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PCP reafirma pesar por Carlos Brito apesar de outros votos no Parlamento

Homem de fato fala ao microfone numa sala de reuniões com pessoas sentadas ao fundo e duas flores vermelhas sobre a mesa.

Votos de pesar e disputa de autoria

O Bloco de Esquerda anunciou um voto de pesar pela morte de Carlos Brito. Dois dias mais tarde, surgiu outro, da iniciativa do Presidente da Assembleia da República, procurando que fosse o próprio a subscrever votos de pesar relativos a antigos deputados ou dirigentes partidários. Pelo caminho instalou-se uma polémica em torno da nota divulgada pelo PCP - breve e intitulada “a pedido de vários órgãos de comunicação social”.

Paulo Raimundo, secretário-geral do partido, afirma agora que, também na Assembleia, "o PCP não deixará de assinalar o pesar“ pela morte do ex-dirigente comunista, "independente de votos de outros".

A nota do PCP sobre Carlos Brito e as críticas públicas

No centro da controvérsia, o Expresso contactou esta segunda-feira o líder comunista para perguntar qual o peso de Carlos Brito na história do PCP, se o seu afastamento político diminui esse papel e se o partido acompanharia o voto de pesar apresentado pelo Bloco de Esquerda. Tal como a pergunta, a resposta chegou por SMS.

“Independente de votos de outros, o PCP não deixará de assinalar o pesar sobre uma pessoa que, independentemente do seu afastamento e das razões que levaram a esse afastamento do Partido, teve um legado e um papel destacado na luta antifascista, no processo revolucionário e de grandes responsabilidades no Partido - desde logo no plano institucional. Aliás, a nota produzida pelo o PCP procura sublinhar exactamente esse legado”, escreve Paulo Raimundo.

Na nota curta divulgada e enviada aos jornalistas na quinta-feira à noite, o PCP limitou-se a registar "o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar", deixando de fora a militância de 48 anos. Carlos Brito foi funcionário, integrou o Comité Central, liderou o grupo parlamentar, dirigiu o jornal "Avante!" e foi candidato à Presidência da República. A formulação sucinta foi suficiente para gerar críticas no espaço público, apontando-se ao partido a forma como assinalou a morte de uma das figuras maiores da sua história, tendo em conta o afastamento político.

Do Comité Central à suspensão: o afastamento de Carlos Brito

Carlos Brito não foi expulso; saiu por decisão própria. Em 2000, renunciou ao lugar no Comité Central por discordar das orientações do XVI Congresso. Em 2002, acabou suspenso do PCP durante dez meses, na sequência da disputa interna que opôs os chamados “renovadores” aos defensores da ortodoxia do partido.

Brito tornou-se um dos rostos mais visíveis desse campo a partir de 1998, com a divulgação do documento estratégico "Novo Impulso", apoiado, entre outros, por Carlos Carvalhas, Luís Sá e Edgar Correia. Depois desse período, prosseguiu o seu caminho de forma autónoma, em alguns casos com apelos directos ao voto no PS (ou em candidatos desse espaço político).

Precedentes no PCP: Edgar Correia, Miguel Portas e João Amaral

Ainda assim, a nota do PCP no final da semana representou um passo - pequeno, mas maior do que o que ocorreu noutras fases. Quando Edgar Correia morreu, em 2005, outra figura relevante do grupo dos "Renovadores", não existe registo de uma nota pública do partido. Na altura, o então líder parlamentar, Bernardino Soares, faria uma declaração muito breve no plenário, indicando voto favorável ao "voto de pesar apresentado pelo PS" e apresentando "condolências à família enlutada“.

Já aquando da morte de Miguel Portas (expulso do PCP e mais tarde fundador do Bloco de Esquerda), a reação enviada à imprensa foi ainda mais reduzida: ”Perante a notícia do falecimento de Miguel Portas, o PCP endereça à família e à direção do BE as suas condolências". Só no caso de João Amaral - que se afastou por divergências estratégicas, mas continuava no partido quando morreu subitamente - o elogio foi emitido pelo Comité Central e ocupou três parágrafos.

Votação em plenário esta sexta-feira

Os votos de pesar pela morte de Carlos Brito deverão ir a votação em plenário esta sexta-feira, seguindo uma tradição longa no Parlamento. Falta perceber quantos serão - e de que forma se articulam os textos e as posições das várias bancadas, do PCP às forças da direita.

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