40,3% dos rendimentos familiares

O IBGE explica esta reversão pelo desfasamento entre a evolução dos rendimentos: em termos reais, o rendimento dos 10% mais pobres aumentou 3,1% face a 2024, ao passo que o dos 10% mais ricos subiu 8,7%, quase três vezes mais.

Em 2025, os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a massa de rendimentos familiares do país, uma fatia superior àquela que, em conjunto, foi acumulada pelos 70% dos brasileiros com rendimentos mais baixos.

Já a diferença entre extremos também aumentou: em média, o rendimento dos 10% mais ricos correspondia a 13,8 vezes o dos 40% mais pobres, quando em 2024 essa relação era de 13,2 vezes.

78,7% vs 11,9%

Mesmo com a deterioração registada no último ano, a leitura de longo prazo aponta para uma melhoria relativa a favor dos grupos de rendimentos mais baixos. Desde 2019, o rendimento dos 10% mais pobres somou um crescimento real de 78,7%, enquanto entre os mais ricos o aumento acumulado foi de 11,9%.

O Governo atribui este avanço estrutural ao reforço do mercado de trabalho, às actualizações do salário mínimo e ao alargamento dos programas sociais nos últimos anos.

O estudo mostrou ainda que a desigualdade aumentou apesar de o rendimento médio dos brasileiros ter batido um recorde no ano passado.

€580 de rendimento médio

Em termos reais, o rendimento médio mensal dos brasileiros no ano passado alcançou 3.367 reais (cerca de 580 euros), o que representa uma subida de 5,4% em comparação com o ano anterior e o valor mais elevado desde o início da série, em 2012.

Também o rendimento per capita dos agregados familiares atingiu um máximo histórico, fixando-se em 2.264 reais mensais (cerca de 390 euros). Além disso, 67,2% dos 212,7 milhões de habitantes do país afirmaram ter algum tipo de rendimento, a percentagem mais alta alguma vez registada.

O organismo advertiu que, apesar dos progressos acumulados desde a pandemia, o Brasil continua a apresentar níveis de desigualdade "bastante acentuados".

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