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Morte de João Abel Manta: António José Seguro e Margarida Balseiro Lopes homenageiam o cartoonista

Homem observa quadros a preto e branco de retratos masculinos numa galeria de arte iluminada.

Reação do Presidente da República à morte de João Abel Manta

O Presidente da República, António José Seguro, manifestou este sábado pesar pela morte de João Abel Manta, a quem descreveu como “um dos artistas mais populares” em Portugal e um “historiador em movimento”, lembrando o papel do autor na resistência à ditadura enquanto cartoonista político.

“Foi com tristeza que o Presidente da República tomou conhecimento da morte de João Abel Manta (1928-2026). Com o seu desaparecimento, Portugal despede-se de um dos seus grandes artistas, um retratista que marcou a vida portuguesa nos anos imediatamente anteriores e posteriores à revolução do 25 de Abril de 1974, uma das referências mais importantes do cartoon político desde os anos 40 até à atualidade”, lê-se numa nota divulgada no sítio oficial da Presidência da República.

Ao evocar a formação em arquitetura e o trabalho noutras áreas, o chefe de Estado salientou que João Abel Manta se dedicou “mais intensamente, e desde bem cedo, à área do desenho e das artes gráficas, onde podia participar mais ativamente na luta contra o regime político da época”.

“Agraciado com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e com a Ordem da Liberdade, João Abel Manta retratou-nos a todos, incluiu-nos a todos nas suas preciosas caricaturas. Na verdade, ele foi um historiador em movimento e nada lhe escapou do que estava a mudar ou prestes a mudar-nos”, escreveu.

Segundo António José Seguro, o artista “retratou os anos finais do salazarismo e da ‘primavera marcelista’ e, com renovada alegria e um sentido de humor muito original, acompanhou os primeiros anos da revolução de Abril e foi o caricaturista mais influente e mais conhecido dessa época”.

“Os seus retratos e caricaturas ou a sua capacidade de captar pormenores e de os transformar em grandes emblemas de um momento histórico, fazem de João Abel Manta um dos artistas mais populares do nosso país até hoje”, acrescentou.

“Marca inquestionável”

Também a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, considerou este sábado que João Abel Manta deixa "uma marca inquestionável" na história e no imaginário nacionais, endereçando condolências à família e aos amigos do artista plástico.

“Morreu João Abel Manta, um talentoso artista da liberdade com vários ofícios. Deixa uma marca inquestionável na nossa história e imaginário, especialmente como cartoonista e ilustrador antes e depois do 25 de abril. Sentidas condolências à família e amigos”, escreveu a ministra numa publicação no X (antigo Twitter).

Percurso e obra de João Abel Manta

O artista plástico, arquiteto, pintor e ilustrador João Abel Manta morreu na sexta-feira, aos 98 anos.

Criador multifacetado, deixou trabalho que atravessa a arquitetura e o desenho, o azulejo, a pintura, a ilustração, a cenografia, entre outras áreas.

Distinguida em Portugal e no estrangeiro, a obra de João Abel Manta tornou-se sobretudo reconhecida pelas caricaturas de intervenção política durante a ditadura de Salazar e por imagens que ficaram associadas ao imaginário coletivo do 25 de Abril, incluindo cartazes de apoio ao Movimento das Forças Armadas e de saudação à democracia.

Nascido em 1928, numa família de pintores - Abel Manta e Clementina Carneiro de Moura -, João Abel Manta licenciou-se em Arquitetura, em 1951, e viria a dedicar-se também à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon.

No domínio da arquitetura, desenvolveu atividade relevante desde o início da década de 1950, mas foi-se afastando progressivamente dessa área para se concentrar nas artes plásticas, afirmando-se como o maior cartoonista português e como um dos melhores ilustradores portugueses das décadas de 1960 e 1970.

Desde cedo, João Abel Manta ligou o seu desenho às convicções políticas da oposição democrática.

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