Exercício Cartago 26 e fase CPX
Entre 21 e 23 de abril, a Armada Espanhola vai conduzir o exercício Cartago 26, dedicado à preparação para operações de busca e resgate de submarinos através da aplicação do Plano Geral de Salvamento e Resgate de Submarinos (PGSRS). A actividade decorre no formato CPX (Command Post Exercise) e procura confirmar, num cenário simulado de acidente com um submarino, a robustez das capacidades operacionais, logísticas e de comando.
No decurso desta fase, será encenado um sinistro envolvendo um submarino nas proximidades de Cartagena, levando as estruturas intervenientes a activar os procedimentos previstos no PGSRS. As acções visam, por um lado, prolongar a sobrevivência da guarnição no interior do submarino e, por outro, articular um eventual resgate com sobreviventes, o que exige o empenhamento de meios especializados e a coordenação de vários níveis de decisão.
Entidades militares e civis envolvidas
Participam no exercício os Estados-Maiores da Armada, a Flota, a Fuerza de Acción Marítima, a Flotilla de Submarinos e a Direcção de Saúde da Armada, em conjunto com a Unidad de Apoyo Logístico Desplegable (UALOG-D). Esta unidade integra elementos do Quartel-General da Fuerza de Acción Marítima, do Arsenal de Cartagena, do Centro de Mergulho da Armada e da Fuerza de Guerra Naval Especial, contando ainda com a intervenção de células de resposta do Ministério da Defesa, do Exército de Terra e do Exército do Ar e do Espaço.
O Cartago 26 inclui igualmente entidades civis, como o Salvamento Marítimo, a AENA, a Autoridade Portuária de Cartagena e a Cruz Vermelha, permitindo testar a coordenação interinstitucional em contexto de emergência.
Ferramentas de coordenação e exercícios anteriores
Para suportar o fluxo de informação e a tomada de decisão, são utilizadas ferramentas específicas, nomeadamente a plataforma do International Submarine Escape and Rescue Liaison Office (ISMERLO) e o Entorno Colaborativo Marítimo da Armada (ENCOMAR), que facilitam a partilha de dados em tempo real.
Um ponto relevante é que a Armada Espanhola já vem a realizar exercícios deste tipo com regularidade. Ainda em meados de abril, o submarino Galerna rendeu o Isaac Pearl no âmbito do Exercício Noble Shield da OTAN, após largar de Cartagena para se integrar nesta operação de segurança marítima no Mediterrâneo.
Componente médico, apoio às famílias e comunicação
De regresso ao Cartago 26, uma componente significativa incide também sobre a assistência médica, o apoio às famílias e a condução da comunicação pública durante uma crise. Neste enquadramento, participam estudantes de Jornalismo da Universidade Católica de Múrcia e do Colégio de Psicólogos da Região de Múrcia, que desenvolvem simulações de acompanhamento a familiares, formatos informativos e comparecências perante os meios de comunicação social, incorporando a dimensão social na resposta operacional.
Próxima fase e enquadramento estratégico
A segunda fase do exercício está prevista para o outono, permitindo recolher lições aprendidas para aperfeiçoar o PGSRS e, em simultâneo, servir de preparação para o exercício multinacional Dynamic Monarch 27. Este último decorrerá em águas próximas de La Manga del Mar Menor, com Espanha como país anfitrião.
Estes treinos ganham particular importância num contexto em que os submarinos, pela capacidade de operar de forma discreta, pela autonomia e pelo valor estratégico em missões de vigilância, inteligência e controlo do mar, continuam a ser um elemento central das operações navais. Tal é também ilustrado pelo recente empenhamento do submarino Galerna na operação Noble Shield da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Imagens obtidas da Armada de Espanha.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário