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Novo Citroën ELO: quer ser o FIAT Multipla francês

Veículo Citroën ELO 2025 elétrico de cor verde e branco, porta lateral aberta, interior com bancos amarelos.

Entre SUVs e crossovers que hoje dominam as ruas, há ideias que pareciam arrumadas numa gaveta - até alguém as voltar a puxar para a mesa. O ELO, novo protótipo da Citroën, faz precisamente isso: recupera o formato monovolume/MPV compacto e dá-lhe uma leitura atual, pensada para o séc. XXI.

Com 4,10 m de comprimento - o mesmo de um C3 -, tem proporções típicas de MPV e pode oferecer até seis lugares em duas filas. É impossível não lembrar o FIAT Multipla dos anos 90: um conceito tão brilhante quanto controverso, com seis lugares em menos de quatro metros e um design que ainda hoje divide opiniões. E tem a sua piada que, dentro da Stellantis, seja a Citroën a reabrir este capítulo.

A grande diferença do ELO para o Multipla está no contexto do tempo: aqui a base é uma plataforma 100% elétrica e o interior foi pensado como um «micro loft» com rodas, mais próximo de uma pequena casa do que de um automóvel tradicional.

Pequeno por fora, enorme por dentro

O Citroën ELO dificilmente chegará à linha de produção, mas funciona como um laboratório de ideias para futuros modelos da marca.

O motor elétrico está montado no eixo traseiro, libertando espaço à frente e permitindo uma carroçaria curta, com as rodas nos extremos e uma altura generosa (1,70 m). O resultado é um rácio exterior/interior que a Citroën, sem pudor, chama de “imbatível” no universo dos monovolumes compactos.

A configuração de bancos também ajuda a explicar o conceito. De série, o Citroën ELO tem quatro lugares, diferenciando-se do Multipla por colocar o condutor ao centro, numa posição avançada e rodeada por muito vidro - quase como conduzir dentro de um aquário panorâmico.

Atrás, três lugares de largura idêntica asseguram espaço para adultos e os bancos laterais escondem ainda dois bancos suplementares que podem ser abertos para chegar aos seis lugares, sem sacrificar a capacidade da bagageira.

A ausência de túnel central e o piso totalmente plano tornam as deslocações a bordo mais fáceis, quase como num pequeno estúdio móvel. As quatro portas abrem em sentidos opostos e, sem pilar central, criam uma enorme abertura lateral de 1,92 m. É tudo menos convencional - tal como o Multipla foi no seu tempo.

REST, PLAY, WORK: um carro para o dia inteiro

A Citroën não quis que o ELO fosse apenas um carro para transportar pessoas. A marca francesa quer gerir o tempo de quem vive dentro dele, resumindo a ideia em três palavras: REST, PLAY, WORK (descanso, lazer e trabalho), que definem as várias «vidas» deste protótipo. É destas três palavras que também nasce o nome deste protótipo: rEst, pLay, wOrk.

Na vertente REST, o interior vira um pequeno refúgio. Dois colchões dobráveis, guardados em compartimentos próprios na bagageira, podem ser inflados com o compressor integrado e montados no habitáculo, criando uma cama para duas pessoas.

As luzes traseiras interiores passam a candeeiros de mesa de cabeceira e até há bases de montagem (emprestadas pelos paddleboards da Decathlon, que foi uma das parceiras de desenvolvimento deste protótipo) para fixar um projetor e ver um filme num ecrã retrátil.

Em modo PLAY, o Citroën ELO transforma-se numa base de operações para atividades ao ar livre. Os três bancos traseiros são amovíveis e viram cadeiras para piqueniques improvisados, há pontos de fixação para montar toldos em ambos os lados e o sistema V2L permite alimentar um grelhador elétrico ou a coluna de som. O compressor serve também para encher pranchas, boias ou pneus de bicicleta.

Já em modo WORK, o banco do condutor roda 360° e passa a ser uma cadeira de escritório. Uma mesa escondida debaixo do assento central da segunda fila salta cá para fora para suportar o portátil, enquanto o sistema de projeção de informação no para-brisas passa a mostrar agendas, chamadas e videoconferências.

A ideia é simples: se o carro passa 95% do tempo parado, mais vale servir para mais do que apenas ocupar espaço.

Materiais à prova de vida real

O Citroën ELO também serve para testar materiais mais sustentáveis e fáceis de manter. A Citroën juntou-se à Decathlon e à Goodyear para desenvolver revestimentos resistentes, laváveis e pensados para usos “de campo”: desde feltros reciclados do anterior concept Oli - que tivemos oportunidade de conduzir - transformados em caixas de arrumação, até plásticos reforçados e tecidos que não se assustam com lama, areia ou água salgada.

Os para-choques e proteções dos guarda-lamas usam polipropileno expandido, o mesmo material dos capacetes de bicicleta da Decathlon, leve, reciclável e ideal para aguentar toques urbanos.

Já os pneus, desenvolvidos pela Goodyear, são “inteligentes”: medem a pressão e o desgaste em tempo real e usam um LED integrado na jante para avisar se algo não está bem.

Quando chega?

Ao contrário de muitos show cars, que não passam de modelos de produção com bling bling extra, o Citroën ELO é um verdadeiro concept car (protótipo conceptual), fazendo renascer o conceito de MPV compacto. Por isso, tal como o Oli, olhe para o ELO como um concentrado de ideias que poderemos ver chegar aos futuros modelos da marca francesa.

A estreia pública do ELO será no Salão de Bruxelas, a 9 de janeiro e surpreende por ter sido a Citroën a repescar este conceito de carro compacto, prático e… muito diferente - promete ser tão polémico como o antepassado italiano. Mas é refrescante ver que pode haver um futuro sem ser tudo SUV ou crossover.

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