Saída de Pep Guardiola do Manchester City após 10 épocas e 20 títulos
O Manchester City anunciou esta sexta-feira que o treinador espanhol Pep Guardiola vai abandonar o comando técnico no final da época, encerrando uma ligação de 10 épocas marcada pela conquista de 20 títulos.
Em comunicado, o clube inglês oficializou a decisão: "Pep Guardiola deixa de ser treinador do Manchester City este verão. O catalão, que chegou ao City em julho de 2016, teve um efeito transformador nos 10 anos sob a sua liderança e sairá com 20 títulos importantes, que o tornaram o treinador de maior sucesso na nossa história", destacou o emblema.
Continuidade no City Football Group como embaixador global
Na mesma nota publicada no site oficial, o Manchester City esclareceu ainda que Guardiola, de 55 anos, vai manter-se ligado ao City Football Group, desempenhando funções de embaixador global e prestando consultadoria aos clubes que integram a estrutura.
As declarações de Guardiola e a ligação à cidade de Manchester
Em declarações à assessoria do clube, o técnico recordou a chegada em 2016, depois de ter passado pelo Bayern Munique, e confessou ter ficado surpreendido, logo de início, com uma entrevista invulgar.
"Quando cheguei, a minha primeira entrevista foi com o Noel Gallagher [músico e fundador da banda Oasis e adepto com forte ligação ao clube]. Fiquei a pensar: "Ok, o Noel está aqui? Isto vai ser divertido".
Guardiola afirmou também que não consegue apontar uma explicação concreta para sair agora dos "citizens", apesar de ainda lhe faltar mais um ano de contrato.
"Não há motivo, mas, lá no fundo, sei que chegou a hora. Nada é eterno, se fosse, estaria aqui. Eterno vai ser o sentimento, as pessoas, as memórias, o amor que tenho pelo Manchester City", justificou.
O catalão deixou igualmente palavras para a cidade, sublinhando a sua identidade assente no trabalho e no esforço.
"Vê-se isso na cor dos tijolos. Em pessoas que chegam cedo e saem tarde. Nas fábricas. Nos Pankhurst [família de Manchester, da qual Emmeline foi uma das fundadoras e lutadora pelo direito ao voto das mulheres]. Nos sindicatos. Na música. Na revolução industrial e como mudou o mundo. Cresci para entender isso e as minhas equipas também", referiu.
Sempre muito interventivo em matérias de direitos humanos e nunca alheado da política, o treinador evocou a forma como esse espírito de trabalho árduo se traduz de múltiplas maneiras numa cidade que considera especial.
"Lembram-se do ataque na Manchester Arena [atentado suicida bombista em 2017, com 22 mortos e 1.017 feridos]? E em como esta cidade mostrou ao mundo o que é a verdadeira força. Não raiva, não medo, apenas amor. Comunidade, união. Uma cidade unida", lembrou.
Guardiola contou ainda que perdeu a mãe durante a pandemia de covid-19, salientando o apoio que sentiu por parte do clube, dos adeptos, da equipa e das pessoas de Manchester.
"Deram-me força quando mais precisei. A Cris [Cristina Serra, a sua mulher], os meus filhos, estiveram lá, como sempre...", acrescentou.
Na parte final das suas palavras, agradeceu aos jogadores dos "citizens", considerando-os excecionais, e disse-lhes que, mesmo sem terem plena noção, deixaram um legado; reforçou a gratidão pela confiança que depositaram nele e desejou-lhes felicidade.
"Tony Walsh, poeta de Manchester, disse no seu poema inesquecível "este é o lugar". Desculpa Tony, este é o meu lugar", concluiu o treinador.
Palmarés e marcas deixadas por Guardiola
Depois de uma carreira de grande nível como jogador, Guardiola elevou a exigência e a fasquia enquanto treinador.
Após um percurso de enorme sucesso no FC Barcelona e também no Bayern Munique, o espanhol despede-se de Manchester com seis campeonatos ingleses, três Taças de Inglaterra, três Supertaças, cinco Taças da Liga, a primeira e única Liga dos Campeões do emblema, uma Supertaça Europeia e um Mundial de clubes.
Entre os seis títulos de campeão inglês, sobressaem os quatro conquistados de forma consecutiva entre 2021 e 2024, feitos que tornaram o City a primeira equipa da história a alcançar o tetracampeonato em Inglaterra.
Saída coincide com a de Bernardo Silva
A decisão de Guardiola surge no mesmo período em que o internacional português Bernardo Silva, capitão dos "citizens", também se prepara para deixar o clube ao fim de nove épocas, jogador que, ao longo do tempo, mereceu sempre do treinador os maiores elogios possíveis.
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