O Ford Kuga PHEV conseguiu fazer mais quilómetros em modo 100% elétrico do que eu antecipava.
O Ford Kuga híbrido de carregamento externo (PHEV) tem sido um dos automóveis mais procurados na Europa entre os modelos com esta tecnologia. Chegou a liderar as tabelas de vendas durante três anos seguidos e, em 2026, tem disputado essa posição com o BMW X1 e o Volvo XC60.
Para manter o modelo atual e desejável, a Ford refrescou a imagem e reforçou a componente tecnológica. À frente, surgem novos faróis e uma assinatura luminosa diferente, além de a oval azul passar a estar posicionada ao centro da grelha. Já na traseira, o traço geral mantém-se praticamente como antes.
Entre as alterações mais relevantes desta atualização do Ford Kuga está também a chegada da versão Active, com um caráter mais aventureiro. Traz proteções em plástico nas cavas das rodas, para-choques com resguardos inferiores mais robustos e proteções inferiores laterais com o mesmo estilo. As jantes de 20” rematam o conjunto, embora estejam disponíveis apenas como opcional.
Aposta na tecnologia
No interior, o Ford Kuga continua muito familiar face ao modelo anterior a esta atualização. Até o painel de instrumentos, já totalmente digital, recebeu sobretudo um grafismo revisto, com possibilidade de personalização.
A diferença mais evidente está no novo ecrã central tátil, que aumentou mais de 50%: passou de 8” para 13,2”. Em paralelo, com o sistema SYNC 4, a conectividade deu um salto - tanto com os equipamentos no interior, via Apple CarPlay ou Android Auto, como com o exterior, graças a um modem 5G e a atualizações remotas (OTA).
Também o ambiente gráfico foi afinado: ficou mais direto de usar e oferece uma personalização leve, suficiente para adaptar atalhos e preferências ao gosto de cada condutor.
No capítulo da habitabilidade, não há mudanças. A posição de condução continua bem conseguida e os lugares traseiros permanecem generosos, com a possibilidade de ajustar os bancos longitudinalmente (15 cm de ajuste). Assim, pode privilegiar-se o espaço para as pernas atrás ou aumentar a capacidade da bagageira, que pode atingir 536 litros.
Sistema híbrido ainda mais eficiente
O conjunto híbrido de carregamento externo do Ford Kuga combina um motor a gasolina de quatro cilindros, com 2,5 l, a trabalhar segundo o ciclo Atkinson (mais eficiente), com um motor elétrico. Em conjunto, entregam 243 cv de potência máxima combinada. São mais 19 cv do que anteriormente, diferença explicada pelas evoluções na caixa automática (CVT).
A força é transmitida às rodas dianteiras e, de acordo com a Ford, a autonomia em modo exclusivamente elétrico fica a 1 km dos 70 km, suportada por uma bateria com 14,4 kWh.
No papel, estes números podem não impressionar, mas na utilização diária o sistema híbrido de carregamento externo deste Kuga é particularmente lógico. Tendo acesso a carregamento em casa ou no trabalho, torna-se fácil passar dias sem pensar que existe um motor de combustão sob o capô.
Apesar de o ensaio ter decorrido durante alguns dias (e não ao longo de semanas com percursos mais variados), foi simples alcançar em modo 100% elétrico um máximo de 67 km de autonomia, mesmo com alguns quilómetros feitos em autoestrada.
Para chegar a esse valor, o ar condicionado foi usado sempre que necessário, houve atenção ao aproveitamento da travagem regenerativa e, naturalmente, sem excessos no pedal da direita. No final, o resultado ficou muito próximo do anunciado pela marca.
Eficaz, mesmo sem energia
Sem acesso (fácil) a um ponto de carregamento, um híbrido de carregamento externo perde parte do seu propósito - nesse cenário, poderá fazer mais sentido escolher o outro Kuga híbrido (FHEV ou Veículo Elétrico Híbrido Completo), que dispensa carregamentos.
Ainda assim, mesmo quando a bateria do Kuga PHEV fica sem carga, o sistema continua de «mangas arregaçadas» a otimizar o que consegue, recuperando energia em cada travagem ou desaceleração.
Mesmo com a instrumentação a indicar 0 km de autonomia elétrica, o Ford Kuga circula muitas vezes - e durante algum tempo - com o motor de combustão desligado. Além disso, as manobras de estacionamento são, na maioria das vezes, feitas em silêncio e em modo 100% elétrico.
Por essa razão - ao contrário do que sucede com alguns sistemas equivalentes - o consumo de gasolina não dispara para valores absurdos.
No fecho do teste, com mais de 375 km realizados, perto de 230 km foram percorridos com o motor de combustão desligado. O consumo médio apurado foi de apenas 3,8 l/100 km, um resultado muito positivo para um motor a gasolina com 2,5 l, quase 250 cv e um conjunto a rondar as duas toneladas.
Com a bateria carregada, cheguei a ver em cidade, com trânsito intenso, apenas 1,6 l/100 km. Isto ao longo de 23 km, dos quais 19,4 km foram feitos em modo elétrico.
Kuga Active num plano mais elevado
Se a eficiência do sistema híbrido de carregamento externo surpreendeu, o comportamento dinâmico também o fez. Os 243 cv combinados jogam a favor do conjunto; já a caixa automática de variação contínua não entusiasma tanto. Ainda assim, em termos de sonoridade, não se torna intrusiva nem desagradável.
O trabalho do chassis e da direção está ao nível do que é habitual na Ford. E mesmo sendo um Active, com maior altura ao solo - 10 mm à frente e 5 mm atrás -, o Kuga continua a transmitir confiança. A carroçaria move-se de forma previsível e fácil de gerir, o que torna este SUV até divertido de conduzir.
Preço da eficiência
Se os elétricos continuam num patamar de preço elevado, os híbridos de carregamento externo não ficam muito longe. Em Portugal, há ainda o fator do ISV, cujo cálculo penaliza cilindradas mais altas - e os 2,5 l do Kuga não ajudam. Ainda assim, existe uma atenuante: os híbridos de carregamento externo pagam apenas 25% do valor total do ISV.
O Ford Kuga PHEV começa nos 490726 euros, mas já no nível de equipamento ST Line. No patamar Active X - o ensaiado e o mais completo de quatro níveis disponíveis -, o preço passa para 530753 euros. O verde da carroçaria (Verde Explosivo), como o da unidade testada, faz parte do equipamento de série, ou seja, não tem custo extra.
A unidade deste ensaio incluía ainda alguns opcionais. Destacam-se as jantes de liga leve de 20”, o teto de abrir panorâmico e os pacotes Inverno e Segurança. Este último acrescenta faróis LED dinâmicos, projeção de informação no para-brisas e alarme.
Feitas as contas, o Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEV aqui testado fica em 570208 euros. Para que o valor não seja tão «duro», à data de publicação deste ensaio a Ford indicava uma campanha em vigor que reduz este montante para cerca de 480500 euros.
O preço é alto, mas está em linha com propostas comparáveis neste segmento.
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