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Ernst Bloch, Hitler e Trump: a aceleração do autoritarismo

Pessoa a usar telemóvel com notícia política, jornal e televisão ligados numa sala iluminada.

Na véspera do início da Segunda Guerra Mundial, o filósofo alemão Ernst Bloch publicou um ensaio sobre a ascensão de Hitler ao poder. Nele, procurava perceber como se fabrica um canalha - e de que modo a Alemanha se tinha degradado até aceitar a nazificação, com uma adesão que, longe de estagnar, se ampliou. A propaganda do regime apresentava o Terceiro Reich como continuação do primeiro (o Sacro Império Romano-Germânico, fundado por quem reclamava a herança de Carlos Magno e existente entre 962 e a sua destruição por Napoleão, em 1806) e do Segundo Reich (o império surgido com a unificação alemã e a guerra franco-prussiana em 1871, até ao colapso na Primeira Guerra Mundial). Ainda assim, essa evocação de continuidade histórica não basta para explicar a aceitação da ditadura. Como se produziram, então, os canalhas e se ergueu o seu regime? Como pôde ser acolhida a fábula de que um império imposto pela guerra duraria mil anos - e o que se retira dessa tragédia?

Nada obrigava Hitler a chegar ao poder. Dez anos depois de assumir a presidência do partido nazi, e após uma breve prisão por participação numa tentativa de golpe de Estado, o político austríaco concorreu à segunda volta das presidenciais alemãs de abril de 1932 e alcançou 36,8%. Nas legislativas de julho desse ano, o seu partido obteve 37%, mas socialistas e comunistas somavam 36%. Apesar disso, o Presidente eleito, o marechal Hindenburg, entregou-lhe o cargo de chanceler em 30 de janeiro de 1933. Quando Bloch, poucos anos depois, perguntou como se chegou a esse desfecho, avançou uma hipótese: o centro e a direita aceitaram Hitler como um remédio de curto prazo para impor a ordem, ao mesmo tempo que sectores vastos da burguesia e do que hoje se designa por classe média - comerciantes, militares e académicos - festejavam o novo despotismo.

Para Bloch, o fenómeno não se explica pela simples eficácia da propaganda de Goebbels perante a desintegração do regime de Weimar. O que pesou, argumentou, foi a reativação de mitos entranhados na crença de uma epopeia alemã: um romantismo reacionário que se apropriou de Nietzsche e de Wagner. Em suma, a ideologia social dominante fez de Hitler o seu porta-voz e o estandarte funcional de interesses económicos hegemónicos. A aristocracia prussiana que controlava o exército celebrou, lado a lado com os maiores industriais, a oportunidade de domesticar a sociedade e, nesse sentido, carimbou a legitimidade do novo chanceler.

Havia, além disso, um abismo de violência e uma embriaguez de brutalidade que vinham de trás e, por isso mesmo, tinham força. Bloch recorda que, quando o jornal britânico O Tempos denunciou em 1914 que o mesmo Hindenburg obrigara prisioneiros russos da Primeira Guerra a comer pão encharcado em petróleo, o circunspecto diário Gazeta de Frankfurt reagiu com um artigo intitulado “Humor alemão e indignação inglesa”, onde elogiava o marechal. Também é conhecido o poema do pastor luterano Friedrich Niermoller: simpatizante nazi, rompeu com Hitler após a tomada de posse e lamentou o silêncio quando a repressão veio prender os comunistas, depois os socialistas, depois os cristãos e, por fim, quem não fosse nazi - ele próprio acabou como voz solitária, enclausurado num campo de concentração.

Dois traços destacam-se nesta vitória nazi: a cumplicidade do centro e da direita e a vertigem com que o processo avançou. Menos de três semanas após a nomeação de Hitler, ocorreu o incêndio do Reichstag, uma provocação montada para acelerar a dinâmica. Já no governo, os nazis obtiveram 44% nas novas legislativas de 5 de março desse ano, enquanto socialistas e comunistas ainda somavam 30,5%. Hitler precisava de parceiros à direita e obteve-os; logo depois, quando foi votada a lei da concessão de plenos poderes - suspendendo direitos constitucionais e entregando ao executivo poderes legislativos -, contou com o apoio desses aliados e do partido do centro. O instante inaugural do novo poder foi esse voto parlamentar de 23 de março de 1933 e, em 53 dias, Hitler consolidara o domínio. Em agosto, com a morte do Presidente, acumulou as duas funções e nasceu a figura do líder.

Este itinerário tem semelhanças com Mussolini. Nas eleições italianas de 1921, os fascistas conquistaram 35 lugares no parlamento - 6,5% dos deputados - por via de representações do espaço governamental. Pouco depois, constituiu-se o partido fascista; em outubro de 1922, Mussolini avançou com a Marcha sobre Roma, uma tentativa de golpe de Estado em que dezenas de milhares de milicianos ocuparam parte da cidade a partir do dia 28. Dois dias mais tarde, o rei Victor Emanuel III nomeou-o primeiro-ministro, numa coligação com outros partidos da direita. Tal como aconteceria com Hitler, centro e direita entregaram-lhe o poder. O dia inaugural foi 30 de outubro de 1922. Em 1924, já a partir do governo, Mussolini organizou novas eleições e obteve 65%; dois meses depois, mandou assassinar Matteoti, líder do partido socialista unificado. Tinha conseguido a chave do palácio em dois dias, mas só após consolidar o mando alcançou a confirmação pelo voto - o que lhe permitiu disputar as eleições seguintes já num regime de partido único.

Aceleração

Um centro da Universidade de Gotemburgo, dedicado ao estudo da democracia, publicou recentemente o relatório anual “Relatório sobre a Democracia 2026: A Desagregação da Era Democrática?”, apresentando dados e uma leitura sobre a degradação dos regimes políticos contemporâneos. O foco central é a “autocratização dos EUA”, um processo que desfaz ganhos da vaga de democratização inaugurada pelo 25 de Abril de 1974 e faz esse país recuar para uma situação institucional comparável à anterior a 1965 - isto é, antes do movimento dos direitos cívicos e das leis contra a discriminação racial.

O relatório enumera os principais motores dessa desagregação democrática: a concentração de poder no Presidente; o desrespeito pelo poder judicial (lembra que Trump invocou a frase de Napoleão, pouco antes de se declarar imperador, “quem salva o seu país não viola nenhuma lei”, para justificar o incumprimento de ordens judiciais); a abdicação do Congresso dos seus poderes; e a intimidação dos meios de comunicação social. Daí a conclusão de que “a velocidade com que a democracia americana está a ser desmantelada não tem precedentes na história moderna”. Ainda assim, os académicos suecos sustentam que a estabilidade dos processos eleitorais permanece e que esse seria um critério distintivo face a antecedentes históricos de esvaziamento institucional e substituição por formas autoritárias. O que, nessa leitura, se afirma é que não há um destino fatalmente escrito que imponha os piores precedentes.

Mesmo assim, esta narrativa do desmantelamento democrático está balizada pela analogia histórica. Pode dizer-se, aliás, que qualquer interpretação de uma fratura de época vive de analogias; neste caso, o inventário de critérios para analisar Trump é estritamente moldado por acontecimentos que, no passado, conduziram a dias inaugurais: repressão social, conjugação de interesses, estado da liberdade de opinião, funcionamento das instituições, separação e contenção de poderes, continuidade da regra eleitoral. O mesmo mecanismo opera no debate atual sobre a natureza e a evolução do trumpismo e de outras forças de extrema-direita.

Somos reféns de um pensamento analógico, que esclarece mas também pode baralhar - e um dos riscos maiores é alimentar um prognóstico fatalista. Há exemplos em abundância: a noção de tecnofeudalismo, em Yanis Varoufakis e Cédric Durand, descreve um poder algorítmico através do referencial territorial e omnipotente dos senhores feudais, para explicar os manipuladores da contemporânea sociedade do ódio. Os conceitos de pós-fascismo, de Enzo Traverso, ou de neofascismo, de Manuel Loff, traçam, por vias distintas, continuidades com a década de 1930. E o argumento de Fernando Rosas sobre a degenerescência do neoliberalismo enquanto caudal social do ressentimento popular - e sobre a adaptação do centro e da direita ao trumpismo - assinala o precedente histórico de entrega do poder aos títeres dessa época.

Estas comparações e distinções são mais do que úteis: são inevitáveis. O historiador luso-francês Ugo Palheta sublinha como, ao longo do tempo, se foi compondo uma mistura de “orgulho nacional, angústia civilizacional e ressentimento racial”, que reconstruiria a cultura social hoje dominante. Se o “fascismo canónico”, na expressão de Rosas, durou entre 1922 e 1945 como movimento internacional (a Portugal restaria a condenação paroquial ao salazarismo e à Guerra Colonial), os movimentos atuais de extrema-direita não repetem mecanicamente o passado, mesmo quando reproduzem traços à medida que ganham influência popular.

A diferença, aliás, é pesada. O “fascismo canónico” surgiu como resposta ao medo da revolução russa e, ainda que triunfasse em algumas potências militares do seu tempo, essas potências eram secundárias face ao hegémon. Hoje, o inquietante é a extrema-direita ocupar a Casa Branca e a necropolítica poder expandir-se no mundo de forma inédita, sem paralelo em conflitos anteriores. O “Hitler americano”, como dele disse um dia o seu atual vice-presidente, J. D. Vance, dispõe de um poder que nenhuma figura anterior alcançou.

Dia a dia antes do dia

Perceber como se exerce esse poder ilumina as outras luzes e sombras da analogia com os anos 30. Um primeiro elemento de continuidade é o discurso sobre o declínio da civilização branca e a urgência de restaurar homogeneidade e dominação racial. As guerras culturais - tão instrumentais na fabricação de eleitorados, verdadeiro manual sobre como a política “cria” o seu povo - são a forma mais pedestre dessa ofensiva ideológica, apropriando-se de medos íntimos e públicos: cor da pele, masculinidade, sexualidade, autoconfiança.

Trata-se, no fundo, de um identitarismo do dominador: um conforto espiritual para a estrutura hierárquica de uma sociedade fragmentada, que gera um grau de devoção próximo da religiosidade fanática. O homem que o “Tempos de Nova Iorque” descreve como “o mais influente intelectual de direita dos últimos 20 anos”, o magnata Peter Thiel - mentor de Elon Musk e dono da Palantir, gigante da indústria do armamento - dá disso exemplo ao discorrer sobre o Anticristo (que teria encarnado em Greta Thunberg) e, mais prosaicamente, sobre a incompatibilidade entre liberdade e democracia, defendendo que, por isso, a liberdade deve ser sacrificada. A Palantir recebeu contratos do ministério da guerra de Trump no valor de dez mil milhões de dólares, e a emergência de um novo complexo tecnomilitar é uma das evidências da mutação em curso no capitalismo tardio.

A este discurso tremendista corresponde uma outra peça: a compressão da liberdade de imprensa. Brendan Carr, escolhido por Trump para chefiar a Comissão Federal das Comunicações, ameaçou retirar licenças a televisões que critiquem o seu patrão por causa da guerra com o Irão e, com ainda mais zelo, Trump tem avançado com processos contra órgãos de comunicação social que não o veneram. Foi assim no primeiro mandato, com ações contra o Post de Washington e o Tempos de Nova Iorque, que perdeu; no segundo, ameaçou a ABC e a CBS por terem entrevistado opositores, e de ambas recebeu 16 milhões de dólares. Processou a Meta, o X e o YouTube por terem suspendido contas trumpistas devido ao ataque ao Capitólio e, de uma recebeu 25, de outra 10 e da terceira mais 25 milhões de dólares. Decorrem processos em que exige dez mil milhões ao Jornal da Rua Wall e mais 15 ao Tempos e à Penguin por um livro crítico. Um outro processo coloca sob ameaça a BBC; alguns apresentadores de entretenimento foram (Jimmy Kimmel) ou serão afastados a curto prazo (Stephen Colbert); e a família Ellison, sua aliada, comprou a Paramount e a CNN. O resultado desta ofensiva foi a fidelização jurada dos tecno-oligarcas.

A própria Casa Branca estimula um culto de personalidade que já não surpreende. O principal centro cultural de Washington, o Centro Kennedy, foi rebatizado Kennedy-Trump. Bandeiras com a fotografia do Presidente são exibidas nas fachadas de edifícios estatais. Funcionários públicos têm sido afastados por não declararem obediência ideológica. No exercício discricionário do seu poder, Trump perdoou penas a 1500 atacantes do Capitólio e a vários milionários cripto condenados por branqueamento de capitais; perseguiu agentes do FBI que os investigaram; empurrou o Departamento de Justiça para atacar adversários; despediu reguladores, incluindo alguns nomeados pelo Congresso e, portanto, fora do âmbito do seu mandato; demitiu 270 mil funcionários públicos - e obteve a complacência de uma maioria parlamentar obediente até ao fervor, pronta a segui-lo em todas as idiossincrasias, como a anulação do financiamento a investigações na saúde e, em particular, de vacinas, ou o corte de 35% nos fundos para a ciência e para as universidades.

Os dourados do novo salão de baile na Casa Branca e a evocação da preferência presidencial pela imponência arquitetónica neoclássica completam esta corrida para a analogia com os anos 30. A faceta bufónica de Trump - que tem alimentado, de forma errada, analogias patologizantes, reduzindo a política a alucinação - ganha consistência como uma espécie de Ubu Rei, disponível para a guerra “por diversão”, como afirmou há pouco.

A guerra infinita, ou necropolítica, é a terceira face do trumpismo. Também aqui a analogia soa familiar: assim se fabricou o nazismo, mobilizando um ódio exterminista para legitimar limpeza étnica, orgulho nacionalista e o sacrifício da guerra mundial. Contudo, a singularidade histórica impõe-se à semelhança. No caso de Trump, há duas guerras: uma de baixa intensidade contra as cidades democratas, num palco mal sucedido de treino de uma milícia que passará a ter mais de 60 mil efetivos, o ICE, e que se move para produzir pavor social pela aproximação a um estado de sítio não declarado; e uma ameaça externa com fins económicos (o protetorado na Venezuela com o sequestro de Maduro), estratégicos (avisos à Gronelândia, Panamá, Canadá, México e Cuba) e propagandísticos (intimidação contra o Brasil, África do Sul e Espanha), sobretudo para alimentar a expansão territorial de um genocida, Netanyahu - com luz verde para a chacina em Gaza, a ocupação de parte do Líbano, a guerra contra o Irão e o assassínio dos seus dirigentes.

Em todo o caso, o anúncio da fundação de uma nova ordem internacional, tutelada pelo Conselho da Paz, de que Trump é presidente vitalício, é a formulação mais intensa em que se reconhece um milenarismo semelhante ao dos anos 30 - com a diferença notável de que, aqui, não se trata apenas de proclamação: sob essa tutela, parte do mundo já vive.

O novo mandonismo

Há ainda outra face da analogia. No passado, alavancado pelo apoio da grande indústria ao ascenso do nazismo, o regime hitleriano instrumentalizou-a para fins belicistas e, assim, impôs um comando absoluto: transformou a estrutura produtiva, submeteu e destruiu algumas empresas e favoreceu outras. Trump atua de forma mais articulada em três planos, com uma coerência que só é disfarçada pelo carácter atrabiliário e movediço dos seus estados de alma: estatiza uma parte da economia (a compra de 10% da Intel, a imposição de uma quota de controlo na US Steel e de participação em empresas de mineração de lítio e de terras raras e na defesa, a reivindicação do direito de compra na Westinghouse); em simultâneo, canaliza para empresas-estrela, familiares e aliados um fluxo de financiamento (naquilo a que, de forma ubuesca, chamou a “Bela e Grande Lei”, transferem-se 2,3 biliões de dólares para os 10% do topo da escala de rendimentos); e tenta ainda impor, através de tarifas alfandegárias, uma relocalização e promoção da indústria norte-americana.

O Presidente não se limita a fabricar clientelas nem a incentivar o rentismo dos seus protegidos: está a redesenhar a elite social do país e a reforçar o centro de gravidade da tecno-oligarquia, assente no controlo da comunicação. É assim que o circuito se fecha. Os campeões da economia trumpista são os pilares de um modelo de negócio em que o consumo do próprio consumidor produz uma ilusão de autonomia e, ao mesmo tempo, uma cascata de estímulos mantém uma identidade alienada - criando um poder de mercado mundial sem precedentes.

Este regime de acumulação assenta na narcodependência do gesto de deslizar no ecrã e, por isso, os seus oligarcas se subordinam ao poder da Casa Branca, podendo concluir que a sua própria liberdade é vulnerável perante a democracia de todos.

Chego, por fim, ao último critério do relatório da Universidade de Gotemburgo. Para os autores, como referi, a autocratização dos Estados Unidos - o desmantelamento da democracia americana de uma forma que “não tem precedentes na história moderna” - encontra ainda um limite: o sistema eleitoral e a autoridade da decisão pelo voto continuam de pé. Apesar de ter sido ameaçado pelo não reconhecimento, por Trump, da derrota em 2020, pelo incentivo ao ataque ao Capitólio e pela exoneração dos culpados, ou talvez com consequências mais profundas pela degradação da comunicação política e pela multiplicação de financiamentos a campanhas por grandes fortunas, o sistema eleitoral continua a impor-se.

O chefe da Comissão Federal das Comunicações ameaça retirar licenças às televisões que critiquem o seu patrão a propósito da guerra com o Irão

No entanto, a proximidade das eleições intercalares, em novembro deste ano, acelerou manobras destinadas a restringir o próprio sistema de voto. A mais visível é a nova vaga de manipulação partidária dos círculos eleitorais, redesenhando-os para obter vantagem: os republicanos esperam garantir mais 14 lugares por este expediente (no Texas, Missouri, Carolina do Norte e Ohio, e possivelmente Flórida e Indiana) e os democratas mais nove (Califórnia e Utah, e possivelmente Maryland e Virgínia).

Além disso, Trump tenta impor à sua maioria no Congresso uma nova lei que altere as regras do voto, a “Lei Salvar a América” (a hiperbolização do discurso é um dos traços mais disneyficantes da política da Casa Branca), alegando que serviria para travar fraudes - embora tenha sido o próprio Trump a tentar fabricar uma em 2020. Resta saber se o projeto passará: com alguma astúcia, deputados republicanos preferem a vantagem de promessas fiscais e monetárias para o bolso dos eleitores, receando que mesmo um sistema viciado não resista a uma vaga avassaladora de descontentamento contra a inflação e o empobrecimento.

Seja pela via da restrição e truque eleitoral, seja pela reativação das guerras culturais e do discurso identitarista anti-imigração para mobilizar a base, seja pela instrumentalização da guerra e pela hiperbolização necropolítica como urgência que exige obediência total ao chefe, só um reforço abissal do autoritarismo permitiria a Trump confirmar a extensão do seu poder. Com a atual concentração totalizante de poderes, essa é a tentação que se vive na Casa Branca, onde a corte sugere a continuidade de Trump na presidência - ou de alguém que acelere o seu movimento ubuesco -, convocando o dia inaugural de um estado de emergência governado pelo medo. Estamos longe disso? É certo que Trump já fracassou espetacularmente no primeiro mandato. Mas essa derrota apenas o extremou e deu-lhe apoio entre elites que antes o desprezavam e que agora se inclinam perante o mando absoluto. O que os últimos meses mostraram, em todo o caso, é que a aceleração dos perigos vai banalizando o que parecia impossível.

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