Saltar para o conteúdo

Licenças da Menzies nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro prolongadas até 25 de outubro do verão IATA

Avião da TAP Air Portugal estacionado no aeroporto com trabalhador de colete amarelo em primeiro plano.

Vão ser tomadas medidas para evitar que a assistência em escala nos principais aeroportos portugueses se transforme num problema durante o verão: as licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro atribuídas à Menzies Aviation Portugal/SPdH - o atual prestador do serviço -, que terminavam a 19 de maio, serão estendidas até ao final do chamado “verão IATA”, em outubro, apurou o Expresso. Entretanto, o Governo indicou que a prorrogação das licenças se mantém até 25 de outubro.

Licenças da Menzies em Lisboa, Porto e Faro prolongadas até 25 de outubro

O Ministério das Infraestruturas, liderado por Miguel Pinto Luz, explica, em comunicado, que esta extensão pretende "assegurar a estabilidade operacional no verão IATA nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro" e "dar tempo para que seja ultrapassada litigância do concurso para atribuição de novas licenças". Acrescenta ainda que "o processo em articulação com entidades competentes e entende que transição deve salvaguardar as posições dos trabalhadores".

Contencioso do concurso e demora na entrada do novo operador

Em divergência com a decisão do júri, presidido pela ANAC - Autoridade Nacional da Aviação Civil, a Menzies avançou com uma providência cautelar para contestar a deliberação, com efeitos suspensivos, à qual o regulador teria de responder até esta segunda-feira, 4 de maio. Independentemente do desfecho deste processo e mesmo que o consórcio Clece/South obtenha autorização para avançar e pretenda fazê-lo, a convicção do regulador, segundo apurou o Expresso, é que depois de resolvido o contencioso haverá sempre um intervalo entre um ano e um ano e meio até o novo prestador iniciar a operação.

É a segunda vez que o Executivo decide prolongar a licença da Menzies após o concurso ter apontado a espanhola Clece/South como vencedora. A intenção do Governo é assegurar a continuidade do serviço enquanto decorre o concurso e o contencioso judicial associado à nova adjudicação.

Acordo TAP–Menzies para a posição de 49,9% na SPdH

Na semana passada foi formalizado um acordo que permite à TAP vender até junho a participação de 49,9% que detém na SPdH à Menzies. Esta operação já estava prevista no plano de recuperação da ex-Groundforce, mas a conclusão ficou comprometida depois de, em janeiro, a empresa ter perdido o concurso para prestar os serviços durante os próximos sete anos.

TAP vai contratar a Menzies se avançar com autoassistência

A transição entre operadores será prolongada. Sendo a assistência em escala um serviço crítico para as companhias aéreas - e, neste caso, especialmente para a TAP -, a transportadora tem estado, há meses, como o Expresso já noticiou, a preparar uma operação de autoassistência (na qual a própria companhia assegura as licenças de assistência aeroportuária, como já acontece, por exemplo, com a Ryanair). Ainda assim, se esta via avançar, a TAP contratará o serviço à Menzies, existindo já um entendimento com a empresa nesse sentido. A concretizar-se, a Menzies utilizará as licenças de que a TAP dispõe para o efeito.

Entretanto, na Menzies têm-se vivido dias de maior tensão, com os trabalhadores a lidarem com um clima de incerteza quanto ao futuro. Alguns, sobretudo quem trabalhou por turnos, registaram irregularidades no processamento salarial, associadas a problemas no novo sistema de pagamento. A Menzies passou a assumir o pagamento dos salários no final do ano passado - uma tarefa que até aí era assegurada pela TAP - e nem sempre o procedimento decorreu sem falhas; sempre que são detetados problemas, a situação é corrigida. Em causa estão erros em acertos que exigem regularizações, incluindo subsídios de transporte, subsídios de alimentação, trabalho extraordinário, correção de ausências, entre outros.

A contestação apresentada pela Menzies, que detém 50,1% da SPdH, está relacionada com a estrutura e com a forma como o concurso foi conduzido. A Menzies discorda do desenho do processo concursal, sustentando que este “não reflete adequadamente” a dimensão operacional, a complexidade e os requisitos de segurança inerentes às atividades de assistência em escala nos aeroportos portugueses com maior tráfego.

A empresa coloca ainda em causa o modelo de transição entre o atual operador e o futuro operador, alegando que não é realista nem suficientemente robusto, tendo em conta a transferência de trabalhadores, o conhecimento operacional e recursos críticos. A SPdH tem 3700 trabalhadores nos quadros.

Notícia atualizada com informação do Governo sobre a renovação das licenças.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário