Pedido ao GAO e enquadramento do acidente
Um grupo de 47 deputados democratas da Câmara dos Representantes dos EUA pediu ao Government Accountability Office (GAO), organismo de auditoria e fiscalização do Congresso norte-americano, que realize uma revisão aprofundada às práticas operacionais e a falhas sistémicas associadas ao acidente aéreo de 29 de janeiro de 2025, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington.
A colisão envolveu o voo American Eagle 5342 e um helicóptero Sikorsky H-60 Black Hawk do Exército norte-americano, provocando 67 mortos entre passageiros e tripulantes.
A iniciativa foi liderada pelos deputados Don Beyer e Suhas Subramanyam, ambos eleitos pelo estado da Virgínia, e pretende alargar o escrutínio para lá da investigação conduzida pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB).
O que os congressistas querem avaliar na aviação do Exército
Na carta enviada ao controlador-geral interino Orice W. Brown, os deputados dizem existir uma preocupação crescente com a segurança operacional da aviação militar após o acidente, bem como na sequência de outros relatos de aproximações perigosas entre aeronaves militares e comerciais no espaço aéreo do aeroporto Reagan National (DCA).
Segundo os parlamentares, o propósito é analisar questões estruturais ligadas à cultura de segurança da aviação do Exército norte-americano, sobretudo em missões realizadas em espaços aéreos civis complexos, como os da região da capital Washington.
Os congressistas pedem que o GAO examine factores como a formação de pilotos, a qualificação operacional, a gestão da fadiga, a experiência acumulada dos aviadores militares, a cultura organizacional de segurança e os critérios usados na avaliação do risco das missões.
Integração com FAA e DoD, tecnologia e procedimentos
O documento solicita ainda uma avaliação detalhada da articulação entre o Exército norte-americano, a Administração Federal de Aviação (FAA) e o Departamento de Defesa (DoD). Entre os pontos indicados estão a comunicação entre controladores de tráfego aéreo civis e militares, a interoperabilidade de equipamentos, os procedimentos de coordenação e a gestão de incidentes.
Outro aspecto sublinhado é a utilização de tecnologias de monitorização e rastreio, incluindo sistemas ADS-B, ferramentas de consciência situacional e programas de monitorização de dados de voo semelhantes ao FOQA (Flight Operational Quality Assurance).
Os deputados também pretendem perceber de que forma o Exército norte-americano conduz treino em ambientes de tráfego aéreo congestionado, em especial em operações noturnas, voos com óculos de visão noturna e missões executadas perto de grandes aeroportos civis.
A carta refere, além disso, preocupações quanto a possíveis lacunas nos processos de reporte de incidentes, na retenção de dados operacionais e na resposta pós-acidente, bem como a necessidade de garantir que a FAA e o Congresso recebem informação completa e rigorosa para uma supervisão adequada da segurança aérea partilhada.
Embora o pedido não vise reinvestigar directamente a colisão de janeiro de 2025, os parlamentares afirmam que o acidente deve funcionar como referência central para avaliar problemas sistémicos mais amplos relacionados com a operação de aeronaves militares em espaço aéreo civil nos EUA.
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