Há um detalhe que pode decidir tudo: se vive numa zona com ruas estreitas, lugares apertados ou detesta fazer várias manobras para estacionar, este SUV pode não ser a melhor escolha. Se isso não for um problema, então vale mesmo a pena continuar.
O Tesla Model Y Juniper (2025) chega com a pressão de não ser “só mais um” facelift. Afinal, estamos a falar da atualização do carro mais vendido do mundo durante dois anos seguidos - e isso levanta a fasquia para tudo: construção, conforto e experiência em estrada.
As primeiras unidades já começaram a chegar ao nosso país e nós tivemos oportunidade de testar a versão Launch Series - a mais equipada e mais cara de todas. Preço? 60 990 euros.
Um teste mais curto do que é normal, porque a Tesla restringiu o tempo de empréstimo mais do que é habitual, mas que permitiu concluir o essencial: está melhor construído, tem melhores materiais, mas há um defeito que permanece. Nas próximas linhas explico tudo, mas o essencial pode encontrar neste vídeo:
Qualidade melhorada
A reputação de acabamentos inconsistentes na Tesla tem sido difícil de sacudir, mas, olhando para os modelos mais recentes, isso já não reflete bem a realidade atual. Foi assim com a atualização do Model 3 (Highland) e repete-se agora no Model Y (Juniper). A qualidade geral neste modelo é alta.
Os materiais estão mais cuidados e percebe-se que o processo de fabrico está mais sólido do que nunca. Ainda assim, no controlo final continuam a existir falhas que passam. A unidade do Tesla Model Y que nós conduzimos, apesar dos pouquíssimos quilómetros, já tinha costuras rasgadas.
Nestas situações, valerá o serviço de assistência Tesla, cuja fiabilidade e capacidade de resposta têm sido muito elogiadas. Tal como tem sido elogiado o sistema de infoentretenimento.
Um campo onde a distância para a concorrência tem vindo a encurtar ano após ano, com as marcas tradicionais a aproveitarem o know-how de gigantes como a Google e a OpenAI. Veja-se o exemplo da Renault e Volvo (que recorrem a sistemas operativos com base Android) ou do Grupo Volkswagen e Mercedes, que têm ChatGPT nos seus modelos mais recentes.
No capítulo do espaço, como referi no vídeo, o Tesla Model Y continua a dar cartas. A bagageira é gigante e o espaço disponível para os ocupantes também. Com uma novidade importante: os bancos recolhem eletronicamente.
Uma experiência melhor em estrada
A eficiência do motor elétrico e a capacidade das baterias - que antes estavam muito à frente da concorrência e hoje já não tanto - levaram muitos consumidores a aceitar um compromisso: podia não ser o carro mais confortável, mas era a opção “certa” no global.
O problema é que hoje existem cada vez mais alternativas ao Tesla Model Y e a marca liderada por Elon Musk sabe disso - pela primeira vez em muitos anos as vendas totais caíram em todo o mundo, excepto na China.
Foi por isso que neste Model Y Juniper o chassis foi ligeiramente revisto e as suspensões também. A melhoria foi evidente, mas continua atrás de muita concorrência. Os bancos, que agora são aquecidos e ventilados, ajudam bastante a equilibrar o conforto.
Mas como referi no vídeo, há um defeito que não foi resolvido: o anacrónico raio de viragem. É «apenas» um defeito num modelo cheio de virtudes, é verdade. Mas compromete de forma significativa a vida de quem o utiliza. Numa próxima revisão, isto tem de ser solucionado.
Nos restantes aspetos, o Model Y Juniper não mudou - e, honestamente, não precisava. Poucas marcas aproveitam tão bem a capacidade das baterias, que nesta versão oferece 75 kWh de capacidade.
A potência também é mais do que suficiente: nesta versão dual motor supera os 500 cv de potência e permite acelerar dos 0-100 km/h em 4,3 segundos (graças ao Acceleration Boost de série na versão Launch Series).
Dinamicamente, o Model Y continua a ser muito competente. Impressiona nas retas e, em curva, não compromete. É seguro e muito previsível.
Preço continua a ser argumento
A versão mais barata do Model Y Juniper manteve-se nos 44 990 euros da versão anterior. Com a bateria mais pequena e tração traseira, anuncia 500 km de autonomia. Já existem alternativas com preço mais baixo, mas menos espaçosas, como o Renault Scenic E-Tech, que tem uma bateria de dimensões semelhantes e custa 40 690 euros, ou o Skoda Enyaq 60, que custa 41 456 euros.
Podia continuar a nomear concorrentes - o novo Ford Explorer por exemplo, ou o Xpeng G6 -, mas, seja qual for o rival, o preço do Model Y Juniper continua a ser competitivo.
Neste vídeo testámos a versão Launch Series, mas a que oferece melhor relação preço/equipamento é a Long Range com tração traseira: a autonomia anunciada supera os 600 km.
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