O presidente da Startup Portugal, Alexandre Santos, defende em declarações à Lusa que a reforma laboral não tem impacto relevante no ecossistema das startups e deixa de fora questões que considera determinantes, como tornar mais rápida a contratação de profissionais estrangeiros.
O responsável falava à Lusa no último dia da SIM Conference, organizada pela Startup Portugal, que decorre na Alfândega do Porto.
Reforma laboral e startups
Questionado sobre a reforma laboral, Alexandre Santos é taxativo: "Eu acho que é um bocado irrelevante e, sinceramente", afirma.
Segundo explica, a maioria das startups recruta profissionais com remunerações, em média, acima do valor médio nacional. "A grande maioria das empresas contrata talento que ganha em média mais do que aquilo que, infelizmente, é a média em Portugal", acrescenta.
Ainda assim, realça que o problema central não é tanto a contratação, mas a permanência. Aliás, a grande dificuldade é "reter esse talento ao longo do tempo, porque é talento muito valioso", sublinha.
Daí que, na sua leitura, as matérias em debate na reforma não respondam às necessidades do setor: "acho que tudo o que está a ser discutido com esta reforma laboral não nos faz muito sentido" porque "não toca matérias que poderiam ser importantes para nós".
Contratação de estrangeiros e lei da nacionalidade
Entre os temas que considera prioritários para as tecnológicas, aponta a imigração qualificada: "Como é que podemos garantir a contratação de pessoas estrangeiras de uma forma mais agilizada, em que o visto que precisam para estar cá é mais facilitado, é mais rápido".
Também critica os efeitos da recente discussão em torno da nacionalidade, por entender que cria perceções negativas: a lei da nacionalidade "não ajudou muito, porque isso causa sempre ruído e uma perceção que acho que é errada de que Portugal deixou de ser tão recetivo a ter pessoas de várias nacionalidades a trabalhar cá e a viver cá".
Na sua perspetiva, o país deve aproveitar quem decide mudar-se para Portugal. "Temos que tirar partido dessas pessoas que decidem mudar-se para cá. Por exemplo, nos últimos anos tivemos um forte contingente de americanos a procurar o 'vistos gold'" e "muitos deles vêm ativamente falar com a Startup Portugal para perguntar" de que forma podem contribuir para o país, relata.
O que falta para atrair mais startups para Portugal
Sobre o que é necessário fazer para atrair mais startups para Portugal, Alexandre Santos enumera várias frentes, começando por reforçar competências e cultura empreendedora: é preciso "um trabalho ainda imenso de educar e capacitar as pessoas que estão eventualmente a pensar ser fundadores", tanto no ensino escolar como no universitário.
No meio académico e científico, identifica outro eixo: "Depois, dentro das universidades e dos centros de investigação ainda há também um grande trabalho de tirar partido da propriedade intelectual que é lá gerada e dar-lhes a possibilidade de pôr esse conhecimento no mercado". Reconhece que é um desafio, embora assinale que já se observam progressos.
Programas da SIM: Tech Foundry e aceleração de tecnologia profunda
O presidente da Startup Portugal destaca ainda um anúncio feito durante a SIM, centrado na segunda fase de um programa orientado para projetos já em fase de mercado e de tecnologia profunda: "Anunciámos aqui na SIM também um outro programa que é muito importante, que é a segunda fase do processo de como é que podemos acelerar projetos que já decidiram estar no mercado e que são 'tecnologia profunda'. Como é que lhes podemos dar acesso aos mercados certos e ao mundo certo", prossegue.
Nesse contexto, enquadra a Tech Foundry: a Tech Foundry "que foi anunciada aqui na SIM é nesse sentido, é trabalhar com um acelerador a nível mundial que nos vai ajudar a ligar a 30 países e a clientes, a potenciais clientes", refere.
Por fim, acrescenta que a Startup Portugal continua a trabalhar em soluções para "dar mais condições para haver mais gente a apostar em potenciais fundadores".
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