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As 5 melhores coberturas do solo resistentes ao pisoteio como alternativa ao relvado

Casal a cuidar de plantas num canteiro de jardim, com duas crianças a brincar ao fundo.

Cada vez mais proprietários procuram uma alternativa ao relvado tradicional que possa ser pisada normalmente, mas que exija menos manutenção, quase nada de água e bastante menos fertilizante. As coberturas do solo resistentes ao pisoteio prometem exactamente isso: um tapete verde robusto, agradável à vista e que, de quebra, ainda ajuda abelhas e outros insectos.

Porque é que o relvado clássico se está a tornar um problema

Um relvado verdejante fica perfeito nas fotografias. No dia a dia, porém, costuma significar sobretudo consumo de recursos. Cortes frequentes, rega, adubação, escarificação - e, quando o verão vem mais quente e seco, a área rapidamente fica manchada e “queimada”.

"Quem muda para coberturas do solo robustas consegue poupar água, cortar menos e, ainda assim, ter uma área verde e praticável."

Ao contrário do relvado, muitas coberturas do solo formam uma almofada densa e duradoura. Ajudam a travar o aparecimento de ervas espontâneas, protegem o solo contra a secura e pedem muito menos cuidados. Algumas espécies conseguem mesmo, depois de enraizarem, aguentar semanas sem rega adicional.

Antes de avançar com a troca, vale a pena avaliar com frieza três aspectos:

  • Quantas horas de sol a zona recebe por dia?
  • Como é o solo? Mais pesado e húmido, ou leve e seco?
  • Quanto pisoteio vai ter? Apenas passagens ocasionais até à espreguiçadeira ou jogos diários de futebol das crianças?

É desta combinação que se percebe quais as plantas que vão mesmo resistir - e quais as que provavelmente desistiriam logo após o primeiro verão.

As 5 melhores coberturas do solo resistentes ao pisoteio como alternativa ao relvado

1. Gazon des Mascareignes (Zoysia tenuifolia): o incansável

Para uma área onde se anda muito, é quase inevitável acabar por considerar a Zoysia tenuifolia. Esta gramínea de folhas finas cria almofadas muito densas e macias, e lida com o tráfego pedonal intenso melhor do que o relvado comum.

  • muito resistente ao pisoteio
  • apenas cerca de um a dois cortes por ano
  • necessidade de água bem mais baixa após a fase de pegamento

Visualmente, a Zoysia lembra mais um minigolfe do que um relvado doméstico típico. Como cresce devagar e rente ao solo, percebe-se porque exige tão poucos cortes. Para quem quer reduzir a manutenção de forma clara, é uma escolha com muito sentido.

2. Lippia (Phyla nodiflora): tapete com bónus de resistência à seca

A Lippia, cujo nome botânico é Phyla nodiflora, forma um tapete muito baixo e compacto que fecha rapidamente e pode ser pisado com alguma frequência sem grandes problemas. Depois de bem enraizada, esta planta surpreende pela capacidade de passar longos períodos com pouca água.

Na prática, em muitos jardins nota-se que, ultrapassada a fase inicial, a Lippia consegue aguentar dois a três meses sem rega, desde que o solo não seja totalmente arenoso ao ponto de “desaparecer” a água. As pequenas flores atraem insectos e dão à área um aspecto vivo, com um toque ligeiramente mediterrânico.

3. Micro-trevo: ideal para famílias e com adubação natural

O micro-trevo já é integrado em misturas para relvados em vários países - e não é por acaso. As folhas são bem mais pequenas do que as do trevo normal, o que torna o conjunto mais uniforme e com um ar mais “tipo relvado”.

"O micro-trevo fixa azoto do ar e disponibiliza-o no solo - a necessidade de adubo diminui de forma clara."

Para quem tem crianças, o micro-trevo ganha pontos por vários motivos:

  • muito resistente a pisoteio e brincadeiras
  • depois da chuva, volta a ser utilizável rapidamente
  • muitas vezes precisa de menos rega do que o relvado standard

Se houver preocupação com abelhas numa zona de brincadeira, convém escolher bem a variedade ou controlar a floração com os intervalos de corte, para que fiquem menos flores abertas.

4. Tomilho-rasteiro e afins: superfícies perfumadas para locais secos

Em zonas soalheiras e com solos mais pobres, as espécies rasteiras de tomilho mostram o que valem. Entre as opções comuns estão o tomilho-serpão (Thymus serpyllum) e o tomilho-lanoso. Formam uma almofada baixa e aromática, muito atractiva para as abelhas.

Estas moitas toleram passos ocasionais sem dificuldade - por exemplo, em percursos para a área de estar ou entre lajetas. Já para correria constante não chegam. Quem usa tomilho como alternativa ao relvado deve pensá-lo sobretudo para áreas de descanso e ornamentais: locais onde se dá uns passos descalço, mas não onde se joga futebol.

5. Turquette e espécies de Sedum resistentes ao pisoteio: minimalistas para locais extremos

A Herniaria glabra, muitas vezes vendida como Turquette, é uma hipótese para solos muito pobres e secos, como encostas ou zonas entre pedras. Depois de estabelecida, cria um coberto baixo e fechado, com exigências mínimas de água.

Algumas espécies de Sedum com boa tolerância ao pisoteio funcionam de forma semelhante. São particularmente adequadas para:

  • espaços entre pedras de passagem
  • bordaduras de caminhos
  • taludes e coroamentos de muros

Onde a sementeira de relva pega mal e rapidamente fica queimada, estas suculentas tendem a manter-se surpreendentemente estáveis e verdes.

Como fazer a transição do relvado para um tapete de coberturas do solo

Plantar por cima do relvado existente costuma desperdiçar potencial. O ideal é dar um verdadeiro “reset” à área. Primeiro, o relvado antigo deve ser removido por completo: levantando e retirando a camada, usando um cortador de relva em placas, ou cobrindo durante várias semanas com uma lona opaca para privar a vegetação de luz.

Depois, convém mobilizar o solo a cerca de 15 a 20 centímetros de profundidade. Aqui, uma forquilha de escavação é preferível à pá, porque solta a terra sem inverter totalmente as camadas. Ao mesmo tempo, vale a pena incorporar bastante composto bem maturado:

  • em solos pesados e argilosos, melhora a aeração
  • em solos leves e arenosos, ajuda a reter água por mais tempo
  • dá um impulso aos microrganismos do solo

A primavera e o outono são as melhores épocas para plantar, porque os períodos naturais de chuva ajudam as plantas jovens a estabelecerem-se. No pico do verão, pelo contrário, as falhas e perdas tendem a aumentar bastante.

Cuidados no primeiro ano: regar menos vezes, mas com profundidade

O erro mais comum está na rega. Há quem regue constantemente, mas em pouca quantidade - e isso só incentiva raízes superficiais. O mais eficaz é o oposto: regar poucas vezes, mas de forma abundante, para que a água penetre bem. Assim, as raízes aprofundam e, mais tarde, as plantas toleram melhor a seca.

"Uma rega longa e espaçada vale mais do que ‘molhar’ todos os dias."

Nos primeiros meses, compensa controlar as ervas espontâneas à mão. Arrancar é mais fácil quando o solo está ligeiramente húmido. Quando a cobertura do solo fechar e ficar densa, a pressão de infestantes tende a baixar por si.

Mais à frente, a manutenção fica reduzida a cortes ocasionais, eventualmente uma ligeira fertilização e - no caso da Zoysia - um a dois cortes por ano. Em zonas de uso intensivo, costuma resultar bem optar por uma combinação: micro-trevo com gramíneas mais resistentes ou, nas áreas mais castigadas, reforçar com caminhos de aparas de madeira.

O que os proprietários devem ponderar antes de decidir

Quem está habituado à imagem “clássica” do relvado pode precisar de algum tempo para se adaptar ao novo aspecto. Tomilho, Lippia ou micro-trevo não parecem um relvado inglês: são frequentemente mais coloridos, com flor, mais vivos e com uma textura um pouco menos uniforme.

Em contrapartida, os custos correntes baixam: menos consumo de água, menos adubo, menos utilização de máquinas de corte e, por isso, também menos ruído. Ao mesmo tempo, a qualidade ecológica do jardim melhora. Coberturas do solo com floração fornecem pólen e néctar, e uma superfície mais estruturada cria refúgios para pequenos organismos.

Também é sensato não transformar toda a área de uma só vez. Se houver dúvidas, pode-se começar por um teste - por exemplo, 10 a 20 m² - e observar durante um a dois anos como a espécie escolhida se comporta no microclima do local.

Com os preços da água a subir e as ondas de calor a tornarem-se mais frequentes, um mix bem pensado torna o jardim muito mais preparado para o futuro: coberturas do solo robustas nas zonas soalheiras e secas, alternativas tolerantes à sombra debaixo de árvores e relvado clássico apenas onde for mesmo necessário - por exemplo, numa pequena zona de brincadeira para crianças.


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