A Spirit Airlines, transportadora aérea norte-americana que marcou o setor com campanhas publicitárias arrojadas e tarifas extremamente baixas, anunciou o fim da atividade ao fim de 34 anos.
A companhia de ultra baixo custo - conhecida pelos seus aviões amarelos - chegou a realizar centenas de voos por dia e a empregar cerca de 17 mil pessoas. Em comunicado, informou que tinha "iniciado um encerramento ordenado das suas operações, com efeito imediato".
Encerramento imediato da Spirit Airlines e voos cancelados
No seu sítio na Internet, a empresa indicou que todos os voos foram cancelados e que o serviço de apoio ao cliente deixou de estar disponível.
"Estamos orgulhosos do impacto do nosso modelo de ultra baixo custo na indústria ao longo dos últimos 34 anos e esperávamos continuar a servir os nossos clientes durante muitos anos", lê-se na nota.
O que acontece com os clientes: reembolsos sem remarcações
A transportadora aconselhou os clientes a aguardarem pelos reembolsos, mas alertou que não irá prestar assistência na marcação de viagens com outras companhias aéreas.
A ausência da Spirit deverá ser sentida com maior intensidade por quem é mais sensível ao preço e por passageiros de lazer, sobretudo em destinos onde a companhia tinha uma presença forte, como Las Vegas e cidades da Florida como Fort Lauderdale e Orlando.
De acordo com a empresa de análise de aviação Cirium, a Spirit transportou cerca de 1,7 milhões de passageiros domésticos em fevereiro - aproximadamente menos meio milhão do que no mesmo mês do ano anterior.
A empresa também cortou de forma expressiva a capacidade: este mês, tem cerca de metade dos lugares disponíveis face a maio de 2024.
Resgate público não aprovado e crise financeira prolongada
O encerramento já era antecipado, depois de sexta-feira ter terminado sem a aprovação de um resgate governamental considerado necessário, numa altura em que a empresa atravessava dificuldades financeiras.
Na sexta-feira, o Presidente norte-americano afirmou que a sua administração tinha apresentado uma "proposta final" para uma aquisição financiada por fundos públicos, com o objetivo de travar a falência da companhia, mas não houve qualquer acordo.
Donald Trump já tinha admitido a possibilidade de um resgate na semana anterior, após a transportadora ter entrado em processo de insolvência pela segunda vez em menos de dois anos, num contexto de subida dos preços do combustível associada à guerra no Irão.
A Spirit enfrenta problemas financeiros desde a pandemia de covid-19, pressionada pelo aumento dos custos operacionais e pelo crescimento da dívida.
Quando avançou com um pedido de proteção ao abrigo do Capítulo 11, em novembro de 2024, a companhia já acumulava prejuízos superiores a 2,5 mil milhões de dólares desde o início de 2020.
Em agosto de 2025, voltou a procurar proteção contra credores, declarando, segundo documentos judiciais, 8,1 mil milhões de dólares em dívidas e 8,6 mil milhões em ativos.
Os defensores de um plano de resgate - incluindo sindicatos que representam pilotos, assistentes de bordo e trabalhadores de pista - sustentaram que o colapso da empresa deixaria milhares de norte-americanos sem emprego e prejudicaria os consumidores, ao diminuir a concorrência no setor e ao fazer subir os preços das passagens aéreas.
De acordo com o advogado da Spirit, Marshall Huebner, cerca de 17.000 postos de trabalho poderão ser afetados.
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