Saltar para o conteúdo

Putin é recebido por Xi Jinping em Pequim após visita de Donald Trump

Líderes da Rússia e China apertam as mãos numa mesa com documentos, com bandeiras de ambos os países ao fundo.

Putin e Xi Jinping em Pequim, dias após a visita de Donald Trump

Menos de uma semana depois de Donald Trump ter estado em Pequim, o Presidente russo, Vladimir Putin, foi esta quarta‑feira recebido por Xi Jinping, numa reunião com forte carga simbólica e acompanhada com atenção por causa do posicionamento estratégico da China entre Washington e Moscovo.

A chegada foi marcada por um cenário de grande solenidade na Praça Tiananmen: honras militares, protocolo rigoroso e crianças a acenar bandeiras chinesas e russas. Só depois os dois chefes de Estado seguiram para o Grande Salão do Povo, precisamente o mesmo espaço onde Xi tinha acolhido o Presidente norte‑americano dias antes.

Apesar de o enquadramento visual parecer semelhante, cada detalhe está a ser escrutinado, a ponto de motivar um comentário do porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à televisão estatal russa, cita a Reuters. “Nem sempre é fácil comparar o conteúdo, uma vez que nem tudo é visível à superfície. No entanto, o principal valor reside no conteúdo, e não nos aspetos cerimoniais”, analisou Peskov.

No início do encontro, Putin afirmou que as relações entre Rússia e China chegaram a um patamar “sem precedentes”, defendendo que a cooperação bilateral contribui para a estabilidade global. Aproveitou ainda para convidar Xi a deslocar‑se a Moscovo no próximo ano. O líder russo salientou também que é um “fornecedor de energia de confiança”, num momento em que a guerra no Médio Oriente está a pressionar os mercados. Mais tarde, segundo a Reuters, descreveu as conversações como “substanciais” e apontou a parceria com a China como um exemplo, com o objetivo de melhorar as condições de vida dos dois povos.

Médio Oriente no centro das conversações

Xi Jinping colocou igualmente a crise internacional no topo da agenda, defendendo que é urgente impedir uma escalada no Médio Oriente. De acordo com a imprensa estatal chinesa, o Presidente considerou que um cessar‑fogo abrangente é “imperativo”, alertando que a continuação da guerra aumenta os riscos para a estabilidade económica e para o comércio internacional.

Acordos assinados

A cimeira começou com um encontro mais restrito, reservado a temas considerados mais sensíveis, e prosseguiu com uma sessão alargada, com a participação das duas delegações. Estão também previstos contactos entre os responsáveis pela diplomacia de ambos os países, Wang Yi e Sergei Lavrov.

Seguiu‑se uma cerimónia em que foram assinados 40 acordos entre as partes, embora apenas 20 tenham sido formalmente selados por Putin e Xi. O primeiro documento é uma declaração comum sobre coordenação estratégica; outro, segundo o Kremlin, incide sobre energia e é considerado de grande relevância. Entre os dossiês que podiam constar da agenda esteve o gasoduto Força da Sibéria‑2 (com 6700 quilómetros de extensão, entre a Sibéria Ocidental e a China, passando pela Mongólia), que permitiria redirecionar gás do Ártico russo para o mercado chinês, em vez da Europa.

A visita de Putin acontece num momento particularmente delicado, não só devido ao conflito no Médio Oriente, mas também por causa da pressão económica sobre a Rússia, cuja economia continua a sentir o impacto das sanções internacionais associadas à guerra na Ucrânia. O Kremlin procura consolidar relações comerciais e de investimento com Pequim, ao mesmo tempo que a China tenta equilibrar a sua ligação a Moscovo e a Washington.

A deslocação a Pequim coincide ainda com o 25.º aniversário do Tratado de Amizade sino‑russo, assinado em 2001, e é apresentada como um sinal de aprofundamento da cooperação estratégica entre os dois países.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário