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Obras do metrobus no Porto e em Matosinhos agravam trânsito e estacionamento

Homem com mochila e saco azul segura telemóvel numa rua urbana com carros estacionados e barreiras de construção.

As empreitadas de construção das linhas de metrobus no Porto e em Matosinhos têm vindo a criar dificuldades acrescidas a quem circula de automóvel, piorando a fluidez do trânsito nas duas cidades. A par disso, as frentes de obra eliminaram muitos lugares de estacionamento, o que aumentou os constrangimentos para moradores e trabalhadores nas zonas intervencionadas.

Neste momento, os maiores problemas sentem-se sobretudo em Matosinhos e em Leça da Palmeira: as alterações temporárias associadas às obras do metrobus têm gerado filas frequentes e, com o avançar da tarde, a acumulação de trânsito tende a intensificar-se.

A Câmara de Matosinhos reconhece que o impacto é mais notório nas horas de ponta, mas defende que o novo sistema de transporte - com início de operação previsto para o primeiro semestre de 2027 - deverá ajudar a reduzir o número de automóveis em circulação e, assim, reforçar a segurança rodoviária. Até lá, os condutores continuam a lidar com perturbações na rede viária, mais evidentes em zonas como a envolvente do Porto de Leixões, a Avenida D. Afonso Henriques e a Exponor, entre outras.

Também a entrada em Matosinhos pela área do Edifício Transparente está muito condicionada, devido às obras da segunda fase do metrobus do Porto, que fará a ligação entre a Avenida do Marechal Gomes da Costa e a Anémona. Questionada pelo JN, a Câmara do Porto remeteu os esclarecimentos para a Metro, entidade responsável pela obra. A empresa sustenta que a intervenção na via não tem provocado um impacto relevante no tráfego da cidade do Porto e reafirma que, quando a obra estiver concluída, não haverá perda de lugares de estacionamento. Por agora, o principal entrave resulta da intervenção no viaduto junto ao Transparente.

Miriam Silva trabalha no edifício há quatro anos e acompanhou de perto a mudança trazida pelo arranque da empreitada. "Em termos de trânsito, a diferença é muito grande. A estrada perdeu duas faixas e essa redução impacta principalmente nas horas de ponta. Nessa altura, o trânsito chega a ser caótico", explicou.

Mudança de hábitos

Ainda assim, Miriam diz que não teve de mexer na sua rotina para chegar a horas. "Só tenho de evitar a Avenida da Boavista, mas há quem tenha mesmo de mudar os hábitos, seja no percurso que faz ou por ter que acordar mais cedo", referiu, salientando que não recorre a transportes públicos por não existir uma ligação conveniente entre casa e trabalho. Acrescenta, contudo, que é "das poucas pessoas do escritório que viajam de carro no dia a dia".

Para quem depende do automóvel, surge um problema adicional: as obras do metrobus ocuparam áreas antes utilizadas para estacionar. "Agora, tenho de sair ainda mais cedo de casa. O gasóleo está caro e, para evitar andar aqui às voltas a tentar arranjar estacionamento, deixo o carro a mais de 500 metros ou um quilómetro de distância. No início do dia, custa menos porque estamos frescos, mas quando vamos embora já é mais difícil", relatou outro funcionário do Edifício Transparente, que preferiu manter o anonimato, admitindo que, com estas limitações, vai perdendo "horas, euros e... paciência".

Carro mais longe

Perto da paragem de metro do Mercado, no café Internacional, António Andrade assegura que a obra do metrobus naquela zona está a prejudicar a actividade. "Além do engarrafamento constante, a rua perdeu o estacionamento. As pessoas passaram a deixar o carro mais longe do café e já não param aqui. Apanham o metro e vão embora, o que tem sido um problema para mim e para os negócios aqui ao redor", afirmou o proprietário.

"Acredito que as pessoas que vão utilizar o metrobus vejam isto como benéfico. Agora, o comércio da zona não. As medidas de trânsito deveriam ter em atenção quem vem de fora do concelho. Quem vive em Matosinhos consegue, em muitos casos, deslocar-se a pé, mas quem vem de fora precisa de transportes públicos fiáveis", acrescentou.

A Câmara de Matosinhos admite os constrangimentos associados à construção do metrobus, mas sublinha os benefícios esperados quando a obra estiver concluída, apontando para "um grande impacto no concelho, resultando da execução de novos 10 quilómetros de via, 11 estações, novos passeios, nova ciclovia, ordenação do estacionamento, 265 novas árvores e 1208 novos arbustos". A autarquia refere ainda que os trabalhos sofreram atrasos devido às "condições climáticas adversas verificadas em Portugal entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026", mantendo a previsão de arranque da operação comercial no primeiro semestre de 2027.

Linhas

Porto
O metrobus do Porto já está em funcionamento no troço entre a Casa da Música e a Praça do Império. A segunda fase, actualmente em obra, vai ligar o Pinheiro Manso à Anémona. Estão previstas as estações Antunes Guimarães, Garcia de Orta, Nevogilde, Castelo do Queijo e Praça Cidade do Salvador (Anémona). A conclusão dos trabalhos é apontada para o verão.

Matosinhos
A linha de metrobus de Matosinhos contará com 9,75 quilómetros, sendo 1,2 no concelho da Maia, e terá 11 estações: Mercado, Senhor de Matosinhos, Exponor, Veloso Salgado, MarShopping, Jomar, OPO City, Mário Brito, Aeroporto, Botica e Verdes. O investimento é de 23 milhões de euros.

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