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USAF confirma novos testes do míssil ERAM para os F-16 na Ucrânia

Piloto militar perto de caça F-16 e equipamento de munições numa pista de aeroporto.

Testes de integração do míssil ERAM no F-16

Num comunicado divulgado através de canais oficiais, a Força Aérea dos EUA (USAF) confirmou que voltou a realizar ensaios com o míssil ERAM, armamento destinado a equipar os caças F-16 actualmente ao serviço na Ucrânia. Estes testes, conduzidos em Março passado, tiveram como objectivo encurtar os prazos de integração da arma na aeronave.

De acordo com a informação tornada pública, as actividades foram executadas por pessoal da Base Aérea de Eglin, encarregado de validar os procedimentos de carregamento do míssil no caça e, numa fase seguinte, de confirmar o seu funcionamento correcto no momento do lançamento.

A propósito, o Tenente-Coronel Brett Tillman, comandante do 780.º Esquadrão de Testes, afirmou: “Esta foi uma demonstração perfeita da nossa capacidade de testes para atender às necessidades dos caças. A integração de todos os equipamentos de teste nos permitiu testar e entregar, com segurança e em uma velocidade incrível. Estou imensamente orgulhoso do trabalho extraordinário que esta equipe realizou em um prazo tão curto.”

O que é o ERAM e quantos mísseis a Ucrânia deverá receber

Importa sublinhar que os mísseis ERAM recentemente testados pela Força Aérea dos EUA num dos seus F-16 correspondem a uma nova arma de longo alcance e alta precisão - uma capacidade repetidamente solicitada por pilotos ucranianos para efectuar missões de ataque contra alvos dentro das fronteiras russas.

Este míssil, também conhecido pela alcunha “Adaga Enferrujada”, pretende posicionar-se como uma alternativa económica e produzida em massa para responder às exigências do campo de batalha. Integra a Família de Munições de Massa Acessíveis – Transportadas por Cabo (FAMM-L, designação usada no comunicado oficial), e prevê-se que a Ucrânia venha a receber 3.350 destes mísseis.

Calendário do programa ERAM e resultados de testes anteriores

Quanto aos prazos apertados referidos pelo Tenente-Coronel Tillman, é relevante notar que o desenvolvimento do míssil ERAM - desde a assinatura do contrato até ao fabrico do protótipo - demorou entre quatro e sete meses, sendo que o arranque da produção ocorreu 14 meses após a data de início do projecto.

Também o Tenente-Coronel Taylor Wilson, enquanto comandante do 40.º Esquadrão de Teste de Voo, fez referência a essa rapidez, declarando: “A equipe foi capaz de gerar e executar missões rapidamente para obter dados cruciais para a avaliação de novas e inovadoras capacidades para os combatentes. A capacidade de nossas equipes de operações e manutenção de executar essa série de testes em um prazo tão curto demonstra seu profissionalismo e dedicação à missão.”

Recorde-se ainda que a Força Aérea já tinha testado os mísseis ERAM durante os ensaios realizados em Janeiro passado, que incluíram o lançamento de um míssil com uma ogiva funcional, a qual atingiu e neutralizou o alvo com êxito. Com base nos dados dos requisitos colocados pela instituição nas fases iniciais do programa, trata-se de uma ogiva de 500 libras (cerca de 226,7 quilogramas), com várias opções de espoletas e um alcance de, pelo menos, 460 quilómetros.

Produção anual e impacto no arsenal dos EUA

Com estas capacidades - e com a capacidade industrial necessária para fabricar pelo menos 1.000 unidades por ano - é esperado que as munições ERAM não só passem a integrar o arsenal ucraniano, como também ajudem a recompor o arsenal dos EUA após a Operação Epic Fury contra o Irão. Tal como noutros países envolvidos, o consumo elevado de mísseis para neutralizar diferentes tipos de alvos tem suscitado preocupação entre estrategas, sobretudo porque, num conflito de maior intensidade do que o travado contra o Irão, a quantidade de recursos disponíveis seria um factor decisivo.

Em termos comparativos, analistas dos EUA estimam que, num eventual conflito com a China, seriam necessárias armas suficientes para atacar cerca de 100.000 alvos, face aos 13.000 oficialmente reportados como resultado das operações no Médio Oriente. Já no caso da Marinha dos EUA, foram solicitados mais de US$ 3 mil milhões para antecipar a compra de 785 mísseis Tomahawk, o que representaria um aumento de aproximadamente 1.200% no stock quando comparado com o que foi adquirido no ano fiscal anterior.

Créditos da imagem: Força Aérea dos EUA

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