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Shakira junta dois milhões em concerto na Praia de Copacabana no Brasil

Cantora a atuar numa praia ao pôr do sol com multidão a acenar bandeiras do Brasil e a usar luzes de telemóveis.

Dois milhões de pessoas reuniram-se para um concerto com encontros inéditos e uma ligação forte ao Brasil, numa noite marcada por um atraso devido a uma questão familiar da cantora colombiana.

Shakira transforma a Praia de Copacabana num megapalco

Tal como estava previsto, a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, converteu-se, na noite passada, num dos maiores palcos ao ar livre do mundo: cerca de dois milhões de pessoas, de acordo com a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, acompanharam o concerto de Shakira. O que se viveu foi um encontro de dimensão rara entre música global, cultura popular brasileira e uma carga emocional capaz de atravessar gerações.

A atuação arrancou já depois das 23 horas, com a artista colombiana a entrar em cena num visual inspirado nas cores do Brasil. "La Fuerte" e "Girl Like Me" deram início ao espetáculo com coreografias intensas e um ritmo acelerado, alinhado com a estética da digressão "Las Mujeres Ya No Lloran". O atraso ficou a dever-se a uma questão familiar relacionada com o pai de Shakira.

Alinhamento entre êxitos e momentos de maior proximidade

O alinhamento percorreu diferentes etapas da sua carreira, e temas como "Las de la Intuición", "Whenever, Wherever" e "Hips Don"t Lie" foram cantados em coro por uma multidão que ocupava toda a extensão da praia. "Estoy Aquí" surgiu numa leitura mais contida, gerando um dos primeiros instantes de maior proximidade emocional da noite.

A vertente mais íntima intensificou-se com "Acróstico", dedicada aos filhos Milan e Sasha e acompanhada por imagens projetadas nos ecrãs gigantes - um momento de silêncio coletivo que contrastou com a escala do evento.

Shakira voltou depois às origens com "Pies Descalzos, Sueños Blancos" e "Antología", apresentadas em versão acústica, num segmento em que a voz e a interpretação mais depurada do repertório estiveram no centro.

Encontros em palco

As participações especiais reforçaram o cruzamento de estilos e gerações, com o palco a assumir-se como ponto de encontro entre diferentes geografias musicais. Anitta juntou-se a Shakira em "Choka Choka", num pico de energia partilhada entre duas referências da pop latina contemporânea.

Num registo mais contido, Caetano Veloso interpretou "Leãozinho", levando ao espetáculo uma leitura intimista que contrastou com a dimensão do recinto. Maria Bethânia, acompanhada pela bateria da Unidos da Tijuca, cantou "O Que É, O Que É?", de Gonzaguinha, numa referência direta à tradição musical brasileira. Já Ivete Sangalo voltou a dividir o palco com Shakira em "País Tropical", retomando uma parceria iniciada no Rock in Rio de 2011.

O segmento terminou com Raphael Vicente em "Waka Waka (This Time for Africa)", num registo mais contemporâneo que aproximou o espetáculo de novas linguagens digitais e de públicos mais jovens.

Shakira dedicou o concerto a mais de 20 milhões de mães solteiras no Brasil e incluiu-se nesse universo ao introduzir "Soltera", num gesto de leitura pessoal e coletiva. A cenografia destacou-se por uma estrutura de lobo e por projeções aéreas, reforçando um universo simbólico associado à força e à identidade.

Depois de mais de duas horas de espetáculo, o fecho aconteceu com "She Wolf" e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53", com Shakira a reafirmar uma ligação construída ao longo de quase três décadas com o público brasileiro.

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