Nesta semana em que a Atari assinala o seu 50.º aniversário, a empresa revelou Atari 50: The Anniversary Celebration. Esta compilação de clássicos quer ir muito além do típico “pacote de jogos” que se costuma ver: a ambição é funcionar como um museu virtual e interactivo, capaz de mostrar até que ponto a Atari foi influente e decisiva - sobretudo nos primeiros anos, ainda embrionários, da indústria dos videojogos. Tive oportunidade de experimentar Atari 50: The Anniversary Celebration para perceber se consegue estar à altura de um objectivo tão ambicioso.
O que é Atari 50: The Anniversary Celebration
No essencial, Atari 50: The Anniversary Celebration reúne mais de 90 jogos jogáveis num único pacote de US$ 40. A selecção inclui títulos clássicos e retro provenientes de seis plataformas de hardware (Atari 2600, 5200, 7800, ST, Jaguar e Lynx), com emulação desenvolvida pelos reconhecidos especialistas em “revival” retro da Digital Eclipse. É também a primeira vez que jogos de Jaguar e Lynx ficam jogáveis em consolas modernas.
A Digital Eclipse, que mais recentemente se destacou com Mega Man Legacy Collection, Street Fighter 30th Anniversary Collection, The Disney Afternoon Collection e com a futura Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection, traz uma bagagem considerável no trabalho de preservação e relançamento de clássicos de outras épocas.
Emulação, plataformas e melhorias modernas
A Atari sublinha que a Digital Eclipse vai entregar uma emulação “de topo” e, ao mesmo tempo, várias melhorias modernas de qualidade de vida para a extensa lista de referências retro incluídas em Atari 50. Como explica o CEO da Atari, Wade Rosen: "Quando se trata de emulação ou de trazer clássicos de volta ou de fazer realmente qualquer tipo de remasterização ou reinterpretação, não sei se há alguém que o faça melhor do que a Digital Eclipse, por isso foram sempre a nossa primeira escolha. [O presidente da Digital Eclipse] Mike Mika é um sábio no que toca à história da Atari e à história dos videojogos em geral, por isso têm sempre um grande cuidado não só em disponibilizar os jogos, mas em proporcionar uma forma realmente inovadora de os experimentar e de conhecer a história à volta deles. Para algo tão grande como o 50.º, foi o único estúdio que sentimos que podia captar tudo isso de forma adequada."
Com tantos jogos acessíveis de imediato, encontrar um título específico - ou até apenas navegar sem destino - pode tornar-se intimidante. Atari 50: The Anniversary Celebration tenta resolver isso com várias opções de organização e filtragem. Ao entrar na página de um jogo dentro da colecção, é possível optar por saber mais sobre esse título ou avançar directamente para jogar.
Além disso, podem aplicar-se filtros, molduras e diferentes opções de ecrã, consultar o manual de instruções e até reconfigurar os botões. São pequenas facilidades que, num conjunto tão grande, fazem diferença tanto para quem quer apenas experimentar como para quem procura uma forma mais confortável de revisitar jogos antigos.
Seis jogos novos criados pela Digital Eclipse
A proposta não fica pelos jogos históricos. A Digital Eclipse também criou seis jogos novos que prestam homenagem a clássicos do passado da Atari - ou regressam a ideias antigas para lhes dar uma nova vida. Um exemplo particularmente curioso é a criação do quarto capítulo de Swordquest, Airworld, bem como uma aventura moderna em 3D isométrico inspirada em Haunted House.
A colectânea inclui ainda Vctr Sctr, um título pensado para celebrar a “era vectorial” dos jogos, combinando elementos de vários clássicos de arcada - incluindo Asteroids e Tempest - numa experiência única. Há também Neo Breakout, uma competição para dois jogadores que mistura Breakout e Pong; Quadratank, uma nova entrada para quatro jogadores na série Tank; e Yars' Revenge Reimagined, que pega no jogo first-party mais vendido da Atari 2600 e lhe aplica visuais modernos.
Entre estes novos conteúdos, Yars' Revenge Reimagined revelou-se extremamente divertido - e é fácil apreciar a possibilidade de alternar, com o toque de um botão, entre os gráficos originais e os gráficos modernos. Ainda assim, o meu favorito do conjunto pode bem ser Vctr Sctr, sobretudo pela forma fluida como o jogo nos transporta de um estilo para outro sem quebrar o ritmo.
Entrevistas e arquivo histórico: o lado “museu” da compilação
Para além do que é jogável, Atari 50: The Anniversary Celebration quer dar aos jogadores um acesso raro às pessoas que ajudaram a transformar a Atari num dos nomes mais reconhecidos do sector, nos primeiros tempos da indústria. O pacote inclui mais de 60 minutos de entrevistas exclusivas com figuras relevantes dos videojogos. Antigos membros da Atari - como Al Alcorn, criador de Pong, e Howard Scott Warshaw, criador de Yars' Revenge - juntam-se a outras pessoas do meio para contextualizar os maiores êxitos da empresa, as suas dificuldades e o impacto global que teve na indústria.
Como parte deste lado “museológico”, também é possível consultar materiais históricos, incluindo fotografias dos primeiros anos da empresa, esboços de design e memorandos, e até publicidade publicada em revistas.
Impressões após o primeiro contacto
Depois de explorar a oferta ampla desta nova compilação, a sensação é a de um tributo adequado à relevância de uma das empresas mais influentes e importantes da história dos videojogos. Não é segredo que muitos destes títulos da Atari não envelheceram tão bem como jogos de eras seguintes, mas é precisamente por isso que esta colecção me desperta interesse: em 2022, traz pequenas melhorias de qualidade de vida que tornam estes jogos um pouco mais agradáveis de revisitar.
Fico com vontade de mergulhar mais a fundo na história e na nostalgia quando Atari 50: The Celebration chegar à PlayStation 5, Xbox Series X/S, PlayStation 4, Xbox One, Switch, Atari VCS e PC durante a época festiva deste ano.
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