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PP vence as eleições regionais na Andaluzia; PSOE tem pior resultado e Vox é terceiro

Mulher segurando bandeira de Espanha em evento ao ar livre com pessoas e painel com gráfico ao fundo.

O Partido Popular (PP, direita) conquistou, este domingo, as eleições regionais na Andaluzia, numa noite especialmente negativa para o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, que lidera o Governo central), que alcançou ali o seu pior desempenho de sempre.

PP na Andaluzia: vitória sem maioria absoluta

Apesar do triunfo, o PP não assegura maioria absoluta no parlamento autonómico. Com 41,6% dos votos, obtém 53 deputados - menos cinco do que tinha desde 2022 e menos dois do que seriam necessários para governar sozinho, sem negociações. Já o PSOE, com 22,7% dos sufrágios, fica com 28 lugares, menos dois do que há quatro anos.

A lista do PP voltou a ser liderada, pela terceira vez, por Juan Manuel Moreno Bonilla (conhecido como Juanma Moreno), presidente do governo autonómico desde janeiro de 2019. No primeiro mandato, precisou de se coligar com o partido liberal Cidadãos (hoje praticamente extinto) e de contar com o apoio do Vox (extrema-direita) para garantir a investidura. Em 2022, ao alcançar maioria absoluta, deixou para trás essas dependências - que podem, agora, voltar a pesar.

Sánchez apostou forte e perdeu

Do lado socialista, a candidatura derrotada teve como cabeça de lista María Jesús Montero, ministra das Finanças de Pedro Sánchez entre 2018 e este ano. Foi também vice-primeira-ministra e mantém-se como a “número dois” da direção nacional do PSOE.

O Vox foi o terceiro partido mais votado, somando 13,8% e 15 assentos, mais um do que há quatro anos. No hemiciclo terão ainda representação duas forças de esquerda.

Duas forças de esquerda no parlamento andaluz

A frente Adiante Andaluzia, surgida de uma cisão do Podemos e reforçada por pequenas forças regionais com discurso nacionalista andaluz, reuniu 9,6% dos votos e elegeu oito deputados, quadruplicando a sua bancada. Já a aliança Pela Andaluzia, impulsionada pela Esquerda Unida (dominada pelo Partido Comunista Espanhol) e que agrega o Somar (aliado do PSOE no Executivo espanhol), o Podemos e outras pequenas formações, alcança 6,3% e mantém cinco deputados.

Foram as quartas eleições autonómicas em Espanha em menos de cinco meses, depois das da Extremadura, no final de dezembro; de Aragão, em fevereiro; e de Castela e Leão, em abril. Em todas as três anteriores o PP saiu vencedor, mas sem maioria absoluta, deixando a viabilização dos respetivos governos regionais dependente da extrema-direita.

Berço da ascensão do Vox

As conversações entre os dois partidos já resultaram em entendimentos na Extremadura e em Aragão, permitindo o regresso da extrema-direita a executivos regionais em Espanha. Ainda assim, o Vox nunca integrou o Governo central.

Juanma Moreno, de linha conservadora moderada, foi um dos “barões” do PP que se insurgiram contra os acordos com a extrema-direita na Extremadura e em Aragão, por incluírem, entre outros pontos, o princípio de "prioridade nacional" no acesso a serviços e apoios públicos, em sintonia com a retórica anti-imigração do Vox. Resta ver de que forma conseguirá viabilizar a governação nesta nova legislatura.

A Andaluzia ocupa um lugar marcante na política recente de Espanha: foi nesta região que o partido de extrema-direita entrou, pela primeira vez, num parlamento, após as eleições de 2018. Com 8,7 milhões de habitantes, faz fronteira com Portugal (com o Algarve e o Alentejo) e é a comunidade autónoma mais populosa do país.

Notícia atualizada às 22h25

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