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Health Parliament Portugal regressa para responder à crise na saúde

Grupo diverso de seis jovens em reunião com laptops e documentos numa sala de conferências iluminada.

O sistema de saúde acumula problemas antigos que parecem não ter fim e respostas que tardam a concretizar-se. Ao mesmo tempo, surgem desafios novos que obrigam a soluções diferentes. Entre pressão, sinais de crise e a urgência de um diagnóstico com resposta, regressa o Health Parliament Portugal (HPP), o único parlamento no país inteiramente dedicado às questões da saúde. Esta terceira edição junta 60 participantes para escrutinar bloqueios, cruzar perspetivas e trabalhar recomendações para o sector.

Health Parliament Portugal (HPP): um parlamento dedicado à saúde

Nas duas edições anteriores, o trabalho desenvolvido gerou propostas que acabaram por ser convertidas (ou estão prestes a sê-lo) em medidas de política pública, como o regime de pensionista automático e a simplificação de procedimentos nas juntas médicas.

O que explica a influência das recomendações: interdisciplinaridade e participação cívica

O impacto alcançado pelo HPP é atribuído, sobretudo, a dois fatores: a combinação de diferentes áreas de conhecimento e a participação cívica. Na sessão de lançamento da terceira edição, Paulo Pereira defendeu uma abordagem mais transversal, lembrando que “A saúde não é só um assunto que se resolve nos hospitais”. O reitor da Universidade Nova de Lisboa reforçou que a discussão deve envolver pessoas de vários sectores e acontecer para lá dos espaços tradicionais onde se tomam decisões.

A componente participativa também foi sublinhada por Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Johnson & Johnson Innovative Medicine Portugal, ao apontar resultados concretos de recomendações já produzidas. “A participação cívica tem permitido uma pluralidade de ideias”, referiu, acrescentando que várias propostas foram “acarinhadas por diversos governos” e que “há talento disponível para pensar e para contribuir”.

O regime de pensionista automático foi uma das propostas do HPP que acabou por ser adotada

Para David Dinis, diretor-adjunto do Expresso, o valor do projeto está no tempo dedicado ao trabalho e na continuidade do debate. “É preciso juntar pessoas em sessões consecutivas e debater com profundidade para tentar chegar a soluções melhores.” Num contexto em que se discute um Pacto Estratégico para a Saúde, o jornalista considera que a terceira edição “acontece no momento certo” e destaca a importância de os deputados selecionados acompanharem esse processo. Também Andres Ortola, director-geral da Microsoft, chamou a atenção para o potencial do HPP, defendendo que “este pode ter uma missão muito especial”.

Prevenir, aceder, concretizar

Feito o enquadramento, a conversa avançou para entraves que continuam por resolver. Em muitos casos, aquilo que falta não é identificar o que está por fazer, mas sim garantir execução. A médica Ana Gomes, presidente da primeira edição do HPP, apontou fragilidades na articulação entre sistemas: “Temos os computadores todos disponíveis, inteligência artificial e tudo mais. E continuamos a escrever processos clínicos? Não faz sentido”.

A prevenção foi outra das suas preocupações, com um argumento claro sobre eficiência e impacto: “Custa muitíssimo mais curar do que custa prevenir.”

No tema do acesso, o diagnóstico também não é novo. Francisco Goiana da Silva, presidente da segunda edição, lembrou: “Temos um sistema de saúde, hoje em dia, que tem muita qualidade. O que é difícil é entrar. Aliás, as barreiras no acesso eram um dos temas da primeira edição deste parlamento”. Ainda assim, a sua intervenção incidiu sobretudo na dimensão geracional das lideranças. “Nós não somos a próxima geração da saúde. Nós somos a geração atual dos líderes da saúde que só não assume mais cargos de liderança porque os antigos não os libertam e estão agarrados ao poder”, afirmou. E acrescentou: “Nós temos um problema de discriminação geracional nas lideranças do Serviço Nacional de Saúde, que não é baseado nem no médico, nem na competência técnica, nem na capacidade de gestão”. Para sustentar o ponto, deixou uma comparação: “As empresas mais prósperas do mundo (...) são geridas por pessoas de 20 ou 30 anos. Devíamos aprender com isso.”

Candidaturas: idades, datas e objetivo da nova edição

É precisamente esse intervalo etário que enquadra as candidaturas à nova edição do Health Parliament Portugal, abertas a participantes entre os 21 e os 40 anos (ver caixa). As candidaturas abrem hoje, 1 de maio, e a iniciativa termina com a apresentação de um conjunto de recomendações para a saúde.

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