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Top 10 das maiores cidades do mundo por população

Vista aérea de uma cidade com arranha-céus, tráfego intenso e um rio com barcos ao fundo.

Por todo o planeta, as metrópoles estão a crescer até dimensões difíceis de imaginar. Onde antes havia aldeias ou pequenos portos, concentram-se hoje dezenas de milhões de pessoas, estradas entupidas, skylines iluminadas - e um enorme potencial de conflito. Olhar para as dez maiores cidades do mundo ajuda a perceber como o planeta está a mudar.

Onde a Terra está mais cheia: Tóquio no topo

De acordo com dados das Nações Unidas (World Urbanisation Prospects, analisados pela World Population Review), Tóquio é actualmente a maior área urbana do mundo. Na grande região metropolitana vivem cerca de 36,95 milhões de pessoas - mais do que a população de todo o Canadá.

"Tóquio não é apenas a região metropolitana mais populosa do planeta, como também um símbolo de como a alta tecnologia, a tradição e a sobrelotação colidem entre si."

No conjunto, a área urbana estende-se por cerca de 8231 quilómetros quadrados. Arranha-céus ultramodernos, néons e lojas de electrónica convivem com santuários antigos, izakayas tradicionais e templos budistas. Nalguns bairros, robôs servem refeições e há casas de banho que “falam” com os utilizadores - enquanto, ao mesmo tempo, peregrinos rezam em templos com séculos de história.

Nem sempre foi assim: historicamente, Tóquio começou por ser uma aldeia piscatória pouco relevante chamada Edo. Só em 1868 o imperador se mudou de Quioto para lá, transformou Edo na capital e deu-lhe o nome de Tóquio. Desde então, a cidade quase não parou de crescer, apesar de o Japão, no seu conjunto, enfrentar uma população envelhecida e em declínio. Por isso, especialistas admitem que Tóquio poderá perder a liderança dentro de alguns anos.

Um traço marcante é a combinação entre natureza e megacidade: na primavera, durante a floração das cerejeiras, milhares de árvores alinham parques como o Ueno, onde mais de 1000 cerejeiras se tingem ao mesmo tempo de um rosa suave. E, em dias limpos, vê-se no horizonte o sagrado Monte Fuji, a cerca de 100 quilómetros a oeste. Este estratovulcão, com 3776 metros de altura, é considerado no xintoísmo uma poderosa força da natureza e um importante destino de peregrinação.

Top 10: as maiores cidades do mundo por população

A lista tem por base as regiões metropolitanas - e não apenas os limites administrativos de cada cidade. Estes são os valores mais recentes (a partir de 2025):

Rang Stadt Land Einwohner (rund)
1 Tóquio Japão 36.953.600
2 Deli Índia 35.518.400
3 Xangai China 31.049.800
4 Daca Bangladeche 25.359.100
5 Cairo Egipto 23.534.600
6 São Paulo Brasil 23.168.700
7 Cidade do México México 23.016.800
8 Pequim China 22.983.400
9 Mumbai Índia 22.539.300
10 Osaka Japão 18.873.900

O que estas megacidades têm em comum é a capacidade de atrair população das zonas rurais - à procura de emprego, educação, cuidados de saúde e melhores condições de vida. A população mundial está agora em cerca de 8,3 mil milhões de pessoas e cresce todos os anos em aproximadamente 80 milhões. É nas cidades que essa pressão se faz sentir com mais força.

Deli e Mumbai: os gigantescos ímanes de milhões da Índia

Deli: colapso do trânsito e uma “cúpula” de smog

Com cerca de 35,5 milhões de habitantes, Deli ocupa o segundo lugar do ranking mundial. Uma parte da metrópole integra a capital, Nova Deli. Situada nas margens do rio Yamuna, a cidade divide-se, de forma geral, entre a Old Delhi, mais antiga e extremamente densa, e a Nova Deli, mais ampla e planificada, conhecida por edifícios coloniais imponentes.

Em 1911, as autoridades coloniais britânicas transferiram a sede do governo de Calcutá para a área de Nova Deli e desenharam grandes avenidas, edifícios governamentais e praças representativas, com um traço claramente europeu. Hoje, bairros de vivendas e zonas diplomáticas chocam com ruelas apertadas, mercados e bairros de lata.

O crescimento é acelerado - projecções apontam para mais de 43 milhões de pessoas até 2035. Um factor decisivo é a migração interna de regiões rurais pobres para a área da capital. Mais de um milhão de pessoas vivem em bairros de lata; os engarrafamentos fazem parte do quotidiano; e a cidade luta contra uma das piores poluições atmosféricas do mundo. Para reduzir emissões, o governo tem apostado cada vez mais em autocarros, táxis e tuk-tuks a gás natural.

Mumbai: motor financeiro da Índia com bairros de lata gigantescos

Mumbai, anteriormente Bombaim, soma cerca de 22,5 milhões de habitantes e é vista como o coração industrial e financeiro da Índia. A cidade começou como um conjunto de várias ilhas e, durante o período colonial, essas ilhas foram sendo ligadas por aterros, criando uma massa de terra contínua. Nessa época, o espaço urbano foi organizado em zonas de comércio, governo e bazares - uma lógica que ainda hoje se reconhece.

Actualmente, o sul concentra muitas áreas residenciais caras e sedes de empresas, enquanto a zona norte reúne extensos polos industriais e fábricas. Ao mesmo tempo, os bairros informais expandem-se em grande escala. Estimativas indicam que cerca de 54 por cento da população de Mumbai vive em assentamentos informais. Torres de luxo envidraçadas erguem-se a poucos metros de barracas de chapa - um exemplo extremo de desigualdade social.

No plano económico, Mumbai funciona como um verdadeiro centro de gravidade: ali está a bolsa mais importante do país e é a partir dali que se gere uma parte significativa do comércio indiano. Além disso, Mumbai é a casa de Bollywood, a gigantesca indústria cinematográfica que produz séries e filmes para centenas de milhões de fãs.

China em dose dupla: Xangai e Pequim

Xangai: de aldeia piscatória a gigante financeiro

Xangai, com cerca de 31 milhões de habitantes, é a maior cidade da China e um emblema da ascensão económica do país. Ainda no século XIX, era uma pequena aldeia de pescadores, até que, em 1842, após a Primeira Guerra do Ópio, os britânicos assumiram o controlo e criaram uma zona especial para estrangeiros.

Essa fase deixou uma marca internacional visível até hoje. Xangai tornou-se um dos mais relevantes centros de comércio e finanças da Ásia. Após 1949, com a tomada de poder pelos comunistas, impostos elevados e uma regulamentação rígida travaram o crescimento. A partir das reformas económicas de 1992, a dinâmica regressou: desde então, a metrópole tem crescido até 15 por cento por ano e os arranha-céus multiplicam-se.

Apesar das fachadas de vidro e dos centros comerciais, a cidade mantém jardins e templos da dinastia Ming, que permitem espreitar o passado imperial.

Pequim: centro do poder com ofensiva contra o smog

Pequim, com quase 23 milhões de habitantes e a segunda maior cidade da China, está entre as metrópoles com mais peso histórico do planeta. Já na época da dinastia Zhou era um centro político; e recebeu o nome actual em 1403, durante a dinastia Ming.

Hoje, é a sede da liderança do Estado, acolhe inúmeros grandes grupos empresariais e é um importante polo financeiro. Mais de 60 arranha-céus ultrapassam os 150 metros de altura. Perto da skyline moderna ficam pontos emblemáticos como a Cidade Proibida e o acesso à Grande Muralha da China, com cerca de 21.000 quilómetros.

Durante anos, Pequim foi sinónimo de smog e ar irrespirável. Em 2014, o governo lançou o programa "Guerra à Poluição". Novas regras de emissões, encerramento de fábricas e um controlo mais rigoroso das centrais a carvão surtiram efeito: entre 2012 e 2021, a poluição atmosférica desceu de forma significativa - um exemplo de como decisões políticas podem transformar uma megacidade.

Megacidades do Sul Global: Daca, Cairo, São Paulo, Cidade do México, Osaka

Daca: aperto, crescimento e cheias

Daca, capital do Bangladeche, tem cerca de 25,36 milhões de habitantes e está entre as cidades mais densamente povoadas do mundo. Em muitas ruas, dominam as riquexós de bicicleta - daí a alcunha "capital das riquexós".

A história da cidade é antiga: por volta de 1608, tornou-se capital do Império Mogol na região e desenvolveu-se como centro de comércio e têxteis. Actualmente, enquanto plataforma financeira e de serviços, é sobretudo o norte da metrópole que cresce, ao passo que o sul, com bairros antigos e zonas de barracas, enfrenta grandes dificuldades.

Um dos maiores problemas é a localização no delta: durante a monção de verão, as inundações ocorrem quase todos os anos. Quem sofre mais são os mais pobres, cujas habitações oferecem pouca protecção contra a água e contra doenças.

Cairo: entre pirâmides e bairros de betão

Cairo, com cerca de 23,5 milhões de habitantes, é a maior cidade de África e do Médio Oriente. Erguida nas margens do Nilo, soma mais de mil anos de história urbana. Mesquitas históricas, bairros antigos, museus e arranha-céus modernos compõem um retrato muitas vezes caótico, mas impressionante.

A cerca de 18 quilómetros a sudoeste, elevam-se as pirâmides de Gizé - monumentos com cerca de 4500 anos que atraem milhões de turistas todos os anos. A maior, a Pirâmide de Quéops, tem 139 metros de altura e é composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra. Em paralelo, crescem na envolvente do Cairo cidades-dormitório, novas cidades-satélite e assentamentos informais, como resposta ao enorme afluxo de população.

São Paulo: máquina económica com perfil global

São Paulo, a maior área metropolitana da América do Sul, conta com aproximadamente 23,17 milhões de habitantes. Fundada no século XVI por jesuítas, viveu o grande salto no século XIX, impulsionada pelas plantações de café no interior. Trabalhadores e trabalhadoras vindos da Europa e da Ásia afluíram em massa, incluindo muitos japoneses - e, até hoje, São Paulo acolhe a maior comunidade japonesa fora do Japão.

Actualmente, é o centro económico do Brasil, com bancos, grandes empresas e start-ups. Ao mesmo tempo, a cidade debate-se com engarrafamentos, smog e desigualdades sociais profundas.

Cidade do México: megalópole numa bacia de vulcões

A Cidade do México, com cerca de 23 milhões de pessoas, situa-se numa bacia elevada rodeada por vulcões, a aproximadamente 2200 metros de altitude. Quase um quinto da população total do país vive aqui. A metrópole moderna foi construída sobre as ruínas de Tenochtitlán, a capital asteca conquistada no século XVI pelo conquistador espanhol Hernán Cortés.

Enquanto centro económico, a cidade atrai há décadas população do interior, sobretudo em períodos de crise, como o colapso do preço do petróleo nos anos 1980. Muitos recém-chegados acabam em enormes bairros informais na periferia. As consequências incluem infra-estruturas cronicamente sobrecarregadas, escassez de água, montanhas de lixo e níveis elevados de criminalidade.

  • Elevada poluição do ar causada pelo trânsito e pela indústria
  • Milhares de toneladas de lixo todos os dias, com apenas uma parte a ser oficialmente recolhida
  • Economia informal de reciclagem, que assegura rendimento a muitas pessoas pobres
  • Forte presença de cartéis de droga e de gangues

Ainda assim, a Cidade do México está entre as metrópoles mais visitadas da América Latina - pela arquitectura colonial, pelos museus e pelos sítios arqueológicos ligados aos astecas.

Osaka: metrópole comercial e capital da comida

Osaka, no oeste do Japão, fecha o top 10 com quase 18,9 milhões de habitantes. A cidade, junto à baía com o mesmo nome, já era no século XVII um centro essencial do comércio de arroz. Hoje, é considerada um polo financeiro e industrial - e também uma referência gastronómica. Muitos pratos e técnicas culinárias japonesas conhecidos nasceram aqui; ruas cheias de restaurantes e bancas de comida definem, por exemplo, a zona de diversão nocturna de Dotonbori.

No entanto, a rápida expansão da indústria e das infra-estruturas teve efeitos colaterais. Em algumas áreas, o solo afundou mais de dois metros devido ao elevado consumo de água; a isso somam-se poluição do ar e ruído.

O que impulsiona as megacidades - e os problemas que enfrentam

Porque é que tanta gente se desloca para estes gigantes urbanos, apesar de lá encontrar barulho, smog, rendas elevadas e congestionamento permanente? Há três motivos que se repetem quase sempre:

  • Pobreza no campo: quando a agricultura quase não garante rendimento, a cidade, com fábricas e empregos no sector dos serviços, torna-se mais atractiva.
  • Melhor acesso a serviços: hospitais, universidades, nós de transporte e oferta cultural estão muito mais concentrados nas metrópoles.
  • Redes e oportunidades: quem procura trabalho, quer abrir um negócio ou investir em formação tende a encontrar mais contactos nas megacidades.

Deste movimento resultam desafios de grande escala: a habitação torna-se escassa e cara, os bairros de lata alargam-se, as redes de transporte gemem sob milhões de deslocações pendulares e os sistemas de lixo e saneamento aproximam-se do limite. A poluição em Pequim, as cheias em Daca, as crises de resíduos na Cidade do México - tudo isto são manifestações diferentes do mesmo fenómeno.

Importa notar que expressões como "região metropolitana" ou "megacidade" não descrevem apenas uma cidade no sentido estrito, mas sim áreas urbanas contínuas que incorporam subúrbios, cidades-satélite e zonas de pendularidade. Ao comparar números, é essencial confirmar se estão a contar apenas o município central ou toda a envolvente. É precisamente por isso que, nesta lista, os valores se situam entre cerca de 20 e quase 40 milhões.

Para muitos países, estes colossos urbanos são simultaneamente problema e solução. Produzem uma grande fatia da riqueza, atraem investimento e funcionam como laboratório de novas tecnologias - do transporte público ao abastecimento energético. Em contrapartida, expõem sem piedade onde falta planeamento político: habitação social, protecção climática, preparação para catástrofes e uma distribuição mais justa de oportunidades.


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