O debate sobre novas tarifas na União Europeia voltou a colocar pressão sobre os fabricantes que dependem da produção chinesa para abastecer o mercado europeu. A Volvo Cars assumiu estar preocupada com as tarifas de importação provisórias aplicadas aos automóveis elétricos fabricados na China.
O tema surgiu durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, na sessão de perguntas e respostas, quando Jim Rowan abordou as tarifas adicionais da UE e o potencial impacto para o construtor.
Isto porque o novo EX30, o principal motor do crescimento da Volvo este ano - já é o terceiro modelo elétrico mais vendido no mercado europeu -, é o único modelo da marca produzido na China e vendido na Europa.
Assim, torna-se essencial perceber o efeito que as tarifas de importação adicionais (mais 19,9% no caso da Volvo) poderão ter, não só no EX30, como também no desempenho global da marca.
Jim Rowan, diretor-executivo da Volvo Cars, começou por referir que, tendo em conta o “ambiente turbulento”, os resultados foram bastante satisfatórios, “o que já é um bom ponto de partida”.
Ainda assim, sublinhou que, apesar de tudo estar a correr bem, um eventual agravamento das tarifas de importação de automóveis elétricos fabricados na China pode tornar-se um problema no curto prazo.
Recorde-se que o construtor sueco já anunciou que vai trazer a produção do EX30 para a Europa no final do primeiro semestre de 2025, para Gante, na Bélgica.
“Até conseguirmos começar a produzir o EX30 na Bélgica, vamos tentar perceber qual vai ser o impacto das tarifas no segundo semestre deste ano.”
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
Incertezas
Johan Ekdahl, diretor-financeiro da Volvo Cars, reforçou este cenário de incerteza. Disse que, apesar de “não ser possível quantificar ao certo o impacto exato destas tarifas, é claro que estas vão ter alguma influência”.
“Nós não conhecemos os resultados exatos destas tarifas, pois este é um diálogo que ainda está em curso com a Comissão Europeia.”
Johan Ekdahl, CFO da Volvo Cars
Apesar de haver uma procura elevada e de o EX30 apresentar margens brutas muito positivas (20%), o CEO afirmou que “nós estamos a olhar para todas as opções disponíveis”, não excluindo um ajuste de preço no SUV elétrico. Em Portugal, o Volvo EX30 tem preços a começar nos 39 554 euros.
Outras preocupações
Rowan, ainda sobre as tarifas de importação, mostrou também preocupação com o facto de o Reino Unido - o segundo maior mercado europeu - ainda não ter decidido se irá, ou não, aplicar as mesmas tarifas que a UE impôs provisoriamente.
Para lá das tarifas, o CEO da Volvo Cars respondeu a perguntas sobre o mercado chinês e a guerra de preços que continua por lá. Rowan afirmou que o mercado “é muito turbulento e tem muito mais competição do que aquela que existia no passado.”
No entanto, explicou que a estratégia da marca, sobretudo nos modelos elétricos, passa por não competir no mercado de massas, mas sim posicionar-se no segmento premium.
“Nós ficamos pelo segmento premium, o que nos permite sobreviver à turbulência, sendo que esta deverá durar entre 18 meses a dois anos”.
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
O responsável máximo da Volvo Cars apontou ainda outras preocupações geopolíticas, como as eleições presidenciais norte-americanas. E também o facto de as tarifas de importação de baterias nos EUA terem subido de 7% para 25%.
Ainda assim, Rowan frisou que, independentemente das preocupações, “o importante é ter a certeza de que se tem uma cadeia de fornecimento resiliente.”
“Não dá para prever a turbulência na indústria automóvel, nem onde será, por isso, em vez de tentar adivinhar, temos de garantir que dispomos de uma cadeia de abastecimento mais resiliente do que tínhamos antes.
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
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