Após quase três anos desde o arranque do processo de aquisição - acompanhado por vários anúncios sobre a selecção e compra de uma plataforma - o Reino Unido continua sem fechar o rumo do seu problemático programa de novos helicópteros médios para equipar as suas Forças Armadas. De acordo com a imprensa especializada, Londres estará a preparar-se para, finalmente, anunciar um plano sobre a forma de avançar para responder à necessidade de substituir um conjunto alargado de helicópteros envelhecidos, algo confirmado por fontes governamentais familiarizadas com o projecto.
Decisão política e o Plano de Investimento em Defesa
Entre as declarações já conhecidas, destaca-se a do ministro das Aquisições de Defesa, Luke Pollard, que, em resposta a questões colocadas na Câmara dos Comuns, afirmou: “Os responsáveis continuam a analisar o modelo de negócio do Novo Helicóptero Médio como parte do processo de aprovação do governo, e em breve será tomada uma decisão como parte do próximo Plano de Investimento em Defesa.” Em particular, e segundo declarações anteriores do próprio Pollard, espera-se que este novo plano fique definido antes do final deste ano.
Programa do Novo Helicóptero Médio e a substituição de frotas
Importa lembrar que este programa tem elevada importância para as Forças Armadas britânicas, não apenas devido ao investimento inicialmente previsto - na ordem de 1.200 milhões de libras esterlinas - mas também por se tratar da plataforma chamada a assumir as missões actualmente desempenhadas pelos helicópteros Puma, Bell 212 e Eurocopter AS365 Dauphin II. Tal como foi noticiado quando o programa foi tornado público, a ambição de Londres passa por concentrar, num único sistema, todas as tarefas executadas pelos três modelos referidos, simplificando a vertente logística nas unidades da Real Força Aérea e do Exército Britânico que operam aeronaves de asa rotativa.
Quantidades previstas e redução indicada em 2024
Detalhando a evolução do processo, vale a pena recordar que, no momento em que este programa - até agora marcado por dificuldades - foi anunciado, o Reino Unido pretendia incorporar uma frota total de 44 novos helicópteros. Contudo, documentos oficiais divulgados durante 2024, mais especificamente os ITN, apontaram para uma redução significativa dessa meta, fixando um novo intervalo entre 23 e 32 unidades.
Atrasos burocráticos e mudanças de governo
Outro factor que condicionou a potencial aquisição foram as demoras burocráticas associadas às transições governativas. Nas palavras da ex-ministra Maria Eagle, isso traduzia-se no seguinte: “(...) alguns destes programas podem demorar muito tempo a obter a aprovação do contrato. Na verdade, este programa sofreu atrasos na obtenção da aprovação do estudo de viabilidade com o governo anterior. Espero que o possamos levar a bom termo o mais rapidamente possível“; uma explicação que ajuda a compreender por que motivo o projecto continua sem definições finais.
Concorrência: Leonardo como único candidato em prova
Por fim, é relevante recordar que, ao longo do desenrolar do programa, apenas um concorrente permaneceu na corrida para apresentar uma oferta de helicópteros. Trata-se da empresa italiana Leonardo, que submeteu um candidato assente na linha de concepção dos modelos AW149, incluindo ainda propostas para envolver a indústria local na sua produção. Anteriormente, Londres também analisou as propostas da Airbus e da Lockheed Martin, que promoveram os helicópteros H175 e Black Hawk, respectivamente; no entanto, ambas se retiraram perante a possibilidade de uma encomenda reduzida de aeronaves e a exigência adicional de criação de empregos em território britânico.
Imagens usadas a título ilustrativo
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