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Equipa da Universidade de Varsóvia aprisiona luz infravermelha numa rede de átomos de MoSe2 com 42 nanómetros

Pessoa a segurar um microchip com luvas brancas num laboratório, com um microscópio ao fundo.

Cientistas conseguiram aprisionar feixes de luz infravermelha numa rede de átomos especialmente concebida com apenas 42 nanómetros de espessura. Isto corresponde a cerca de 2,000x menos do que a espessura de um cabelo humano - e ainda mais fino do que uma película muito delgada de uma folha de papel comum.

O feito, liderado por uma equipa da Universidade de Varsóvia, na Polónia, pode ter impacto relevante na electrónica baseada em luz, numa altura em que os componentes tecnológicos continuam a encolher e a exigir um controlo cada vez mais preciso.

Porque é difícil confinar luz infravermelha

O avanço também é importante para o estudo da luz infravermelha, que tem comprimentos de onda mais longos do que a luz visível. Conseguir reter infravermelhos em volumes minúsculos é um desafio que força os limites do que a física permite.

"Os resultados apresentados são promissores para a concretização de dispositivos planos e ultracompactos para emissão laser, controlo da frente de onda e estados topológicos de ordem superior da luz", escrevem os investigadores no artigo publicado.

A grelha ultrafina de dissileneto de molibdénio (MoSe2)

O elemento decisivo da experiência foi o material escolhido para a grelha que mantém a luz confinada. Trata-se de uma estrutura ultrafina de dissileneto de molibdénio (MoSe2), formada por camadas atómicas de molibdénio e selénio.

Esta arquitectura química particular eleva ao máximo o índice de refracção da grelha - a capacidade de desviar e abrandar a luz, condição essencial para a prender no material.

Apesar de já se saber há muito que o MoSe2 apresenta um índice de refracção elevado, a sua produção de forma fiável às escalas mais pequenas tinha-se revelado difícil até agora.

Como as folhas foram fabricadas e microestruturadas

Neste trabalho, a equipa recorreu a um método de "impressão" atómica conhecido como epitaxia por feixe molecular (MBE) para produzir folhas de MoSe2. Para além de crescerem as folhas, os investigadores também esculpiram nelas faixas microscópicas - com espaçamentos inferiores ao comprimento de onda da luz infravermelha (subcomprimento de onda) - preparadas para manter fotões confinados.

O truque físico: estados ligados no contínuo (BIC)

Para que a armadilha funcionasse, foi necessário ainda um mecanismo físico adicional, designado "estado ligado no contínuo" (BIC). Trata-se de um fenómeno em que, neste caso, as ondas de luz ficam confinadas dentro de um material apesar de coexistirem com outras ondas que se propagam e irradiam para o exterior.

A criação de um BIC exige que os materiais sejam desenhados e configurados com elevada precisão, algo que os investigadores garantiram ao modelarem cuidadosamente a grelha de MoSe2 antes de a construírem.

"Explorámos o índice de refracção excepcionalmente elevado do MoSe2 para desenhar e produzir, de forma inovadora, grelhas subcomprimento de onda baseadas em MoSe2 que alojam BICs", escrevem os investigadores.

O que isto pode permitir na prática

Esta física complexa pode vir a ter aplicações concretas. Os cientistas continuam a investigar a computação óptica - uma abordagem em que fotões de luz substituem electrões e electricidade - com potencial para aumentar significativamente a velocidade de processamento, ao mesmo tempo que reduz o tamanho dos componentes.

Embora ainda existam muitos obstáculos antes de a computação óptica se tornar viável, demonstrações como a descrita neste estudo indicam que pode ser possível confinar e manipular a luz com o grau de precisão necessário, mesmo a escalas extremamente pequenas.

Limitações actuais e próximos passos

No caso específico deste material e desta armadilha de luz, ainda será preciso mais trabalho antes de a abordagem poder ser aplicada de forma fiável em escala. O processo de crescimento das folhas desenvolvido pela equipa não foi perfeito, pelo que o material foi polido com lenços de seda para eliminar irregularidades.

Ainda assim, os investigadores mostram-se confiantes de que o método pode ser desenvolvido e até alargado a outras áreas.

O MoSe2 integra uma família mais ampla de materiais superfinos conhecidos como dicalcogenetos de metais de transição (TMDs), e a expectativa é encontrar novas formas de produzir e manipular TMDs de modo mais consistente.

Isso abriria caminho a dispositivos ainda mais pequenos e mais rápidos do que os actuais, construídos em parte a partir da capacidade de aprisionar luz em espaços incrivelmente reduzidos.

"A facilidade e simplicidade de processamento do MoSe2 confirmam que são viáveis outros desenhos de estruturas fotónicas, como metassuperfícies 2D baseadas em camadas de TMD", escrevem os investigadores.

A investigação foi publicada na ACS Nano.

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