Nunca uma Skoda foi tão potente. Com 340 cv, o Enyaq RS reestilizado ganha personalidade - mas também traz opções… por subscrição. Amor à primeira vista ou apenas fogo-de-artifício neste SUV elétrico num verde ácido?
Disseram-me muitas vezes que destacar-se é uma virtude; aqui, talvez tenha ido longe demais. Mesmo com o selo RS, o Skoda Enyaq continua a ser um familiar espaçoso e prático. Em teoria, seria impensável virar cabeças com um SUV elétrico sem grandes pretensões. Só que neste caso acontece: o tom explosivo reservado aos RS da marca checa chama a atenção e, literalmente, agride a vista.
Acredite ou não, as imagens que acompanham este texto captam apenas uma pequena parte da intensidade deste Verde Mamba. Nem vale a pena puxar pelo brilho do ecrã: ficará sempre aquém. Ver uma Skoda com tamanha presença é, admitamos, agradável. Já a elegância pura… é outra conversa. Não é feio, mas também não é propriamente um modelo de beleza.
Um look “cheinhoso” mas musculado: a aposta estética do Skoda Enyaq
No fim de contas, é um SUV. O disfarce de coupé não consegue esconder um desenho robusto e algo “cheinhoso” (4,66 m de comprimento por 1,62 m de altura). Não espere a classe nem a leveza visual de uma berlina. Ainda assim, as linhas mais tensas dão algum dinamismo à silhueta. As nervuras na carroçaria ajudam a conter o volume e evitam com mérito aquele ar “mole” que se vê em alguns rivais.
À frente, o conjunto fica mais depurado graças a uma faixa preta que divide os faróis em dois níveis, e a “máscara do Zorro” empurra a grelha Crystal Face para fora de cena. É pena, porque esse elemento dava bastante identidade ao Enyaq. Em troca, surge um alinhamento de pequenas barras retroiluminadas, bem mais discreto. A compensação vem com as jantes de 21 polegadas, de desenho simples mas agradável. Já os espelhos retrovisores em preto parecem menos refinados.
15 regulações de suspensão: o segredo da sua agilidade à medida
De qualquer forma, o mais marcante continua a ser a cor fluorescente - e, felizmente, não é só show. Na ficha técnica, a Skoda indica uma suspensão rebaixada 15 milímetros à frente e 10 milímetros atrás, com o objectivo de segurar melhor a carroçaria. Além disso, o amortecimento adaptativo DCC oferece até 15 leis diferentes, permitindo afinar o comportamento ao gosto de cada um.
Basta deslizar o dedo no cursor para obter um ajuste específico, do mais firme ao mais macio. E funciona mesmo. Já naturalmente consistente na afinação base, a direcção de assistência variável chega a “cansar” os braços no modo Sport. Em condução mais viva, isso joga a favor da precisão. Dentro do que é, o Enyaq RS cumpre com competência - embora não seja, verdadeiramente, divertido.
Prestações fulminantes, mas uma travagem com doseamento “quase catastrófico”
Com dois motores elétricos, um em cada eixo, a entrega de potência é satisfatória. Os 340 cv fazem jus ao emblema RS, que nunca tinha recebido tantos “cavalos” na sua história. Na estrada, há boa motricidade e acelerações convincentes (0 a 100 km/h em 5,4 s), ainda que perca algum fulgor face a adversários ainda mais explosivos.
Como acontece com muitos elétricos, é a alta velocidade que o Enyaq RS começa a “pagar a conta”. As recuperações enfraquecem e a velocidade máxima fica limitada a 180 km/h. Em curva, a história melhora: as suspensões trabalham bem e mantêm o chassis firme sobre irregularidades. O comportamento não tem armadilhas. O problema surge na travagem: o pedal revela um doseamento quase catastrófico em condução desportiva. A zona morta parece interminável.
O paradoxo do conforto: quando a suavidade fica “quase nauseante”
A abrandar o ritmo, o sistema de travagem incomoda menos. Ponto positivo: o Skoda Enyaq permite ajustar a regeneração através das patilhas no volante. O modo B, no entanto, não tem grande margem e obriga frequentemente a complementar com o pedal. E continua a não existir modo One Pedal. É uma ausência algo frustrante, sobretudo porque o conforto é bom tanto em cidade como fora dela.
No ajuste mais macio, o amortecimento adaptativo transforma o carro numa verdadeira “almofada”, apesar das jantes grandes - quase nauseante. A visibilidade poderia ser melhor, mas isso é compensado por uma manobrabilidade excelente, com um diâmetro de viragem curto. Em auto-estrada, o Enyaq também agrada: a insonorização é mais do que competente. Os vidros dianteiros laminados filtram bem o ruído aerodinâmico e combinam na perfeição com os bancos aquecidos e com massagem, bem dimensionados.
Veredicto de auto-estrada: que autonomia real para o Enyaq RS a 130 km/h?
Apesar do formato coupé sugerir alguma vantagem aerodinâmica, o Skoda Enyaq Coupé não é referência em eficiência em auto-estrada. Ainda assim, nesta versão RS, o consumo a 130 km/h mantém-se aceitável, com valores a rondar os 23 kWh/100 km. Assim, é fácil chegar aos 300 km em viagens longas. Os melhores concorrentes, porém, conseguem ultrapassar a fasquia dos 400 km.
Quanto ao carregamento, segue a mesma linha da autonomia: sem truques brilhantes, mas também sem falhas graves. Em carregamento rápido, o Skoda Enyaq aceita até 185 kW em corrente contínua (DC). É um valor honesto, embora alguns rivais em plataforma de 800 V consigam mais. Na prática, a promessa quase se confirma, com um patamar de 130 kW até 60% de carga.
O espaço manda: porque o Skoda Enyaq continua a ser o melhor amigo das famílias
No habitáculo, pouco ou nada muda. Com ou sem RS, o Skoda Enyaq mantém a mesma receita: o espaço é prioridade. Não tenta impressionar pelo espetáculo, mas os materiais não desiludem. Ao contrário do exterior, aqui domina a racionalidade, com arrumação por todo o lado - à frente e atrás. Já não via, há muito, bolsas de porta tão generosas.
O banco traseiro surpreende pelo bom acolhimento, com assentos longos que apoiam bem as coxas - algo raro. Mesmo o lugar central não é terrível. A bagageira, por sua vez, tem 570 l, um valor muito competente. A Skoda, no entanto, não se deu ao trabalho de criar um compartimento sob o capot dianteiro. As habituais “Simply Clever” (raspador, guarda-chuva, mini-caixote do lixo, lingueta no pára-brisas, etc.) ajudam a compensar.
A “má piada” das opções por subscrição: a Skoda ultrapassa a linha vermelha?
O Skoda Enyaq Coupé começa nos 49 150 € na versão Element e sobe para 57 640 € na versão RS. Os preços desceram face ao modelo anterior, o que é positivo - ainda mais quando certos elementos, como o ecrã tátil, se tornaram finalmente utilizáveis. De série, o equipamento é completo logo na base e vai ficando ainda mais recheado à medida que se sobe na gama. Tudo bem… com uma ressalva.
Achava que isto era uma “má piada” no Elroq. Afinal, a Skoda mantém o número no Enyaq. As opções desbloqueáveis por subscrição estão de volta, envolvidas em estratégias pouco simpáticas. Há que pagar mensalmente para ter outra cor de iluminação ambiente, uma condução autónoma mais avançada, chave digital, informação de tráfego, entre outros. É uma pena ver a Skoda cair também nestes hábitos irritantes.
A nossa opinião sobre o novo Skoda Enyaq
Sem surpresa, o Skoda Enyaq entrega exactamente onde se esperava: é confortável, prático e bem equipado por um preço razoável, encaixando sem esforço nas necessidades de uma família. Autonomia e carregamento também não dão motivos para crítica. Já esta versão RS serve, acima de tudo, para provocar emoções que fogem à racionalidade. E aí, ainda falta aquele pequeno “algo” que faria a coisa ganhar vida.
Skoda Enyaq Coupé RS
57 640 €
Verdict
7.5/10
Gostamos
- A apresentação interior
- A sensação de espaço e acolhimento
- O conforto global
- Os preços mais baixos
Gostamos menos
- Emoções quase inexistentes
- A sensação ao travar
- As opções por subscrição
- Assistências por vezes intrusivas
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