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Quatro em cada dez mulheres norte-americanas querem emigrar em 2025, diz a Gallup

Mulher a preparar viagem, segurando passaporte, com mala, computador com mapa da Europa e jornal numa mesa.

Quatro em cada dez mulheres norte-americanas entre os 15 e os 44 anos disseram que gostariam de emigrar, caso surja essa possibilidade, segundo uma sondagem da Gallup realizada em 2025. Este número é quatro vezes mais elevado do que em 2014 - o valor mais baixo das últimas duas décadas -, ano em que apenas uma em cada dez mulheres afirmava ter intenção de sair do país.

Diferenças por género e idade: mulheres norte-americanas lideram na intenção de emigrar

Entre os homens norte-americanos da mesma faixa etária, só 19% indicam querer emigrar, ou seja, menos de metade da percentagem registada entre as mulheres. A distância entre géneros é de 21%, a maior alguma vez observada - tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo - desde que a Gallup começou a reunir dados sobre este tema, em 2007.

A discrepância torna-se ainda mais evidente quando a comparação é feita com mulheres de faixas etárias mais elevadas, cujo desejo de emigrar se tem mantido relativamente estável, situando-se em 14% em 2025.

Peso crescente da política nas razões para deixar os Estados Unidos

As diferenças nas intenções de emigrar não se ficam por género e idade: as questões políticas passaram a ter maior relevância entre os motivos apontados para abandonar o país. A proporção de jovens mulheres que referia a política como razão para querer sair mais do que duplicou entre 2014 e 2016, subindo de 10% para 21% - ano da primeira eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos.

Em 2016, a percentagem de pessoas que pretendia emigrar e, ao mesmo tempo, manifestava uma avaliação positiva da liderança política do país era de 18%, acima dos 14% registados entre quem não aprovava o governo norte-americano.

Em 2025, a tendência inverteu-se: 29% das pessoas que diziam querer deixar o país de forma permanente declaravam discordar da liderança política, enquanto apenas 4% - também querendo sair - afirmavam aprovar essa liderança. Uma diferença de 25 pontos percentuais.

Ao combinar género, idade e orientação política, o estudo mostra que as jovens mulheres com inclinação para o Partido Democrata constituem o grupo com maior vontade de emigrar: quase 60% das inquiridas. Entre os homens entre os 18 e os 44 anos, o valor baixa para 39%.

Ao longo da última década, a intenção das jovens mulheres de abandonarem os Estados Unidos aumentou em paralelo com uma maior desconfiança nas instituições do país, incluindo governo, sistema judicial e forças armadas.

O estudo identifica ainda a decisão do Supremo Tribunal, em 2022, no processo Dobbs contra Jackson Organização de Saúde da Mulher - que eliminou o direito federal ao aborto - como um episódio que terá contribuído para o aumento da descrença nas instituições de poder, sobretudo entre as jovens mulheres.

Preferência pela Europa aumenta cada vez mais

Quanto aos destinos preferidos, a Europa tem-se tornado progressivamente mais atractiva. Em Fevereiro deste ano, o Wall Street Journal noticiava que o número de imigrantes norte-americanos está a crescer nos 27 Estados-membros da União Europeia.

No caso de Portugal, o número de cidadãos norte-americanos aumentou mais de cinco vezes desde a pandemia de covid-19, de acordo com o estudo citado pelo Wall Street Journal. Apesar de os salários na Europa serem mais baixos, os norte-americanos procuram sobretudo “mais qualidade de vida” no continente europeu.

Texto escrito por Maria Beatriz Batalha e editado por Mafalda Ganhão

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