A beta aberta de Back 4 Blood já está disponível (podes ver aqui como participar), e isso significa que jogadores de todo o mundo estão a entrar no shooter cooperativo de zombies do estúdio responsável pelo Left 4 Dead original. Apesar de este sucessor espiritual recuperar muitos dos ingredientes desse marcante jogo cooperativo em PvE, a Turtle Rock Studios também está a alterar a fórmula de várias formas. Tive oportunidade de experimentar a beta aberta antes do arranque para o grande público, para perceber em que ponto está o jogo.
PvE em Back 4 Blood: Cleaners e o sistema de cartas
Como seria de esperar, Back 4 Blood sente-se particularmente forte no lado PvE. A escolha da personagem humana - chamadas "Cleaners" dentro do jogo - oferece bónus pequenos mas úteis (a Holly dá +25 de resistência à equipa, enquanto o Evangelo dá a todos um aumento de 5 percent na velocidade), mas a personalização a sério está num sistema de cartas.
Antes de entrares numa partida ou numa sequência de missões, preparas baralhos com cartas que modificam a jogabilidade. Entre as opções, há cartas que acrescentam vida ou dano, aceleram a recarga, ou até te dão uma vida extra durante a sessão. Algumas interferem com o grupo inteiro, como uma que usei e que aumentava a capacidade de munições. Ao início olhei para o sistema com desconfiança, mas, depois de repetir várias vezes a mesma missão, acabei por gostar de como os elementos aleatórios mantêm a experiência sempre diferente.
Campanha: Ridden, variantes especiais e um Ogre inesperado
Já dentro da campanha, o objetivo é avançar em conjunto: disparar sobre zombies, vasculhar o cenário à procura de armas e munições, e abrir caminho até ao saferoom no fim do mapa. Pelo percurso, esmagas quantidades enormes de zombies - aqui chamados Ridden -, mas também aparecem criaturas mais grotescas e perigosas, como o ágil Hocker (que cospe), o esguio e poderoso Tallboy, ou o Snitch, capaz de chamar hordas.
Numa das missões, surgiu do chão uma variante enorme de Ridden, o Ogre, que funcionou como um combate de chefe. Mesmo não o tendo derrotado no primeiro encontro, ele garantiu que voltávamos a ter uma segunda oportunidade - embora num momento bem menos favorável.
Quando estás apenas a lidar com os Ridden "normais" ou, em alternativa, só com as variantes especiais, os confrontos acabam por ser relativamente diretos. A verdadeira confusão começa quando as hordas se misturam com ameaças mais fortes, como o Exploder - que, como o nome sugere, explode e causa dano massivo em área. Nesses instantes, o pânico e decisões precipitadas tornam-se um inimigo quase inevitável, enquanto os zombies invadem tudo e os companheiros começam a cair. É precisamente aí que Back 4 Blood brilha, ainda que muitas vezes à custa do meu ritmo cardíaco.
PvP competitivo: Cleaners contra Ridden
Se já contava que o PvE funcionasse bem, não estava à espera de me divertir tanto no multijogador competitivo. Em vez do formato tradicional em que ambas as equipas têm capacidades e arsenal equivalentes, Back 4 Blood coloca Cleaners frente aos Ridden, permitindo que os jogadores assumam o controlo dos monstros mortos-vivos que, no outro modo, se habituaram a rebentar.
Após um curto período em que os humanos podem recolher armas e consumíveis, as hordas são libertadas. A partir daí, os infetados controlados pela IA caem sobre os Cleaners sob a forma dos tipos comuns, enquanto os Ridden controlados por jogadores ocupam as variantes especiais. Embora Tallboys e Retches sejam extremamente perigosos e capazes de causar estragos consideráveis, eu preferi controlar criaturas mais rápidas como o Hocker, que consegue saltar grandes distâncias, prender inimigos com uma cuspida que os imobiliza e, depois, reduzir-lhes a vida rapidamente com golpes sucessivos.
À primeira vista, os Cleaners parecem praticamente condenados: quanto mais tempo sobrevivem, mais densas se tornam as vagas de mortos-vivos no mapa. Além disso, existe um círculo que encolhe para concentrar a ação, num sistema semelhante ao de muitos jogos de "último homem em pé". Terminada a ronda, as equipas trocam de lado, e vence a ronda quem registar o maior tempo de sobrevivência enquanto Cleaners. É uma ideia divertida e boa para partidas rápidas, mas estou sobretudo curioso para ver como este modo vai evoluir.
Ainda que estas impressões sejam claramente muito iniciais - e eu tencione continuar a jogar para consolidar a minha opinião sobre este shooter aguardado -, saí bastante bem impressionado com o tempo passado em Back 4 Blood. A mistura entre uma fórmula já testada e os elementos novos trazidos pela Turtle Rock Studios resulta numa experiência que, ao mesmo tempo, parece uma evolução natural e uma proposta com novidades. Agora resta esperar para perceber como Back 4 Blood se vai afirmar até ao lançamento oficial; depois desta beta, com tanto o PvE como o PvP a mostrarem bons sinais, a espera tornou-se ainda mais difícil.
Back 4 Blood chega à PlayStation 5, Xbox Series X/S, PlayStation 4, Xbox One e PC a 12 de outubro.
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