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MV Hondius e hantavírus; PSP no Rato: os temas do dia

Homem a reservar cruzeiro no portátil, segurando passaporte e bilhete, com máscara e formulário numa mesa.

Boa tarde,

MV Hondius: de viagem de sonho a regresso sob incerteza

No Atlântico Sul, aquilo que se anunciava como uma aventura inesquecível acabou por descambar em dúvida e receio. Já no Atlântico Norte - e agora confirmado que segue rumo a Roterdão, nos Países Baixos - a história do cruzeiro MV Hondius, pensado como uma travessia rara entre ilhas afastadas e cenários preservados, tenderá a fragmentar-se pelos países para onde regressam os seus ocupantes, sobretudo nos casos em que os testes deram positivo.

Testes positivos e avaliação do risco de hantavírus

Ficou hoje conhecido que duas pessoas retiradas no domingo e repatriadas para França e Estados Unidos testaram positivo para infeção por hantavírus. A Organização Mundial de Saúde realça que não existe um risco global e que não estamos perante uma “nova covid”, mas falta esclarecer se o caso fica limitado a um surto isolado ou se, já em terra, poderão surgir novos alertas - um desfecho que dependerá menos da rota do navio e mais da vigilância sanitária nos países de destino.

A fase mais aguda da crise parece estar a ceder lugar a uma gestão concertada do desfecho, depois de Espanha ter autorizado a atracagem nas Canárias e dado início à triagem e ao repatriamento dos passageiros, numa decisão que a ministra da Saúde espanhola descreveu como “um êxito do multilateralismo e do conceito de saúde global” - um sinal, acrescentou, de que perante um risco sanitário partilhado, a resposta europeia e internacional continua a funcionar. Há, de forma evidente, um plano político nesta crise que, no caso espanhol, replica disputas internas de Governo vs. oposição.

O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, tentou por todos os meios travar o desembarque, chegando a recorrer à inteligência artificial e a falar em “ratos nadadores”. No total, são 22 pessoas, de várias nacionalidades, que seguem agora num único voo para os Países Baixos, país do armador do navio. Apenas os 32 tripulantes permanecem a bordo para levar o MV Hondius de regresso a casa.

Portugal: prisões preventivas no caso PSP do Rato e do Bairro Alto

Entretanto, em Portugal, o dia fica marcado por um tema de natureza bem diferente: os alegados atos de tortura numa esquadra da PSP no Rato. Na terceira vaga da operação judicial, sabe-se que quatro agentes da PSP ficam em prisão preventiva, com possibilidade de transitar para domiciliária, por suspeitas de tortura e abuso de poder sobre civis nas esquadras do Rato e do Bairro Alto entre 2024 e 2025. Outros dois foram suspensos e oito ficaram em liberdade.

Trata-se de um desfecho ainda muito provisório que, para já, segundo o jornalista Hugo Franco (que, com o Rui Gustavo, acompanha o caso desde o início), deve frustrar o Ministério Público. Entre os objetivos do MP estava o pedido de prisão preventiva para os referidos quatro agentes, a prisão domiciliária para três arguidos e a suspensão de funções para os restantes. O processo envolve 15 polícias e abrange 19 crimes, incluindo agressões e falsificação de documentos.

Regressamos amanhã. Boas leituras!

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