O Irão subiu este sábado o tom sobre as conversações com os Estados Unidos, num momento em que Teerão continua sem dar uma resposta formal à proposta apresentada pela administração de Donald Trump para pôr termo ao conflito no Médio Oriente.
Teerão põe em causa a seriedade dos Estados Unidos
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, acusou Washington de violações do cessar-fogo e sustentou que a atuação norte-americana alimenta dúvidas quanto à “a motivação e a seriedade” dos Estados Unidos no percurso diplomático.
“A recente escalada das tensões por parte das forças americanas e as suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam as suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana no caminho da diplomacia”, afirmou Araghchi, numa conversa telefónica com o homólogo turco, citada pela agência iraniana Isna.
Proposta de Donald Trump segue sem resposta oficial
Estas declarações surgiram depois de Trump ter dito, na sexta-feira, que esperava uma resposta iraniana à proposta norte-americana para um acordo de paz. “Supostamente, devo receber uma carta esta noite. Veremos como a situação evolui”, disse nesse dia o presidente norte-americano aos jornalistas, à saída da Casa Branca.
Também na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaïl Baghaï, referiu à televisão estatal iraniana que a proposta dos Estados Unidos continua “em análise”.
Estreito de Ormuz e a hipótese de retomar a escolta naval
Trump voltou igualmente a admitir a possibilidade de reativar a operação militar de escolta de navios no Estreito de Ormuz, caso as negociações com Teerão não avancem.
“Poderíamos retomar o Projeto Liberdade se as coisas não derem certo”, afirmou, acrescentando que a operação poderia passar a chamar-se “Projeto Liberdade Plus”.
Entretanto, em Roma, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Washington aguardava uma resposta iraniana sobre negociações “sérias” com vista a um acordo.
Programa nuclear, enriquecimento de urânio e incidentes na trégua
Os Estados Unidos insistem para que o Irão limite o programa nuclear iraniano, sobretudo no que diz respeito ao enriquecimento de urânio, como condição para pôr fim ao conflito que começou a 28 de fevereiro.
Na quinta-feira, Irão e Estados Unidos trocaram ataques na zona do Estreito de Ormuz, no episódio mais grave desde o início da trégua de 8 de abril, com os dois lados a acusarem-se mutuamente de violar o cessar-fogo. Apesar disso, Trump reiterou que a trégua continua em vigor.
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