Durante algum tempo, parecia que o Nürburgring tinha mudado de dono. Entre elétricos, os recordes começaram a cair para o lado de novas marcas - muitas delas chinesas - e a Porsche viu o seu território habitual no «inferno verde» ficar bem mais disputado.
Nos últimos anos, o circuito alemão assistiu a uma sequência de tempos de referência: primeiro o Xiaomi SU7 Ultra assumiu-se como a berlina elétrica de produção mais rápida; depois foi o Yangwang U9 Xtreme a conquistar o estatuto de elétrico de produção mais rápido em absoluto. Só que esse capítulo acabou de ser reescrito.
Agora, ambos os títulos estão concentrados num só modelo: o Taycan Turbo GT. Com um kit da Manthey e Lars Kern - piloto de desenvolvimento da Porsche - ao volante, a berlina elétrica completou os 20,832 km do mítico traçado alemão em apenas 6min55,533s.
Para referência, o Xiaomi registou 7min04,957s e o Yangwang U9 Xtreme, com cerca de 3000 cv, cumpriu a volta em 6min59,157s. O feito ganha ainda mais peso quando se olha para os números e a receita deste novo recordista.
Além disso, este tempo é, como seria de esperar, mais rápido do que o anterior alcançado pelo Taycan Turbo GT com o Pacote Weissach. Falamos de 12 segundos de melhoria, para sermos exatos.
Um kit aerodinâmico e de… software
Para alcançar este recorde, a Porsche aplicou pela primeira vez um kit da Manthey num modelo 100% elétrico e, vendo o resultado, é difícil não pensar: porque é que demorou tanto a avançar?
Mais curioso ainda é que este kit da Manthey eleva o Taycan Turbo GT em três frentes: aerodinâmica, suspensão e… potência. Pela primeira vez, o kit da Manthey inclui também ajustes na cadeia cinemática. Na prática, funciona quase como uma «reprogramação» - algo comum nos modelos a combustão, mas ainda pouco habitual no mundo dos elétricos.
Mais potência para atacar recordes
Começando pelas alterações à cadeia cinemática, a corrente máxima da bateria passa de 1100 para 1300 amperes, permitindo subir a potência em modo normal para 600 kW (816 cv). No modo Attack, o sistema liberta ainda até 130 kW (177 cv) extra durante 10 segundos, levando a potência temporariamente aos 730 kW (993 cv).
Já no modo Launch Control, a potência mantém-se nos 760 kW (1033 cv), mas o binário máximo nesta configuração aumenta para 1270 Nm (mais 30 Nm). São valores impressionantes, embora ainda longe dos do Yangwang U9 Xtreme - o que torna o resultado do Taycan Turbo GT ainda mais notável.
O chassis também recebeu atenção. Os controlos de molas e amortecedores do Porsche Active Ride, a tração integral, a direção traseira e o diferencial autoblocante foram recalibrados com o objetivo de elevar o desempenho em pista.
Na travagem, o kit da Manthey recorre ao Porsche Ceramic Composite Brake com discos maiores (dianteiros de 440 mm e traseiros de 410 mm) e novas pastilhas Performance que, segundo a Porsche, foram desenvolvidas para oferecer maior resistência à fadiga.
Forma e função conjugados
Só depois entra a aerodinâmica - e aqui a mudança é impossível de esconder, nem que seja porque as melhorias também se refletem num aspeto mais musculado e marcante.
De acordo com a Porsche, a downforce é mais de três vezes superior à do modelo de série. A 200 km/h, salta de 95 kg para 310 kg de apoio aerodinâmico e, na configuração mais extrema para circuito, chega aos 740 kg a 310 km/h.
Para lá chegar, o kit inclui uma nova asa traseira com placas laterais maiores, difusores dianteiro e traseiro redesenhados, novos defletores na zona inferior da carroçaria e aerodiscos em carbono nas rodas traseiras.
Quanto custa o kit recordista?
Depois de ajudar o Taycan Turbo GT a recuperar o «trono» no Nürburgring, este kit da Manthey vai poder ser encomendado a partir de junho como kit de atualização para todas as unidades do Taycan Turbo GT com o Pacote Weissach.
Como seria de esperar, estas alterações não são propriamente baratas: a Porsche pede 104 568 euros para transformar o Taycan Turbo GT no elétrico de produção mais rápido no Nürburgring.
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