Reacção da Amnistia Internacional
A Amnistia Internacional assinalou este domingo a libertação do ativista hispano-palestiniano Saif Abuskeshek e do brasileiro Thiago Ávila, considerando-a "uma exceção na política de detenções arbitrárias de Israel".
"É uma notícia encorajadora para os direitos humanos que repara, de certa forma, a injustiça da sua detenção pelas autoridades de Israel", afirmou o diretor da Amnistia Internacional em Espanha, Esteban Beltrán.
Segundo a organização, é "essencial" que as denúncias de tortura apresentadas pelos ativistas sejam apuradas e que os responsáveis não fiquem impunes. A Amnistia Internacional defendeu ainda que a frota de embarcações possa continuar "a sua missão humanitária pacífica, a salvo de intimidações e ataques".
Entretanto, Abuskeshek - membro da Flotilha Global Sumud - segue este domingo num voo para Espanha, depois de as autoridades israelitas o terem libertado seis dias após a sua detenção numa prisão no sul de Israel. O ativista tinha sido intercetado e preso pela Marinha israelita numa operação realizada em águas internacionais.
Detenção foi ilegal
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, confirmou que o avião em que Saif Abuskeshek viaja tem aterragem prevista para as 12.10 no Aeroporto Adolfo Suárez-Madrid Barajas e indicou que "a priori, dadas as terríveis circunstâncias que teve de viver, encontra-se bem".
"Ainda esta manhã poderá reunir-se com a sua esposa e com todos os seus entes queridos", acrescentou Albares, numa conferência de imprensa em que voltou a sublinhar que a detenção, por ter ocorrido em águas internacionais, foi "ilegal", já que "nenhum agente israelita tem qualquer jurisdição" nessa zona.
A advogada do Centro de Direitos Humanos Adalah, Hadeel Abu Salih, confirmou também à agência de notícias espanhola EFE a libertação dos dois ativistas, relatando que ambos foram interrogados durante horas, sem que tenham sido formalizadas acusações.
"Isto vem dizer a qualquer pessoa: se simpatizares com a Palestina, Israel irá punir-te por manifestares a tua solidariedade. Mesmo que Israel não tenha autoridade ou poder para o fazer. Vimos como o direito internacional e o Estado de direito foram esmagados para que Israel enviasse esta mensagem", declarou Hadeel Abu Salih.
"Espancados, torturados e ameaçados"
Nas declarações da advogada notou-se algum alívio pela decisão de Israel de libertar os dois ativistas da flotilha, que dizem ter sido "espancados, torturados e ameaçados pelas autoridades israelitas durante estes dias". Ainda assim, esse sentimento foi acompanhado pela "preocupação de que desta vez Israel tenha ido um passo além".
"Nunca teríamos imaginado que Israel os iria sequestrar em águas internacionais", disse Abu Salih, referindo-se à interceção das embarcações e à detenção dos ativistas - que procuravam quebrar o bloqueio naval israelita sobre a Faixa de Gaza - numa operação conduzida pela Marinha israelita ao largo da costa de Creta, a mais de mil quilómetros do enclave palestiniano devastado.
Quanto à notificação de libertação e deportação de Abuskeshek e Ávila, a advogada explicou que o Shin Bet (a agência de inteligência interna israelita) lhes transmitiu no sábado que sairiam do país e os encaminhou para a Autoridade de Imigração e População (PIBA) de Israel, mas que esta não respondeu.
Durante os seis dias em que estiveram detidos, Abuskeshek e Ávila não foram formalmente acusados e estavam sujeitos a uma detenção até 30 dias, como prevê a legislação israelita para pessoas em processo de interrogatório.
Flotilha Global Sumud para Gaza
A Flotilha Global Sumud com destino a Gaza era, no início, composta por cerca de cinquenta barcos e, de acordo com os organizadores, pretendia romper o bloqueio israelita ao território palestiniano devastado pela guerra e entregar ajuda humanitária, que continua a ser severamente limitada.
Do total de cerca de 170 ativistas que integravam a flotilha, contavam-se três portugueses.
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