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Luís Montenegro usa os 52 anos do PSD para avisar na véspera da Concertação Social e do pacote laboral

Homem a falar num pódio perante audiência com bandeiras de Portugal e balões laranja na sala.

Nas vésperas da reunião “decisiva” da Concertação Social sobre o pacote laboral, Luís Montenegro usou a celebração dos 52 anos do PSD para deixar um aviso: o país não pode ficar preso ao imobilismo e, aconteça o que acontecer, o Governo “não vai desistir”, como se já antecipasse o resultado das negociações.

No palco, o líder social-democrata enumerou entendimentos alcançados ao longo dos últimos meses e apresentou-os como prova de persistência política. “Um Governo que já chegou a mais de 42 acordos com os sindicatos da administração pública, um Governo que já chegou a mais de cinco acordos estruturais com o setor social, um Governo que tem compromissos com a valorização salarial, um Governo que tem tido o reconhecimento internacional por conjugar a baixa dos impostos sobre os rendimentos do trabalho com o aumento dos salários, é um Governo que, obviamente, não vai desistir. Obviamente vai continuar concentrado e focado em dar ao país mais instrumentos para o país ser produtivo e competitivo”, garantiu.

Concertação Social e pacote laboral: recado de Luís Montenegro

Ao colocar a tónica noutras frentes - como a reforma do Estado, a fiscalidade e a Saúde -, Montenegro anunciou ainda que, esta quinta-feira, o Conselho de Ministros irá aprovar alterações no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na mesma linha, insistiu que o Executivo já foi flexível e que não admite bloqueios. “Nós já demos muitas mostras de cedência, muitas mostras de transigência. Nós o que não podemos é ficar reféns da intransigência ou ficar reféns do imobilismo. Para isso, ai para isso, vão contar com um PSD muito ativo, um PSD muito proativo e um PSD muito combativo”, atirou, antes de subir ao andar de cima para apagar as velas do aniversário do partido.

Na plateia da Fábrica de Unicórnios, no Beato, estiveram vários ministros. Ainda assim, ficou por ocupar a cadeira destinada à ministra do Trabalho, Rosário da Palma Ramalho. Já o ministro da Administração Interna, Luís Neves - que não é militante - marcou presença.

No final da intervenção, já com o discurso de líder partidário indissociável do de primeiro-ministro, Montenegro projetou a marca que este ciclo político deixará. “período governativo vai marcar tanto a história de Portugal como os grandes períodos governativos dos nossos 52 anos”. “Podem ter a certeza. E vai marcar... E vai marcar porque foi isso que o povo português quis e é isso que o povo português quer”.

Imagem de Portugal, viagem à Alemanha e privatização da TAP

Durante uma parte significativa do discurso, Montenegro queixou-se da diferença entre a perceção interna e externa do país. “Devo dizer-vos, efetivamente que em Portugal não se tem a noção exata daquilo que os outros pensam de nós lá fora. Nós valemos muito mais de fora para dentro do que de dentro para dentro ou de dentro para fora. É talvez uma sina portuguesa, é talvez um destino português, lamentou, antes de abordar a deslocação feita esta terça-feira à Alemanha.

A partir dessa visita, defendeu que a reputação do país pode ter efeitos económicos concretos. “Eu não sei medir, mas sei dizer-vos, vai haver, está a haver, efeitos muito positivos da imagem que nós temos de Portugal espalhada pela Europa e espalhada pelo Mundo. Vai haver mais do que nunca, não há dúvida, e há muitos exemplos que eu podia aqui dar de investimentos que já estão projetados e outros que serão anunciados oportunamente, mas até há um que está no perímetro da decisão também do Governo, que é a privatização da nossa companhia aérea”, afirmou o primeiro-ministro.

Entretanto, esta quarta-feira, a Lufthansa garantiu que mantém o interesse na TAP apesar da crise no Médio Oriente.

“Não nos deixem ficar mal” - o pedido da militante nº2 do PSD

Marcelo Rebelo de Sousa regressou a iniciativas partidárias após 10 anos como Presidente da República, mas sem abdicar do compromisso de não comentar a atualidade política. “Não foi hoje ainda que ganhei a aposta que fiz consigo”, disse Montenegro, numa referência à aposta que fizeram antes de Marcelo deixar a Presidência da República. “Não podendo expressar as suas opiniões, mas vamos contar consigo”, acrescentou.

Na comemoração dos 52 anos do PSD, apenas dois antigos líderes estiveram na Fábrica de Unicórnios do Beato, em Lisboa: o ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ex-candidato presidencial Luís Marques Mendes. Marcelo subiu ao palco, mas limitou-se a contar episódios do passado e da fundação do partido para assinalar a convidada de honra: Conceição Monteiro, militante número dois e antiga secretária de Francisco Sá Carneiro, figura que atravessou várias lideranças e que, aos 92 anos, mostrou continuar atenta.

Quando tomou a palavra, com Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa ao lado, contou que continua a enviar mensagens aos líderes quando acha que “vão pelas linhas certas”, mas quando está “triste”, nada diz. “Não nos deixem ficar mal”, pediu. "O partido não merece”. Montenegro, que afirmou receber essas mensagens de Conceição Monteiro há vários anos, comprometeu-se a “continuar a fazer bem”.

Na intervenção, Montenegro evocou também Francisco Pinto Balsemão, militante número um do partido: “Nã

ão está pela primeira vez connosco”, mas - assegurou - “o seu exemplo e legado constam das páginas douradas do PSD”.

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