Depois de um sobrevoo lunar histórico que levou quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer ser humano alguma vez esteve, a tripulação da Artemis II enviou para casa fotografias deslumbrantes do lado oculto da Lua.
As imagens mostram a Terra a espreitar por cima do bordo do disco lunar - primeiro a pôr-se e, mais tarde, a nascer novamente -, um raro eclipse solar observado no espaço quando a Lua se interpôs entre a nave Orion Integrity e o Sol, e ainda registos de alta resolução da geologia do lado oculto, densamente marcado por crateras que, em comparação, são muito menos comuns no lado visível.
O sobrevoo histórico e o “apagão” de comunicações
O sobrevoo, com cerca de sete horas de duração, aconteceu na segunda-feira, 6 de abril de 2026, e incluiu um “apagão” de comunicações de 40 minutos, período em que o sinal ficou bloqueado pela própria Lua.
Foi precisamente enquanto a Integrity passava por detrás do satélite natural que os quatro tripulantes - o comandante da missão Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen - fotografaram o lado oculto.
Nessa fase, a nave fez também a maior aproximação à Lua: apenas 6 545 quilómetros (4 067 milhas) acima da superfície, antes de atingir a distância máxima à Terra de 406 771 quilómetros.
Eclipse solar em pleno espaço e impactos de meteoroides
Pouco depois de a Integrity voltar a surgir e de as comunicações com a Terra serem retomadas, a nave observou um eclipse solar total durante quase uma hora, à medida que o Sol desaparecia por detrás da Lua. Um eclipse solar é uma oportunidade rara para ver detalhes da coroa solar que, normalmente, ficam ocultos pelo brilho intenso do Sol.
Além disso, sem o encandeamento solar, a tripulação conseguiu detetar os ténues clarões de seis impactos de meteoroides na superfície lunar.
Por que razão o lado oculto é tão diferente do lado visível
O lado oculto da Lua desperta um interesse particular por ser muito distinto do lado visível. A face voltada para a Terra está parcialmente coberta por extensas planícies escuras, planas, de basalto vulcânico, que extravasou do interior há milhões de anos. Já o lado oculto, pelo contrário, apresenta muito pouca renovação de superfície por basalto e está profundamente marcado por crateras.
A causa desta diferença continua a ser um enigma que ainda não foi resolvido. Observações recorrendo a tecnologia de ponta poderão ajudar a encontrar pistas.
Segundo a NASA, os cientistas na Terra já estão a analisar as imagens transmitidas.
"Durante o sobrevoo lunar, a tripulação documentou crateras de impacto, antigos fluxos de lava e fraturas na superfície que ajudarão os cientistas a estudar a evolução geológica da Lua", escreveu a NASA numa atualização de 7 de abril.
"Acompanharam diferenças de cor, brilho e textura ao longo do terreno, observaram um pôr da Terra e um nascer da Terra, e captaram vistas, durante o eclipse solar, da coroa do Sol."
Regresso da Orion Integrity e próximos passos do programa Artemis II
A nave Orion encontra-se agora na perna de regresso desta viagem épica, com amaragem prevista para as 00:07 UTC de sábado, 11 de abril de 2026, se as condições o permitirem. Esta será, possivelmente, a etapa mais perigosa da missão, uma vez que a cápsula terá de enfrentar uma reentrada atmosférica a alta velocidade e terminar com a amaragem no oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego.
A informação recolhida ao longo da missão deverá orientar as próximas fases do programa Artemis. As observações da Lua ajudam a compreender melhor o próprio alvo, enquanto a viagem de quase 10 dias permite afinar a nave e o desenho da missão para futuras tripulações.
A etapa seguinte do programa, a Artemis III, está atualmente apontada para 2027. Terá lugar mais perto da Terra, com o lançamento de tripulação na nave Orion através do foguetão Space Launch System (SLS) até à órbita baixa da Terra, para testar procedimentos de encontro orbital e acoplagem com naves comerciais destinadas a futuras operações de alunagem.
A quarta etapa, a Artemis IV, está neste momento prevista para o início de 2028. A NASA afirma que a missão terá como objetivo uma aterragem tripulada perto do polo sul lunar, onde os astronautas realizariam observações científicas e recolheriam amostras.
Ainda assim, mesmo sem estas fases seguintes, a ciência obtida pela tripulação da Artemis II é um autêntico tesouro.
"Os nossos quatro astronautas da Artemis II - Reid, Victor, Christina e Jeremy - levaram a humanidade numa viagem incrível em redor da Lua e trouxeram de volta imagens tão requintadas e tão ricas em ciência que irão inspirar as gerações vindouras", afirmou Nicky Fox, administradora associada da Direção de Ciência da NASA.
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