Sim, é mesmo assim: até esta viagem acontecer, nunca tinha dormido num parque de campismo. Todas as noites da minha vida tinham sido passadas entre quatro paredes sólidas, numa cama mais ou menos confortável e quase sempre com as janelas fechadas. A verdade é que a ideia de acampar nunca me atraiu o suficiente para sair do papel - até agora.
Depois de anos a viver em cidade, trocar o ruído urbano pelo chilrear dos pássaros ao amanhecer e passar algumas noites no meio da natureza começou a parecer-me, de repente, uma excelente ideia. Por isso, quando me desafiaram para uma viagem de carro pela Eslovénia ao volante da nova geração da Volkswagen California, respondi sem hesitar: sim.
Antes da estrada: a promessa de campismo a sério
O arranque da aventura foi semelhante ao de muitas viagens deste género: uma breve sessão de preparação sobre o que nos aguardava nos três dias seguintes. A primeira frase que ouvimos foi clara: “Este não vai ser um acampamento de luxo - mas sim uma experiência autêntica de campismo.”
Sendo a minha estreia, admito que fiquei com um nó no estômago ao ouvir aquilo. Ainda assim, depois de conduzir 600 km e de passar duas noites na Volkswagen California, posso dizê-lo sem reservas: acampar nesta autocaravana sabe a pequeno luxo.
Rumo aos Alpes Julianos ao volante da Volkswagen California
Saímos do aeroporto de Ljubljana (a capital da Eslovénia) na direção dos Alpes Julianos, naquilo que viria a ser a parte mais marcante de todo o percurso. Foram 140 km a atravessar o Parque Nacional de Triglav, subindo pela passagem de montanha Vršič Pass e descendo, mais tarde, até ao vale do rio Soča.
A subida levou-nos até aos 1611 m de altitude, por um conjunto de curvas e contracurvas que abria a porta a paisagens de cortar a respiração - e a várias paragens inevitáveis para sair do carro e aproveitar a vista.
Conduzir a California nestas estradas sinuosas (e, por vezes, debaixo de chuva) revelou-se mais simples do que eu esperava. Senti-a leve e despachada, com dimensões fáceis de gerir: os seus 5173 mm de comprimento e 1941 mm de largura quase não se fizeram notar, mesmo para quem, como eu, não está habituada a conduzir veículos deste porte.
Com as montanhas a ficarem para trás no retrovisor, seguimos para o último ponto de encontro do dia: o parque de campismo Lazar. Foi aí que dormimos na primeira noite, depois de um jantar de churrasco ao ar livre, com uma fogueira a dar luz ao nosso acampamento - estava calor, mas ninguém dispensou o conforto das chamas.
Volkswagen California, uma pequena casa sobre rodas
Uma dica prática: preparem a California para a noite antes de o sol se pôr, sobretudo se for a primeira vez. Assim evitam tratar de tudo com uma lanterna na mão, ao mesmo tempo que tentam impedir a entrada de mosquitos - que, felizmente, nem sequer andavam a picar.
Dito isto, é justo reconhecer o trabalho dos engenheiros por detrás da California: o processo foi pensado ao detalhe e ficou tão simples que praticamente qualquer pessoa consegue “montar a casa” com rapidez e sem complicações, seja a que horas for.
Na versão que conduzi - a topo de gama California Ocean - a tenda instalada no tejadilho sobe e desce automaticamente, acionada por um botão físico sempre acessível, integrado na moldura do ecrã multimédia.
Para se mexerem no interior com mais à-vontade, compensa levantar o tejadilho para ficarem de pé e abrir as portas deslizantes, agora de série em ambos os lados dos bancos traseiros. As cortinas opacas térmicas para os vidros sem painéis integrados prendem-se por ímanes nas janelas laterais da frente e fixam-se com facilidade no para-brisas com a ajuda das palas. Com tudo coberto, a privacidade fica garantida.
Quando chega a hora de arrumar o que trouxeram para a aventura, não faltam compartimentos e soluções bem pensadas que fazem da California uma verdadeira casa sobre rodas. Da mini-cozinha com fogão, lava-loiça e um frigorífico (que podem ligar e desligar sem esforço), até à mangueira de duche na traseira.
Em diferentes pontos do veículo há tomadas USB-C e também tomadas convencionais de 230 V, úteis para carregar ou ligar praticamente qualquer tipo de dispositivo e equipamento.
Para manter os mosquitos à distância (e não incomodar quem está ao lado), podem ativar o Modo Camping, que impede que as luzes do habitáculo e os faróis se acendam quando abrem o carro. E, com um simples duplo toque numa luz interior, desligam-se todas de uma vez. Acreditem, dá imenso jeito.
À noite, se vos apetecer ficar no telemóvel o tempo que quiserem, também não há stress: no piso superior existe uma tomada USB-C para carregar. Este é, sem dúvida, o melhor “quarto” da California - especialmente em noites quentes, quando abrir as janelas da tenda (todas com rede mosquiteira incluída) ajuda a refrescar o espaço.
Do castelo Predjama ao Adriático
No segundo dia, apontámos para sul, atravessando a Eslovénia. Foram cerca de 300 km de estrada, com uma paragem no conhecido castelo Predjama, do séc. XII, construído à entrada de uma gruta.
O destino final desse dia seria uma praia banhada pelo Mar Adriático, ao longo dos escassos 47 km de costa que a Eslovénia oferece. A noite, essa, passou-se já na Croácia, na quinta de Monte Rosso, com vista para a costa eslovena e italiana.
Nesta segunda e última noite, transformar a California de carro de viagem em veículo de campismo, já com os truques na ponta da língua, demorou apenas uns minutos. Uma facilidade que nos deixou tempo para o melhor desta experiência: estar ao ar livre, perto da natureza, e conviver com o grupo.
Ao fim de três dias e de cerca de 600 km ao volante da Volkswagen California, o balanço não podia ser mais positivo. As dimensões desta autocaravana ajudam a circular por qualquer cidade e a estacionar durante o dia em lugares normais; e o aproveitamento inteligente do espaço interior torna-a uma opção muito sólida para quem gosta de campismo.
Na despedida, levantar voo no aeroporto de Ljubljana, aos pés dos Alpes, teve um sabor agridoce. Por mim, a viagem em terra continuava.
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