Estados Unidos alargam sanções e incluem a agência de serviços secretos de Cuba
Os Estados Unidos colocaram a principal agência de serviços secretos de Cuba na sua lista de entidades e pessoas sujeitas a sanções, bem como cerca de uma dúzia de altos responsáveis cubanos, informou esta terça-feira o Departamento do Tesouro norte-americano.
Num comunicado do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), o Departamento do Tesouro indicou que o presidente da Assembleia Nacional e do Conselho de Estado de Cuba, Estabán Lazo, e ainda três ministros - da Justiça, da Energia e das Comunicações - passam igualmente a constar da lista.
Entre as novas entradas encontram-se também quatro generais cubanos, incluindo o chefe da espionagem militar, José Miguel Gómez del Vallín, que é igualmente deputado.
O que implica integrar a lista do OFAC
A inclusão na lista do OFAC impede qualquer pessoa ou empresa dos EUA, bem como qualquer empresa com uma subsidiária nos Estados Unidos, de negociar ou manter relações comerciais com os indivíduos ou entidades sancionados.
A restrição estende-se ainda a empresas ou cidadãos estrangeiros quando as transações são efetuadas em dólares norte-americanos.
Implica ainda o congelamento de todos os ativos detidos direta ou indiretamente nos Estados Unidos.
Miguel Díaz-Canel desvaloriza o impacto e acusa Washington
O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, minimizou o impacto das novas sanções impostas a onze altos cargos políticos e militares cubanos, que alarga as punições à congelação de ativos em território norte-americano.
“Na direção do nosso partido, Estado, Governo e das suas instituições militares, ninguém tem ativos ou propriedades a proteger sob jurisdição dos Estados Unidos. O Governo norte-americano sabe-o perfeitamente, tanto que nem sequer há provas a apresentar”, escreveu na segunda-feira o Presidente nas redes sociais.
Díaz-Canel inseriu a decisão no quadro da campanha de pressão de Washington sobre Cuba para avançar com reformas políticas e económicas, que, segundo referiu, já contemplou medidas como o bloqueio petrolífero e a ordem executiva de 1 de maio, que ampliava as sanções.
O chefe de Estado classificou como "imoral, ilegal e criminoso" atuar desta forma.
“O castigo coletivo a que estão a submeter o povo cubano é um ato de genocídio que deve ser condenado por organismos internacionais e levar à responsabilização penal dos seus promotores”, afirmou.
Na sua leitura, "a retórica anti-cubana do ódio" procura "justificar a escalada" de uma “guerra económica total” contra a ilha.
“Por isso continuaremos a denunciar, da forma mais firme e enérgica, o cerco genocida que procura estrangular o nosso povo”, acrescentou.
Pressão de Washington, embargo petrolífero e ameaças
Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, que Washington pressiona Cuba para abrir significativamente a economia e reformar o sistema político, aplicando novas sanções e multiplicando ameaças de intervenção militar.
Entre as medidas impostas pelos EUA a Cuba, sobressai o embargo petrolífero, que praticamente travou a chegada de crude importado à ilha, a par da mais recente ronda de sanções, com medidas secundárias de natureza extraterritorial.
Em 2 de maio, o Presidente norte-americano, Donald Trump afirmou, durante um comício na Flórida, que iria assumir o controlo de Cuba "quase imediatamente", acrescentando que tal acontecerá assim que a guerra contra o Irão terminar.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou em meados de abril que o seu país estava preparado para enfrentar a agressão militar dos EUA.
A defesa civil da ilha divulgou recentemente um "guia familiar" com o objetivo de "proteção contra a agressão militar", de acordo com vários sítios eletrónicos oficiais provinciais.
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