Há muito que a indústria automóvel tenta resolver o mesmo quebra-cabeças: como lançar automóveis elétricos baratos que, ao mesmo tempo, deixem margem de lucro.
Dos 25 mil euros à nova fasquia dos 20 mil euros
Com o objetivo dos elétricos a rondar os 25 mil euros - e até um pouco abaixo - cada vez mais perto, abre-se espaço para um novo patamar. Isso já se nota com o novo Citroën ë-C3 (chega em 2024) e com os anunciados Renault 5 (chega em 2024) e Volkswagen ID. 2All (chega em 2025). A próxima ambição é clara: colocar na estrada elétricos por 20 mil euros ou menos.
Rentabilidade: a parte mais difícil
Chegar a esse preço não promete ser simples. No início do ano, a Volkswagen tinha divulgado a intenção de lançar um automóvel elétrico por menos de 20 mil euros (2026-2027). No entanto, mais tarde, o diretor executivo do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que fabricar um elétrico abaixo dos 25 mil euros de forma rentável seria dificilmente viável.
Ainda assim, como se diz, «nunca diga nunca». Muito recentemente, a Renault apanhou o mercado de surpresa ao anunciar um novo Twingo 100% elétrico para 2026, com preços prometidos abaixo dos 20 mil euros e com capacidade de assegurar retorno para o construtor francês.
«Aliança Renault-Volkswagen»?
O anúncio da Renault poderá ter servido de “gatilho” para a informação avançada pelo jornal alemão Handelsblatt: segundo o diário, a Volkswagen estará a dialogar com a marca francesa com vista ao desenvolvimento e à produção de um automóvel elétrico por 20 mil euros ou menos.
Até ao momento, nenhuma das duas marcas confirmou ou comentou esta potencial parceria. Ainda assim, um porta-voz da Renault disse à Reuters que, para serem competitivos no mercado dos veículos elétricos de pequena dimensão, a cooperação com outros construtores é necessária.
A pandemia e a crise logística que se seguiu, bem como a subida dos custos de energia e de matérias-primas, acabaram por empurrar para a frente o calendário destes elétricos mais acessíveis.
Pressão chinesa e o fosso de preços
Além disso, a chegada de construtores chineses ao mercado europeu - que já oferecem elétricos muito baratos no mercado doméstico - está a aumentar a pressão sobre os fabricantes europeus para atingirem o mesmo nível de competitividade.
Dados da JATO Dynamics indicam que, nos primeiros seis meses de 2023, na Europa, o preço médio de transação de automóveis elétricos novos foi de cerca de 65 mil euros, ao passo que na China foi de 31 mil euros.
Esta diferença muito acentuada explica-se, em parte, pela própria composição do mercado chinês de elétricos, onde os pequenos citadinos têm um peso relevante - algo que não se verifica na Europa -, e também pela “guerra” de preços observada desde o início do ano, que retirou milhares de euros aos valores pedidos por vários modelos.
Fonte: Handelsblatt
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