BCE mantém a taxa de juro em 2% e adia decisão para junho
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu conservar a taxa de juro de referência da zona euro em 2%. Christine Lagarde explicou que a deliberação foi unânime nesse sentido, sublinhando que ainda existe “informação insuficiente”. Segundo a presidente, o “momento certo” para uma análise mais aprofundada deverá ser a próxima reunião, em junho, quando os economistas do banco apresentarão novas projeções.
Guerra contra o Irão e crise de Ormuz pressionam o cenário-base
Lagarde acrescentou que a evolução da economia da zona euro, em consequência da guerra contra o Irão e da crise de Ormuz, está a “desviar-nos do cenário-base” divulgado em março. Nessa altura, o BCE ainda apontava para um crescimento de 0,9% e uma inflação de 2,6% ao longo deste ano.
A presidente não colocou números nesse ‘desvio’. Ainda assim, os cenários mais negativos apresentados em março admitiam um abrandamento do crescimento e uma inflação que poderia ultrapassar os 4%. Apesar disso, Lagarde rejeitou de forma categórica a hipótese de um quadro de estagflação (estagnação económica com inflação elevada), referindo tratar-se de uma situação “parqueada” na memória histórica da década de 70 do século passado.
Expectativas do mercado e o peso das decisões anteriores
Ficou, ainda assim, em aberto a possibilidade de uma subida em junho. Os mercados atribuem 90% de probabilidade a um aumento para 2,25% nessa reunião e antecipam uma taxa de 2,75% no final do ano.
Nas suas declarações, Lagarde deixou perceber que pretende evitar repetir o erro de Jean-Claude Trichet em 2011, quando uma subida apressada de juros agravou a crise das dívidas soberanas. Ao mesmo tempo, procura afastar a crítica de que o BCE reagiu tarde em 2022, subindo as taxas quando a inflação já se aproximava dos 9%.
A reunião do BCE coincidiu com estimativas do Eurostat que indicam uma subida da inflação em abril para 3% e, em paralelo, um abrandamento da economia do euro para 0,8% no primeiro trimestre do ano. Em Portugal, a inflação acelerou para 3,4% em abril, ficando acima da média da zona euro.
Nos Estados Unidos, Powell mantém juros e cresce a tensão política
Do outro lado do Atlântico, Jerome Powell presidiu à última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) no seu mandato, mantendo as taxas de juro no intervalo de 3,5% a 3,75%. A votação trouxe um elemento inesperado: três governadores opuseram-se à decisão por quererem impedir que ficasse aberta a possibilidade de descer os juros, como pretende Donald Trump.
Entretanto, o Senado deverá aprovar em breve a nomeação de Kevin Warsh para substituir Powell em meados de maio. Ainda assim, Powell fez uma revelação: continuará no cargo de governador até que o Departamento de Justiça garanta que arquiva definitivamente as acusações que colocam em causa a sua honorabilidade na gestão das obras de um edifício da Fed. O secretário do Tesouro classificou a posição de Powell como “um insulto”.
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