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Pistorius: retirada de 5.000 soldados dos EUA da Alemanha mostra que a Europa deve assumir mais responsabilidade na NATO

Homem de fato fala num púlpito com bandeiras da NATO e Alemanha atrás, e mapa da Europa no ecrã.

Retirada de 5.000 soldados dos EUA da Alemanha: reacção do ministro da Defesa alemão

O ministro da Defesa alemão afirmou, este sábado, que a retirada parcial de militares norte-americanos da Alemanha era algo esperado, mas frisou que o anúncio do Pentágono reforça a necessidade de a Europa assumir uma maior parcela de responsabilidade na garantia da sua própria segurança.

"É claro: no seio da Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO, na sigla em inglês] temos de nos tornar mais europeus para podermos continuar a ser transatlânticos. Por outras palavras: nós, europeus, temos de assumir uma maior responsabilidade pela nossa própria segurança", assinalou Boris Pistorius num comunicado divulgado pelo canal do WhatsApp do Ministério da Defesa alemão, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Na sexta-feira, o Pentágono comunicou que pretende retirar cerca de cinco mil soldados da Alemanha ao longo dos próximos seis a 12 meses. Esta decisão foi anunciada depois de críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre a alegada ausência de uma estratégia de saída de Washington do conflito com o Irão e sobre a "humilhação" a que, na sua opinião, o regime de Teerão submete os EUA.

Pistorius considerou, ainda assim, que o facto de os EUA "retirarem tropas da Europa e também da Alemanha" não surpreende, uma vez que a Administração de Donald Trump já tinha sinalizado que iria reavaliar a presença norte-americana no Velho Continente.

Interesse mútuo e impacto limitado face aos quase 40.000 militares

Apesar disso, o ministro da Defesa alemão defendeu que "a presença de soldados norte-americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do interesse tanto da Alemanha como dos EUA" e observou que retirar cerca de 5.000 soldados representa um contingente reduzido quando comparado com os "quase 40.000 que estão estacionados na Alemanha".

Bases na Alemanha: cooperação em Ramstein, Grafenwöhr e Frankfurt

Segundo Pistorius, EUA e Alemanha mantêm uma cooperação muito próxima na base aérea de Ramstein, no sudoeste do país, em Grafenwöhr, no sudeste, em Frankfurt, no oeste, bem como noutros locais, trabalhando "pela paz e segurança na Europa, pela Ucrânia e pela dissuasão conjunta".

O ministro acrescentou que, do ponto de vista norte-americano, as bases instaladas na Alemanha também têm grande relevância, uma vez que "ali se concentram outras funções militares, por exemplo, para os seus interesses de política de segurança em África e no Médio Oriente".

Em Estugarda estão aquartelados o Comando Europeu dos Estados Unidos (EUCOM) e o Comando para África (AFRICOM).

Mais liderança europeia na NATO e reforço da Bundeswehr, diz Pistorius

Para Pistorius, em qualquer caso, a mensagem subjacente ao anúncio da Administração de Donald Trump é clara: a Europa deve assumir um papel de liderança mais forte na sua própria defesa no âmbito da NATO, como o Presidente norte-americano tem exigido repetidamente.

"A Alemanha está no bom caminho. Estamos a crescer: a nossa Bundeswehr (Forças Armadas) será maior, adquirimos mais material com maior rapidez e apostamos na inovação, além de construirmos mais infraestruturas", afirmou.

Pistorius garantiu igualmente que, em todas as tarefas futuras, a Alemanha vai articular-se de forma estreita com os seus aliados, em particular no quadro do chamado Grupo dos Cinco, isto é, com o Reino Unido, França, Polónia e Itália.

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