Enquanto milhares de peregrinos seguem a pé rumo ao Santuário de Fátima para as celebrações de 13 de maio, os itinerários que convergem para a Cova da Iria mantêm, em geral, um funcionamento dentro da normalidade, apesar dos danos deixados pelas tempestades que atingiram o país no início do ano.
A Associação Caminhos de Fátima diz ao Expresso não ter conhecimento de cortes ou interrupções nos principais percursos certificados. A secretária-geral, Catarina Silva, sublinha: “Relativamente aos caminhos que estão sob a nossa responsabilidade, o Caminho do Centenário e a Rota Carmelitana, não há registo de troços cortados nem de situações de intransitabilidade”.
Desvio em Pombal e passagem pelo IC2
Apesar desse cenário globalmente estável, há situações pontuais. Em Pombal, um passadiço no corredor ribeirinho ficou afetado na sequência da queda de árvores, o que obrigou a alterar a passagem dos caminhantes. Catarina Silva detalha: “Isso obriga os peregrinos a fazer um pequeno troço pelo IC2 antes de retomarem o caminho habitual”.
“Estamos a trabalhar para retirar os peregrinos do IC2”
O IC2 continua a ser a via onde se concentra um grande número de peregrinos, sobretudo os que vêm do Norte, num trajeto que, muitas vezes, começa em Valença e só termina em Fátima. Catarina Silva assinala que “Apesar de existir um caminho paralelo mais seguro, a verdade é que muitos peregrinos continuam a utilizar o IC2”.
A dirigente reconhece que a mudança de hábitos é lenta: “Estamos a trabalhar há vários anos para retirar os peregrinos do IC2, mas é um processo gradual. Não conseguimos, no imediato, tirar todos os peregrinos”. Ainda assim, acrescenta que a estrada “está perfeitamente circulável” e que “não existem troços cortados”.
Caminho do Centenário e Rota Carmelitana: condições no terreno
A alternativa ao IC2 está definida e identificada: o Caminho do Centenário, criado para oferecer uma opção mais segura, afastando os peregrinos da estrada nacional e encaminhando-os para um traçado pensado para caminhar. No entanto, a adoção deste percurso não acontece de um dia para o outro.
Como nota Catarina Silva, “Esse percurso implica, em alguns casos, mais oito quilómetros e atravessa zonas mais rurais, sem iluminação e que ainda não estão preparadas para receber grandes grupos”.
Para lá do Caminho do Centenário, existe também a Rota Carmelitana na rede de percursos certificados. Sobre esta opção, a secretária-geral garante: “É mais rural e atravessa zonas como a Serra de Sicó, mas também não há atualmente constrangimentos relevantes. Os caminhos estão desimpedidos”.
No terreno, a atuação passa sobretudo pela articulação com as autarquias, que asseguram a manutenção dos caminhos e a reposição da sinalética. Catarina Silva explica: “O nosso papel é fazer a ponte com os municípios e apoiar essa gestão, tanto na parte logística como na promoção dos caminhos”.
Nesta fase do ano, com a subida do número de pessoas em marcha, essa coordenação torna-se mais intensa e a pressão sobre o território é mais evidente. Mesmo quando o trajeto efetivo não coincide totalmente com o previsto, o objetivo mantém-se. “Estamos todos a trabalhar para que os peregrinos cheguem a Fátima em segurança”, afirma.
Peregrinos estrangeiros em maioria
O Santuário de Fátima prepara-se para acolher milhares de fiéis. Até agora, estão registados 138 grupos, que totalizam 6301 peregrinos, oriundos de 28 países, segundo os dados enviados ao Expresso.
Os participantes vindos do estrangeiro são a maioria: 94 grupos e 3544 peregrinos. Do lado português, contam-se 44 grupos e 2757 pessoas, das quais 33 fazem o percurso a pé. Entre as principais origens internacionais estão a Polónia, Itália, França, Brasil e México.
Operação “Peregrinação Segura 2026” até 13 de maio
Este ano, a GNR reforçou o apoio prestado aos milhares de peregrinos em deslocação para Fátima, numa operação em curso até 13 de maio. A iniciativa designada “Peregrinação Segura 2026” está organizada em duas fases, começando pelo acompanhamento dos grupos em trânsito e pela prevenção de acidentes nas principais vias de acesso, com mais patrulhamento e ações de sensibilização no local.
De acordo com a força de segurança, os pontos mais críticos terão vigilância permanente e haverá acompanhamento direto de peregrinos, com o propósito de reduzir os riscos em estradas com tráfego intenso e bermas estreitas. A operação prevê igualmente a utilização de ferramentas digitais de alerta em tempo real e, nos dias das celebrações, o reforço do policiamento nas imediações do Santuário, bem como a gestão dos fluxos de entrada e saída do recinto.
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