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USS Abraham Lincoln (CVN-72) zarpa para o Pacífico Ocidental e junta-se à 7.ª Frota

Porta-aviões no mar com caças F/A-18 e tripulação em preparação ao pôr do sol, cidade ao fundo.

Partida de San Diego e composição do Grupo de Ataque 3

Na passada sexta-feira, 21 de novembro, o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln (CVN-72), da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), largou da Base Naval de San Diego, na Califórnia, com destino ao Pacífico Ocidental, para voltar a integrar a área de responsabilidade da 7.ª Frota dos EUA. De acordo com a confirmação de um oficial do Pentágono, o CVN-72 vai liderar o Grupo de Ataque 3, acompanhado pela Ala Aérea Embarcada 8 (CVW-8) e pelo destróier de mísseis guiados USS Frank E. Petersen Jr. (DDG-21).

Um regresso invulgar após um destacamento prolongado

Esta saída do USS Abraham Lincoln é pouco comum devido ao curto intervalo de tempo face ao seu último destacamento prolongado, concluído em dezembro de 2024, no qual totalizou 162 dias de operações combinadas no Médio Oriente e no Pacífico. Importa sublinhar que, ao longo do presente ano, o porta-aviões nuclear se manteve activo, realizando diversos exercícios e certificações, incluindo a participação no Exercício Northern Edge 2025, realizado em agosto no Alasca, em conjunto com unidades do seu Grupo de Ataque constituído para essa actividade.

Um destacamento fora do ciclo OFRP de 36 meses

A nova largada ocorre, além disso, fora do ciclo padrão de manutenção, treino e destacamento (Optimized Fleet Response Plan), que prevê períodos de 36 meses. Para vários analistas, a opção de voltar a enviar o Abraham Lincoln está ligada a exigências operacionais adicionais que estão a surgir no Indo-Pacífico, onde Washington reforçou a sua presença militar perante a expansão dos meios aeronavais da China, e tendo em conta que o porta-aviões nuclear USS Nimitz (CVN-68) se encontra perto de ser retirado do serviço.

Contexto operacional recente no Médio Oriente e no Indo-Pacífico

O historial operacional recente do navio ajuda a explicar a relevância do seu retorno ao teatro do Pacífico e o peso que a sua presença tem na estratégia regional adoptada pelo Pentágono. Sustentando esta leitura, parte do destacamento de 2024 incluiu uma rotação no Médio Oriente sob comando da 5.ª Frota, em resposta ao aumento de incidentes no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, onde se registaram ataques contra navios mercantes e ameaças por parte de actores estatais e não estatais. A presença do Lincoln integrou missões de vigilância, escolta e dissuasão que os Estados Unidos mantêm para garantir a liberdade de navegação e reforçar a segurança marítima em coordenação com parceiros regionais. A sua saída rumo ao Pacífico no final de novembro de 2024 deixou temporariamente a 5.ª Frota sem porta-aviões, evidenciando a necessidade de redistribuir meios para áreas sujeitas a maior pressão estratégica.

Já no início de dezembro de 2024, o Abraham Lincoln foi destacado para o Mar do Sul da China, onde conduziu operações aéreas e patrulhas navais em apoio à liberdade de navegação, antes de se deslocar para o Mar das Filipinas num contexto de fricções crescentes com Pequim, motivadas pelas suas actividades em torno de rotas marítimas críticas e zonas económicas exclusivas de países como as Filipinas, o Vietname e a Malásia. Nos primeiros dias de dezembro, o porta-aviões foi observado a operar próximo da chamada primeira cadeia de ilhas, coincidindo com voos de bombardeiros chineses e exercícios navais regionais.

Exercícios e preparação: Northern Edge 2025

Após regressar à costa oeste dos Estados Unidos no final de 2024 e no início de 2025, o CVN-72 participou, em agosto, no referido exercício Northern Edge 2025, no Golfo do Alasca, onde o seu Grupo de Ataque treinou operações de combate de alta intensidade e guerra multidomínio num ambiente extremo. Este conjunto de antecedentes realça que o regresso do CVN-72 ao Pacífico num prazo curto reflecte a importância que os Estados Unidos atribuem a sustentar uma presença permanente numa região em que a competição estratégica com a China se intensificou de forma continuada.

Imagem de capa utilizada de forma ilustrativa

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